No “Dia Nacional do Voluntariado” conheça algumas experiências de turismo com trabalho voluntário

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Roberta Cardoso viajou para Pipa e congregou atividade de voluntariado no roteiro. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação MTur/Divulgação

No Dia Nacional do Voluntariado, conheça viajantes que estão em busca do ‘volunturismo’, mistura de turismo com trabalho voluntário

por Geraldo Gurgel

A chance de fazer a diferença na vida de alguém não tira férias. Sempre que um turista bota o pé na estrada, tem tempo livre para abraçar uma causa e fazer o bem no destino de sua viagem. É o caso da engenheira de produção Roberta Cardoso, paraense de 29 anos, que há dois anos viajou sozinha para conhecer a praia de Pipa (RN) e incluiu no roteiro uma visita a uma creche-abrigo local. O trabalho voluntário foi sugerido pela equipe do hostel onde ela havia se hospedado com turistas estrangeiros.

A experiência não teve por objetivo qualquer tipo de permuta ou serviço grátis, somente “dar e receber amor”, como ela descreve. “Foi uma experiência incrível que marcou muito minhas férias. Além de fazer turismo e me encantar com Pipa, ver o brilho nos olhos daquelas crianças fez tudo valer ainda mais”, destacou.

Turistas interessados em trabalhos voluntários durante as férias podem participar de projetos sociais em diversos destinos do Brasil. Além de Pipa (RN), a paradisíaca praia de Itacaré (BA) também está entre os destinos que mais recebem visitantes com o desejo de ajudar moradores, na maioria das vezes com realidades muito diferentes do turista. Há atividades recreativas, de educação ambiental e até aulas de surf como forma de inclusão social. Já em Itacoatiara, que fica próxima a Manaus, foi fundada uma escolinha formada apenas por viajantes que querem ajudar as crianças da comunidade ensinando inglês, matemática, pintura, espanhol, música, jogos, esportes, entre outros.

Comunidades de destinos ribeirinhos como dos Lençóis Maranhenses (MA) e do Rio Tapajós (PA) também recebem os turistas que viajam em expedições para fazer o bem. Algumas agências de intercâmbio social e ONGs inclusive oferecem pacotes prontos para a experiência. É o caso da A Íris Social, com atuação em Brasília, que organizou a 3ª Expedição Amazônia, de (16) a (22) de setembro. Com todas as vagas já preenchidas para atividades turísticas e voluntárias na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, em Santarém, a missão do grupo nos arredores de Alter do Chão será concluir um viveiro para 150 mil mudas de árvores nativas da Amazônia. “Essa é uma oportunidade de conhecer realmente como vivem as pessoas na maior floresta tropical do mundo e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento local através do turismo voluntário”, disse Natália Teichmann, coordenadora da agência.

De acordo com Cristiano Borges, coordenador geral de Produtos Turísticos do Ministério do Turismo, o chamado “volunturismo” tem por característica a realização de pequenas ações de grande valor humanitário – como dedicar um tempo a brincar com crianças, conversar com idosos, cuidar de animais abandonados e preservar o meio ambiente. “É uma forma diferente de interagir com o destino, participando da vida da comunidade e proporcionando uma experiência de imersão cultural e social que uma viagem turística convencional pode não alcançar. As pessoas estão em busca disso”, diz.

Foi assim que surgiu a startup Sister Wave, criada pela designer brasiliense Jussara Pellicano, que tem 30 anos e uma grande bagagem de voluntariado em viagens. Depois de uma experiência em atividades agroecológicas em fazendas de produção orgânica no sul da França e na Colômbia, ela viu de perto a amplitude do conceito de sustentabilidade e trouxe para o Brasil uma “onda amiga” para ajudar outras mulheres que viajam desacompanhadas a encontrar apoio, como hospedagem e dicas de programas nos destinos. “Essa rede de viajantes femininas nos encoraja a viajarmos sozinhas apoiadas por outras mulheres”, explica a designer.

Há, ainda, organizações sem fins lucrativos que trabalham com missões específicas e aceitam turistas mediante seleção, de acordo com as aptidões do voluntário e objetivo do programa. Alguns programas oferecem alimentação e hospedagem em alojamento compartilhado ou casa de família.

Arapiuns, Santarém – PA. Foto: Tiago Silveira/Banco de Imagens MTur/Divulgação