Presidente do Banco Central anunciou medida nesta quarta-feira; atualmente, conversão é feita no dia do vencimento da fatura do cartão

O Banco Central emitiu circular obrigando os bancos a informarem aos clientes o valor em reais de compras feitas por cartão de crédito no exterior segundo a taxa de câmbio do próprio dia da operação. A medida entrará em vigor em (1º) de março de 2020.

“Dessa forma, o cliente ficará sabendo, já no dia seguinte, quanto vai desembolsar em reais, eliminando a necessidade de eventual ajuste na fatura subsequente”, explicou a autoridade monetária, em nota. De acordo com o BC, a medida aumentará a previsibilidade para os clientes dos valores gastos e evitando a variação cambial entre o dia do gasto e o fechamento da fatura.

“Além disso, a medida aumenta transparência e a comparabilidade na prestação do serviço, padronizando as informações sobre o histórico das taxas de conversão nas faturas e terão que ser divulgadas em formato de dados abertos, de forma que rankings de taxas possam ser estruturados e divulgados”, completou o BC.

Além do valor em reais e em dólar, as faturas também terão que informar a taxa de conversão entre as moedas para cada compra.

Permitida pelo BC desde o final de 2016, opção de travar cotação do dólar em compras e pagar fatura com o câmbio do dia de cada transação só é oferecida apenas por alguns bancos, segundo o BC.

“É uma medida que facilita a vida do cidadão, o brasileiro ficará mais confortável em saber quanto está gastando em reais”, afirmou o presidente da instituição, Ilan Goldfajn.

O presidente do BC concedeu nesta quarta-feira, 28, entrevista coletiva para apresentar os resultados dos dois anos da Agenda BC+, de ações da instituição nas áreas de cidadania financeira, melhoria da eficiência no sistema financeiro, arcabouço legal e custo de crédito.

Open Banking e pagamentos instantâneos são próximas ações

O presidente do Banco Central também citou projetos que ainda estão em elaboração pela autoridade monetária e que devem ser tomadas a partir de 2019. Entre elas, está o “open banking” para padronizar o intercâmbio de dados entre bancos e fintechs, como já existe na Europa.

“Um projeto que também está germinando são os pagamentos instantâneos. Para isso é necessário um sistema coordenado”, completou.

O BC também prepara um projeto de Lei de Coordenação de Estabilidade Financeira, com a criação de um comitê que poderá decidir ações emergenciais em momentos de crise.

Entre as medidas planejadas pelo BC também está o registro de recebíveis, que busca dar mais segurança para as garantias. O projeto de Lei de Resolução Bancária também deve ser apresentado pela autoridade monetária.

“Também vamos modernizar e tornar mais amigável o Sistema de Informações de Crédito (SCR3)”, citou o presidente do BC.

Ilan Goldfajn lembrou ainda que em 2019 o Brasil assumirá a presidência do Banco dos Brics e afirmou que o País pretende implementar algumas iniciativas na instituição multilateral.

O presidente do BC concede nesta quarta-feira, (28), entrevista coletiva para apresentar os resultados dos dois anos da Agenda BC+, de ações da instituição nas áreas de cidadania financeira, melhoria da eficiência no sistema financeiro, arcabouço legal e custo de crédito.

Estadão