por Teresa Duarte

Um mangue, área nativa do caranguejo Uçá, leva de 20 a 30 anos para recompor a sua vegetação. Esse é um dos principais fatores que está levando tecnicamente a espécie extinção da espécie no Brasil. De acordo com o geógrafo especializado na área de engenharia ambiental, Romero Borborema de Souza Filho, a devastação dos mangues vem ocorrendo por conta do impacto dos grandes centros urbanos que foram construídos desordenadamente, bem como pela poluição no ecossistema e a pesca desordenada não respeitando o período defeso da espécie.

Romero Borborema de Souza Filho, geógrafo especializado na área de engenharia ambiental
Romero Borborema de Souza Filho, geógrafo especializado na área de engenharia ambiental

Ele é um dos diretores da SOS Caranguejo Uçá, organização não-governamental sediada em Barra de Camaratuba, município de Mataraca, que existe há mais de 10 anos, sendo ela fundada por iniciativa do empresário IvamBurity. Ela surgiu com objetivo de defender a área do manguezal que foi transformada em uma reserva através de uma lei municipal, sendo como uma área de interesse ecológico do Rio Camaratuba, cujo objetivo é defender o caranguejo Uçá.

Em parceria com o Sebrae-PB a Ong realiza cursos de capacitação com a comunidade que era envolvida no comercio do caranguejo, sendo ele o sustento de suas famílias. “Nós contamos com a parceria do Sebre-PB e foram realizados cursos de corte e costura, serigrafia, guia de turismo, camareira, entre outros, porém, o  nosso carro chefe é o turismo ecológico que realizamos nas Trilhas do Caranguejo Uça, uma ação de sensibilização ecológica, que permite aos visitantes um contato direto com o manguezal, sua fauna e flora”, informou.

Conforme ele explica que as trilhas realizadas com um guia local capacitados pela ONG para acompanhar os turistas, porque os horários e trilhas obedecem os horários das marés, “esses guias além de capacitados também recebem os macarrões (flutuadores) e uma máquina fotográfica aquática para o registro do passeio”, destacou.O passeio nas Trilhas do Caranguejo Uçá é realizado entre o mangue flutuando no macarrão (flutuador), deslocando-se através da corrente da maré, em perfeito contato com diversas espécies da fauna e da flora existentes.

Na sede da ONG também funciona uma oficina com maquinas e ferramentas para o desenvolvimento de artesanato e oficinas de capacitação para os artesãos da Barra do Camaratuba. O turista que visitar o local poderá comprar produtos confeccionados pela comunidade que participam das oficinas de artesanato, como também do curso de corte e costura. Esse trabalho também contribui para despertar o interesse de visitantes e investidores estrangeiros com foco no ecoturismo turismo rural e de aventura.

Atrativos Turísticos:

Aldeias Indígenas – o acesso pode ser realizado de bugre ou de veiculo 4×4 ou atravessando o rio camaratuba pela balsa, é possível visitar algumas das vinte e quatro aldeias que integram a reserva dos potiguaras, inclusive ruínas históricas da época colonial e também o artesanato.

Lagoa da Pavuna –  o acesso é feito de bugre ou veiculo 4×4, você pode fazer um passeio ao longo do parque de geração de energia eólica, fazendo uma parada em uma das belas lagoas da região a lagoa da Pavuna e terminando na foz do rio Guaju, com um impagável banho de rio e ainda ski- bunda e passeio de canoa no manguezal.

Lagoa Encantada – é uma nascente de águas cristalinas acessado por duas belas trilhas. A Trilha da Praia que é feita a beira mar e a Trilha Exótica que é feita entre a mata atlântica de tabuleiro, permitindo ao visitante, um contato direto com a flora e fauna local, findando nas águas mornas da lagoa encantada.

Como Chegar – Barra de Camaratuba é uma pequena vila de pescadores no município de Mataraca, a aproximadamente 110 km de João Pessoa/PB e a 120 km de Natal/RN, estando situada no meio do pouco que resta da mata atlântica, com praias desertas, lagoas, áreas de proteção ecológica e muito mais. O acesso a Barra de Camaratuba é através do município de Mataraca. Partindo de João Pessoa é feito no sentido Norte pela BR 101.

Fotos: Ana Célia Macedo