Rio ganha museu a céu aberto na região do Porto e da Gamboa

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Três dimensões. O holandês Leon Keer, famoso por suas pinturas em 3D, pinta uma gigante máquina de escrever em um dos prédios no Boulevard Olímpico Foto: Extra/Divulgação

Com mais de 50 murais e grafites em paredes, empenas de edifícios e fachadas de prédios, a Zona Portuária do Rio oferece a quem passa pela região a experiência de visitar um museu a céu aberto. A partir de quinta-feira, dia (18), com o lançamento do Museu de Arte Urbana do Porto (Maup), essa coleção será oficializada e reunida numa plataforma digital com informações, fotos e localização. Idealizado pelos empresários Andre Bretas e Joa Azria, da Visionartz, o Maup incluirá desde o painel Etnias (2016), com 180 metros de largura por 17 metros de altura, de Eduardo Kobra, próximo à Avenida Rodrigues Alves, até pinturas que acabaram de surgir no Boulevard Olímpico, como o coração azul que a dupla Maria Carol Mello e Luca Bastolla, da “8-bitch”, pintou perto do Armazém 2.

— A Zona Portuária vem se tornando uma importante referência artística para a cidade, com o MAR, o Museu do Amanhã e a Fábrica da Bhering. Por isso, achamos que era importante divulgar e incentivar visitas às obras, que formam um museu virtual e de rua — diz Bretas, acrescentando que a próxima etapa do projeto será a criação de um curso para capacitar moradores a trabalharem com pintura e reforma de fachadas e a serem guias turísticos de arte urbana.

Desenhados em edifícios do Santo Cristo, da Gamboa e, principalmente, no Boulevard, os grafites podem ser conferidos pelo site (Maup.rio), que tem textos em português, inglês e francês. O projeto disponibiliza um mapa de papel (versão de bolso com edições de mil exemplares colecionáveis) e um mapa digital.

— É possível usar o mapa para fazer o passeio sozinho ou escolher um dos roteiros (pagos) de visitas guiadas que vamos oferecer, e poderão ser agendadas no endereço eletrônico — explica Bretas.

Os roteiros percorrem o Boulevard e o Santo Cristo, cada um com cerca de 1h30m. O preço dos passeios ainda não foi divulgado.

O acervo do Maup é composto por cerca de 50 grafites. Segundo Bretas, a ideia é que, conforme novas obram surjam, o mapa seja atualizado. Em março, os paulistas Apolo Torres e Erica Mizú vieram ao Rio e deixaram pinturas no Boulevard Olímpico e na Via Binário. Semana passada, o holandês Leon Keer, famoso por suas pinturas em 3D, fez uma máquina de escrever no Boulevard.

Para a artista Maria Carol Mello, não há nada mais libertador do que a arte de rua:

— Ela permite a interação do público. E, depois de pronta, a obra não pertence mais ao artista; passa a ser da própria cidade.

O GLOBO