Clubcom Group reúne mulheres para falar sobre dificuldades no espaço de trabalho

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Convidadas especiais compartilharam experiências e problemáticas com a plateia

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, o Clubcom Group – formado pelas agências Sin Comunicação, Ima Gestão de Imagem e Neopop Branding e Design – realizou nesta quarta (13), na Usina Cultural Energisa, um evento com o tema “Ainda é sobre lutar”, no intuito de discutir os desafios da mulher no espaço do trabalho. Com a proposta de promover um momento reflexivo, o Grupo convidou nove mulheres para falar sobre as dificuldades de evoluir e permanecer no mercado de trabalho

Para introduzir a temática, a mediadora do debate, pesquisadora e diretora do Projeto LIS, Marina Blank, apresentou dados sobre as diferenças salariais entre os gêneros. No cenário atual, a realidade ainda é preocupante: as mulheres ganham menos, estão em menos cargos de liderança e em maior percentual de desemprego.

Durante a conversa, as convidadas tiveram a oportunidade de compartilhar suas experiências. Participaram do debate a juíza e presidente da Associação dos Magistrados da Paraíba (AMPB), Aparecida Gadelha; a diretora de Gestão de Pessoas e Comunicação do Grupo Energisa, Daniele Salomão; a publicitária e redatora da Sin Comunicação, Gabi Borges; a cineasta e ativista Carine Fiúza; a diretora comercial do Sistema Opinião, Reny Cláudia; a co-fundadora e diretora de Comunicação da Lerita e Teo UV, Camila Neiva; a gerente de Comunicação e Marketing da Unimed João Pessoa, Lívia Karol e a coordenadora de Assessoria de Imprensa da Ima Gestão de Imagem, Michelle Raeder.

Daniele Salomão e Lívia Karol levantaram questões sobre o momento de ser mãe e ocupar um cargo de liderança. “Eu acredito que ser mãe deve ser uma escolha da mulher, não uma imposição. Minhas filhas não me impedem de fazer nada, pelo contrário, elas me fortalecem para aceitar novos desafios”, destacou Lívia. Já Daniele revelou que teve receio de aceitar uma nova posição ao descobrir que estava grávida: “Eu me senti um pouco receosa por estar gestante, mas percebi que essa era uma barreira psicológica enraizada e a empresa me proporcionou todas as condições para que voltasse ao trabalho e exercesse minhas funções normalmente”.

A cineasta e ativista Carine Fiúza falou sobre a mulher negra no mercado audiovisual. Em uma de suas falas, ela destacou a dificuldade em se manter nesse mercado segmentado: “Não posso dizer que estou dentro do mercado audiovisual porque não consigo me manter financeiramente nele. Eu entendo que minha presença nesse cenário é política, para levantar questões pertinentes”. Ela também lembrou que as negras ainda sofrem discrepância salarial em relação às brancas e mencionou sobre a dificuldade em relação ao acesso à educação e oportunidades de ocupar espaços.

Mesmo trabalhando no setor público e com salários equivalentes, as mulheres ainda encontram dificuldades para evoluir profissionalmente. Esse foi um dos destaques no discurso da magistrada Aparecida Gadelha. “O tribunal pode dar melhores oportunidades para homens porque eles têm mais tempo para investir na carreira e educação, ao contrário das mulheres, que também se dedicam ao âmbito doméstico. Atualmente, na Paraíba, temos apenas duas mulheres na 2ª instância”, disse a juíza.

Já Reny Cláudia, que está à frente da gerência comercial de três empresas de comunicação, lembrou momentos de sua trajetória profissional e comentou que “ser mulher em posição de destaque é ser colocada à prova o tempo todo”.

Gabi Borges e Michelle Raeder, colaboradoras do Clubcom, destacaram situações de discursos e atitudes machistas em âmbito profissional, como a prática do mansplaining, que se traduz em “comentar ou explicar algo a uma mulher de maneira condescendente, excessivamente confiante e, muitas vezes, imprecisa ou simplista”. Elas também apontaram que as mulheres ainda sofrem com piadas e comentários inapropriados.

Na plateia, homens acompanhavam com atenção o que as mulheres tinham para dizer, como o servidor público Pedro Teixeira, que se interessou pela temática. “Enquanto homem, consciente, sei sobre o machismo na sociedade e tento aprimorar minha mentalidade. Acho importante ouvir pessoalmente o que essas mulheres têm a dizer, isso dá rosto às narrativas e estatísticas”, finalizou.

Clubcom Group