Quando se fala de qualidade de vida, vem à mente a importância e a necessidade de se manter a eficiência econômica, o primado social e a precaução ecológica em consonância com a liberdade de iniciativa do ser humano (ênfase no turismo). Fatos recentes da relação homem-natureza vêm cada vez mais corroborar a consciência que todos têm em relação às questões ambientais. A sustentabilidade requer, de imediato, a percepção para as exigências imateriais da humanidade, no presente e no futuro e a harmonia socioeconômica e socioambiental, manifestando-se os fatores educacionais ambientais como essencial à sadia qualidade de vida, sobretudo de todos os comprometidos com o turismo. Contudo, para consolidar tudo isso, algumas tolerâncias ecológicas do fenômeno “turismo” precisam vir à tona. Mas para que o meio ambiente esteja em concordância com o turismo são necessárias ações de envolvidos sem dar azo às pretensões insustentáveis. E o resultado da ação no meio ambiente realça a importância e a necessidade, em qualquer nível e lugar, de aplicar o conceito de ecoturismo, desenvolvendo o meio turístico sem danificar o ambiente.

Para assegurar um mundo ecologicamente equilibrado e um turismo responsavelmente aceito é mister que se aja. E as ações devem partir, a priori, do ser humano. Chama-se sustentabilidade ambiental o equilíbrio – moderação, prudência, comedimento, autocontrole, autodomínio – das e entre as ciências econômicas, sociais e ambientais. E turismo sustentável o equilíbrio sequaz ao fator turístico. “Sustentabilidade é característica de algo que dura por um tempo maior do que o previsto inicialmente.” (BRASILEIRO, 2008, p. 7)[1]. A sustentabilidade – direcionada à ecologia e ao turismo – desenvolve um ambiente de forma adequada às necessidades das pessoas, respeitando as questões econômicas, ambientais, sociais e turísticas, a tolerar o máximo possível. Consoante conceito da Organização Mundial do Turismo (OMT) (1995)[2], “[…] turismo sustentável é aquele ecologicamente suportável em longo prazo, economicamente viável, assim como ética e socialmente equitativo para as comunidades locais.[…]”, isto é, esse segmento do turismo garante-se nos aspectos mais essenciais da vida do ser humano: ambientais, de consumo, culturais e de lazer. O turismo sustentável é a garantia para os agentes turísticos – empresário, turista e comunidade local – se habituarem conscientemente para o moderno ecoturismo.

O ecoturismo, na atual conjuntura, é um holograma, uma ilusão? Bohm (1971 apud Cavalcanti, 1994)[3] revela que o holograma, no campo físico, “é um ponto de partida para uma nova descrição da realidade”. Agir é preciso e surpreender é supérfluo. O arranjo real do ecoturismo, adotado atualmente, demonstra pouca ação ambiental e muita maravilha artificial, ou seja, a maioria dos agentes turísticos apresenta o ecoturismo sem o seu principal alicerce: a consciência eticamente e legalmente ambiental. Ansarah (2001, p. 208)[4] reflete a definição do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) (1994) para o ecoturismo, em que orienta o caminho a ser seguido: “[…] um segmento da atividade turística que utiliza de [sic] forma sustentável o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através [sic] da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações”. A essência do ecoturismo é manter os patrimônios de um lugar turístico, ou que venha a se tornar, preservados, conservando com a da população diretamente envolvida. Cada comunidade, em cada fração de tempo, tem sua própria cultura ideológica, econômicas, sociais e metaculturais. E essas características devem ser transformadas em realidade sustentável, a tributar o turismo e a desligar o plugue do holograma ambiental quase inalcançável.

Por: Alisson Silva Fernandes

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