Com o tema “Sol e chuva, casamento de viúva”, a Moleka 100 Vergonha, de Campina Grande, foi a grande campeã do XIII Festival Estadual de Quadrilhas Juninas. A final, entre as oito melhores quadrilhas das 24 que deram largada à competição na última quarta-feira (11), aconteceu neste domingo (15), no Ponto de Cem Réis, e levou uma multidão a lotar as arquibancadas em animada torcida.O festival foi promovido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, por meio da sua Fundação Cultural (Funjope).

Com uma nota de 349,4 pontos nos quesitos casamento matuto, trio pé de serra, figurino, conjunto, coreografia e marcador atribuídos por uma comissão de jurados, a agremiação campinense superou a Fogueirinha, de Cruz das Armas (segundo lugar, com 348 pontos) e a Lageiro Seco do Róger (em terceiro, com 344,6).

moleka

Agora a Moleka, mais uma vez, se prepara para enfrentar o Festival Regional de Quadrilhas Juninas, de cujo título de 2013 é detentora (o concurso será transmitido pela Rede Globo Nordeste em Goiana, Pernambuco, no próximo dia 22). Já a Fogueirinha centrará esforços no Nordestão, realizado em Teresina (PI), nos dias 5 e 6 de julho.

O desfile – Com quatro carros alegóricos – alguns dotados de esteiras rolantes, bombas d’água simulando cachoeiras e até elevador, a Moleka investiu em uma superprodução avaliada em mais de R$ 110 mil só em adereços (fora gastos com figurino) para conquistar público e jurados.

A quadrilha, que tem 15 anos, acaba de conquistar o pentacampeonato estadual, mais um Nordestão e um Nacional no currículo. “Começamos o trabalho em novembro passado, com a escolha do tema e do repertório. Daí o trabalho foi evoluindo pelos ensaios”, explicou o marcador, Gil Sousa.

Igualmente impecável, o desfile da Fogueirinha, atual campeã de João Pessoa, levantou a plateia. Talvez por isso o vice no Estadual ter descido tão pesado nos integrantes. “Estávamos confiantes, mas nem tudo é vitória”, lamenta um deles, Reginaldo Neto, na entrega dos troféus.

Primeira a desfilar, a quadrilha fez reverência ao sol e à lua com o tema “A tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer”. Nos figurinos, as cores dourada e azul predominaram nos 150 bailarinos (é a maior agremiação do Estado), em referência aos tons celestiais. “Por duas vezes, desfilamos à noite; agora vamos homenagear o astro-rei”, disse Ronaldo Zebra, diretor artístico, nos preparativos antes de subir ao tablado, às 16h30. Como curiosidade, foi a única a tocar o “Bolero de Ravel” em duo de cordas.

Com 66 anos de fundação, a Lageiro Seco é a quadrilha mais antiga de João Pessoa ainda atuante. Com 120 dançarinos, a campeã municipal de 2013trouxe uma coreografia vibrante, com chuva de alegorias de encher os olhos. “De setembro para cá, chegávamos a ensaiar até a madrugada, todos os dias”, disse Alexsandra Silva, 28 anos, desde as 7h produzida para o desfile da noite.

Tradição e inovação – Em comum, a Sanfona Branca, de Mangabeira (4° lugar), e a Explosão Nordestina, de Santa Rita (6°) investiram em um enredo folclórico, com personagens do boi nordestino, como Catirina e Mateu, a cobra e a maldição. Outras, como a Paixão Junina, de Cuité (8°), com suas dançarinas de cancã e passos de tango na abertura, e a Carcará, de Pilões (7°), com sua coreografia de cowboy, inovaram tanto que sofreram descontos na pontuação.

“Imagino que, para os jurados, deve ter sido uma avaliação muito difícil. Estamos entre os melhores dos melhores, é natural este acirramento na final”, analisa Edson Pessoa, presidente da Liga das Quadrilhas Juninas de João Pessoa.