Agência de turismo portuguesa inova e vende viagens surpresa em caixas de chocolates

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Cada Chocolate Box traz consigo a surpresa do destino e da estadia, um leque de atividades originais para fazer e curiosidades sobre o local. (Foto: Divulgação)

“A vida é como uma caixa de chocolates, nunca sabemos o que vamos encontrar”, já dizia Forrest Gump. Na agência de viagens Chocolate Box, só sabe que vai viajar. O resto? É surpresa. Abra aqui uma.

Raquel Salgueira Póvoas

Escolher a data, o tipo de atividades preferidas para fazer enquanto se viaja e identificar os locais para onde não que se quer ir. São estes os três requisitos necessários para marcar uma viagem na Chocolate Box. Escolher o destino? Está totalmente fora de questão.

É desta forma que a Chocolate Box surpreende os clientes, desafiando-os a chegar a um destino surpresa, acompanhados por um roteiro completo que inclui bilhete de avião, hotel, sítios a visitar, atividades para fazer e ainda uma máquina fotográfica para que os melhores momentos fiquem registados. Tudo pensado ao pormenor e entregue, claro está, numa verdadeira caixa de chocolates.

Destino Roma, Pusemo-nos nas mãos da agência de viagens e calhou-nos... Getty Images/iStockphoto
Destino Roma, Pusemo-nos nas mãos da agência de viagens e calhou-nos…
Getty Images/iStockphoto

O Observador aceitou o desafio de abrir uma Chocolate Box à medida de uma viagem para quatro amigas. As coordenadas foram dadas: viajar de 17 a 19 de dezembro, não ir a Paris, Londres ou Madrid e descobrir, nestes dias, bons wine bars, locais para brunches prolongados e passeios por mercados de rua. Dentro da caixa chega uma máquina Fuji Instax Mini 8 e o respetivo rolo, um livro da Coleção de Viagens da Tinta da China, um guia de bordo personalizado e um tablete de chocolate que revela o destino: Roma.

A partir daqui, só dá trabalho fazer as malas. Ao chegar, por orientação da Chocolate Box, está à disposição um jantar com um sommelier (para experimentar seis vinhos distintos e provar pratos típicos italianos, tudo isto em diferentes locais da cidade); uma visita ao Bairro de Trastevere, (para lembrar o filme de Woody Allen Para Roma com Amor); uma Papisa (“muito perto do Coliseu, numa esquina da Via dei Querceti, podem visitar o santuário da Papisa Joana. Perguntem. Não há nada melhor que ouvir um verdadeiro romano a dar-vos explicações nesta língua cantada”, lê-se na caixa); passear de vespa a horas tardias; ir aos mercados Trajano e Via Biberatica e experimentar o brunch da Festa de Babette (“depois de atravessarem o jardim Villa Borgues”).

No total, foram dadas 14 dicas de atividades para fazer em três dias, conselhos de segurança, opções de transfers e contatos úteis.

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Uma das campanhas do projeto. (Foto: Divulgação)

Inácio Rozeira, 38 anos, é o responsável do projeto e quem, com a ajuda de uma equipe de amigos com competências diversas, imagina e desenha os percursos dos clientes. Acostumado a viajar e a organizar viagens de grupo originais para diferentes cantos do mundo, questionou-se um dia sobre “o que é que o mercado terá para oferecer [a quem já deu a volta ao mundo] e já o conhece”. A resposta foi rápida: “Só se for viajar para um destino surpresa. Aliás, este é um presente que qualquer pessoa pode oferecer a si próprio e ainda assim surpreender-se por não saber o que o espera.”

Inácio Rozeira organizava viagens de grupo pelo mundo. Agora é o responsável pela Chocolate Box. (Foto: Divulgação)
Inácio Rozeira organizava viagens de grupo pelo mundo. Agora é o responsável pela Chocolate Box. (Foto: Divulgação)

E assim surgiu a Chocolate Box.

Viajar é um método de aprendizagem não formal e que deve servir para nos fazer crescer. Acho que as viagens em resorts e em pacotes fechados são produtos com pouco interesse que estão focados no entretenimento e não na experiência. Ao longo dos últimos oito anos levei centenas a viajar por destinos como a Índia, a América do Sul e a Europa dO Leste e posso afirmar, com algum sentido de propriedade, que levar as pessoas para conhecer tribos no meio da AmazÔnia ou comunidades dA África Subsariana está ao alcance de cada um e, de alguma forma, já não nos tira da zona de conforto”, conta Inácio Rozeira ao Observador.

Para isso, para que o diferente e original aconteça, “foi necessário pensar ao contrário”. Ou seja, “em vez de olhar para a viagem como o meio de desafiar as pessoas, foi preciso ir a montante e perceber que o segredo está na forma como as pessoas olham para a viagem”. Foi aí que a equipe percebeu ser necessário “tirar uma variável da equação de reserva da viagem: o destino”.

Em média, preparar uma Chocolate Box demora um mês. Nesse tempo, a equipe olha para o perfil da pessoa que o contata e que responde a um inquérito, e faz uma pesquisa exaustiva — dos voos aos hotéis, passando pelos locais mais originais a visitar –, sempre com a referência temporal de estada de três dias, da definição geográfica de só se viajar para destinos do Acordo Schengen e com um valor total de 495€ por experiência (695€ se a viagem for apenas para uma pessoa).

  • O Acordo de Schengen é uma convenção entre países europeus sobre uma política de abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas entre os países signatários. Um total de 30 países, incluindo todos os integrantes da União Europeia (exceto Irlanda e Reino Unido) e três países que não são membros da UE (Islândia, Noruega e Suíça), assinaram o acordo de Schengen. Liechenstein, Bulgária, Romênia e Chipre estão em fase de implementação do acordo.

O projeto teve início em outubro e desde então, já recebeu uma centena de pedidos.

“Queremos que os nossos clientes se sintam seguros e o meio de hospedagem é uma parte muito importante da equação, por isso colocamo-los apenas em hotéis de quatro ou cinco estrelas, com café da manhã no centro da cidade. A partir do destino, a viagem desfia-se”, diz o mentor.

Para além das pesquisas, as ideias surgem do contacto com diversas pessoas que adoram viajar. É por isso que muitas das ideias acabam por aparecer, naturalmente, “entre jantaradas e conversas de café”.

No caso do perfil do grupo que o Observador sugeriu, a equipa explica o processo: “Pensámos: Roma é incrível para um grupo de quatro amigas. Tem o romantismo, tem o vinho, tem a cultura, tem tudo… Olhamos para o mapa e, lá está, o nosso sistema devolve-nos Roma. Não tem nenhum segredo. É preciso olhar com dedicação, olhar para um cliente como a coisa mais importante do mundo e preparar-lhe uma experiência incrível.”

Em relação à duração da estadia, os três dias, Inácio não tem dúvidas: “É o número certo para uma viagem para uma cidade europeia. É o tamanho de uma escapadinha, são os dias ideais para, entre voos de chegada e partida ter, pelo menos, 48 horas no destino. É uma escapadinha que tanto pode ser a um fim de semana ou a um dia da semana. Não há limitações de datas, podem viajar no dia em que quiserem desde que nos dê um mês de antecedência.”

Ainda que, como refere o criador do conceito,”os chocolates sejam como as viagens: toda a gente gosta mas não se pode comer todos os dias”, deixamos-lhe as indicações para esta caixa de surpresas.

O quê? Chocolate Box, Agência de viagens surpresa
Quanto? Viagens de uma pessoa, 695€, viagens de grupo, 495€ por pessoa
Onde? Viagens para países do espaço Schengen
Mais informações em https://chocolatebox.pt/

OBSERVADOR

Fotos: Divulgação