O que é uma bola?

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Bola de futebol - Foto: Divulgação

por Elba GGomes

Em vários esportes, ela é a personagem principal. No futebol, é o centro das atenções. Hoje, seria inimaginável muitas das modalidade esportivas sem o seu concurso. Já adivinharam de quem estamos falando? Com certeza, a bola.

Ninguém pode afirmar com certeza a origem da bola. Acredita-se que as primeiras datem de mais de 30.000 anos, segundo desenhos feitos em cavernas, retratando homens  segurando objetos esféricos  feitos com pedras.

Provavelmente, o “esporte” mais antigo com o uso da bola tenha sido o kemari. Era uma prática, criada pelos chineses no século X a.C, uma espécie de treinamento militar. Os participantes se organizavam em um grande círculo e deveriam chutar uma pequena bola, com o fim de acertar o alvo. Civilizações antigas como a grega, a romana e a japonesa provavelmente tenham também se utilizado da “bola”.

Num mundo cada vez mais marcado pela tecnologia, é comum encontrar crianças que ainda não sabem nem amarrar os sapatos navegando na internet e usando smartphones ou tablets. Ou ver adolescentes que não se interessam por esportes e que preferem “navegar” pelo mundo quase infinito da internet.

Há uma preocupação de psicólogos, neurologistas, terapeutas infantis, pais, professores sobre a superexposição de crianças e adolescentes a internet. Se há alguns anos as crianças sonhavam em ganhar bicicletas, bolas ou vídeo games, hoje o objeto de desejo são os smartphones, que, além de servirem como celular, oferecem acesso a internet, jogos, troca de mensagens e muitas outras funcionalidades. Mas por mais que os pequenos insistam, nem sempre é recomendável ceder.

No tocante a esse tema, que exige análises mais complexas, por especialistas da área, ofereço, para reflexão dos leitores, uma Crônica de Luis Fernando Veríssimo, intitulada “A bola”.

“O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola.

O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse “ legal! “. Ou os que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.

– Como é que liga?- Perguntou.

– Como, como é que liga? Não se liga.

O garoto procurou dentro do papel de embrulho.

– Não tem nenhuma instrução?

O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos decididamente outros.

– Não precisa manual de instrução.

– O que é que ela faz?

– Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.

– O que?

– Controla, chuta…

– Ah, então é uma bola?

– Claro que é uma bola.

– Uma bola, bola. Uma bola mesmo.

– Você pensou que fosse o quê?

– Nada, não.

O garotinho agradeceu, disse “ Legal! “, de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado MONSTER BALL, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentava se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina.

O pai pegou a bola nova ensaiou algumas embaixadinhas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.

– Filho, olha.

O garoto disse “ legal “, mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recuperar mentalmente o cheiro do couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.

Foto: Divulgação