Interior de SP ganha museu para contar maior aventura automobilística mundial

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Museu Mário Fava, em Bariri (SP) - Foto: Divulgação

Museu Mário Fava, em Bariri (SP), conta a história de três brasileiros que, nos anos 20 e 30, percorreram mais de 27 mil quilômetros em um Ford T, de 1918, para mapear a Estrada Pan-americana

Típica cidade do interior, Bariri, a 271 quilômetros de São Paulo, com 34 mil habitantes, teria na praça da Matriz sua principal atração não fosse o fato de um de seus moradores ser um homem chamado Mário Fava, e apelidado “intrépido mecânico”.  A história desse jovem e impetuoso mecânico, que aos 21 anos aceitou participar junto com outros dois brasileiros da maior aventura automobilística que tem se notícia, foi a inspiração para o museu que preservará na pequena cidade um intento reconhecido no mundo todo.

Museu Mário Fava, em Bariri (SP) – Foto: Divulgação

O Museu Mário Fava está de portas desde (21) de julho e preserva a memória da aventura protagonizada pelo mecânico baririense, Francisco Lopes da Cruz e Leônidas Borges de Oliveira conhecidos por percorrerem, em um Ford T, 27.631 quilômetros para mapear a Estrada Pan-americana, que interliga as Américas, passando por 15 países, entre 1928 e 1938. São fotos dos desbravadores, documentos, registros, jornais da época e mapas de viagem.  Na sala principal está o Ford T, fabricado em 1918, utilizado pelo trio para fazer o trajeto do mapeamento. O carro centenário foi todo restaurado para ficar em exposição.

A viagem teve início em 1928, no Rio de janeiro e durou dez anos.  Além do Ford T, batizado com o nome de ‘Brasil’, os três levaram uma caminhonete Ford, ano 1925, que ganhou o nome de ‘São Paulo’. Depois de abrir caminhos entre campos, florestas, montanhas, pântanos e rios, os desbravadores encerraram a jornada sendo recebidos na Casa Branca, pelo Presidente Franklin Delano Roosevelt e o empresário Henry Ford. “O objetivo do museu é reunir essa história de pioneirismo e mostrar ao visitante parte dos desafios enfrentados pelo trio há mais de 80 anos”, conta o curador e um dos fundadores do museu, José Augusto Barboza Cava.

A aventura coincide com a popularização do automóvel no Brasil e, consequentemente, a necessidade de abrir novas estradas e mapear outras existentes em nome do progresso. De acordo com o curador, a viagem para desbravar a Pan-americana foi organizada por Leônidas Borges de Oliveira, que recebeu do então presidente Washington Luís um documento que dava fé e apoio do governo brasileiro à empreitada. “Esse registro também contribuiu para que os viajantes pudessem angariar apoio no custeio da viagem nos países por onde passavam, conforme a viagem fosse avançando”, explica o curador.

Os carros não ficam nos EUA

O Ford T (fabricado em 1918 e montado em 1919), um dos veículos utilizados na viagem, então com dez anos de uso, foi doado pelo jornal carioca O Globo. A caminhonete Ford, fabricada em 1925, foi doação do Jornal do Comércio de São Paulo. Quando chegaram aos Estados Unidos, chamaram atenção pela resistência a tantas intempéries. Afinal, foram 15 países e dez anos de desafios.

Os expedicionários – Imagem: Divulgação

Empolgado com o feito dos brasileiros, Henry Ford, fundador da montadora que tem seu sobrenome, tentou pessoalmente comprar os veículos assim que constatou a sua originalidade. “Ele ofereceu um bom dinheiro para garantir a permanência dos carros nos Estados Unidos. Certamente, a ideia era utilizá-los como símbolo da qualidade e da tenacidade na marca”, conta Cava. A oferta foi recusada pelo trio. Eles consideraram que os veículos pertenciam aos brasileiros e deveriam retornar ao Brasil. Ao voltar ao País, os aventureiros foram recebidos pelo então presidente Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

O Ford T foi doado ao Museu do Ipiranga após a viagem e, depois, foi entregue ao Museu do Gaetano Ferolla, que conta a história do transporte público da Capital do Estado. Desde 2009, Bariri tenta reaver o veículo e só em janeiro deste ano o Ford T chegou ao município. Para ser instalado dentro do museu, o carro precisou ser desmontado e montado em definitivo no salão principal. O outro veículo da expedição se perdeu no tempo depois de ser abandonado em um terreno baldio nas proximidades do Museu do Ipiranga.

Sede

Patrimônio histórico de Bariri, o prédio que abriga o museu já foi sede da Sociedade Italiana de Beneficência 4 de Novembro. A construção tem mais de 90 anos e reunia italianos que moravam em Bariri para a realização de festas e acolhimento de novos imigrantes. Com o passar do tempo, o prédio foi doado para a Santa Casa e abandonado depois de anos. Com a instalação do museu, todas as dependências foram restauradas, preservando a arquitetura original. O Museu Mário Fava tem cinco fundadores, Aziz Chidid Neto, Ari Francisco Fiadi, Ângelo Roberto Falseti, Osni Ferrari e o curador José Augusto Barboza Cava, que lançou na mesma data de inauguração o museu o livro “Museu Mário Fava – Histórias de Bariri”.

Serviço

“Museu Mário Fava”
Rua Tiradentes, nº 410. Bariri/SP
As visitas podem ser realizadas de terça a domingo, das 10 às 19 horas.

Assessoria