Por que o Ministério do Turismo deve permanecer no novo governo

0
Ministério do Turismo - Foto: Divulgação

por Alessandra Lontra

Segundo anúncio feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, o Ministério do Turismo (MTur) irá fazer parte do Ministério da Integração Nacional, junto com  o Ministério das Cidades

Na última segunda-feira, a Organização Mundial do Turismo (OMT), estava preparando um manifesto ao presidente eleito, congratulando – o pela vitória e ratificando a importância da manutenção do Ministério do Turismo brasileiro, devido à sua importância estratégica mundial e às suas políticas públicas. Essa notícia muito me alegrou e me deixou cheia de esperança; mas, ao mesmo tempo me entristeceu o fato de que essa deveria ter sido a postura do nosso trade nacional. Ou seja, as entidades nacionais que compõem o setor do Turismo é que deveriam também estar pedindo pela permanência do Ministério do Turismo e não somente um organismo internacional!

Ao contrário da OMT, na semana passada, as entidades nacionais do setor do Turismo enviaram uma carta ao presidente eleito relatando a importância do Turismo, mas não pediram para que o MTur continuasse com status de Ministério. Apenas instaram para que o novo governo mantivesse o atual Ministro do Turismo, Vinícius Lummertz à frente do Ministério da Integração Nacional, evidenciando sua capacidade técnica. De fato, o nosso atual Ministro do Turismo é um dos melhores que já passaram pela pasta do Turismo. É inegável a sua expertise quando o assunto é Turismo. Tenho certeza de que se o MTur continuar com o status de ministério e o novo governo mantiver o atual ministro no cargo, além de manter os programas já existentes, o Turismo dará um salto qualitativo, pois Lummertz tem o entendimento assertivo de que Turismo é negócio, gera emprego, renda e é um fator de inclusão social. Ele sabe que a Pasta precisa de mais investimentos do que tem hoje; ele sabe da necessidade de se desburocratizar processos; ele sabe que tem que abrir o mercado para as companhias aéreas estrangeiras; ele sabe, enfim,  o que tem que fazer para o Turismo crescer ainda mais. Mas, o principal é ter um orçamento forte que torne o Brasil competitivo, internacionalmente; afinal, Turismo não se faz sem dinheiro.

Tivemos muitos avanços no setor do Turismo ao longo desses 15 anos de criação do Ministério do Turismo. Aqui cito algumas conquistas como: o apoio a cerca de 17 mil obras de infraestrutura em aproximadamente 4 mil municípios brasileiros para incentivar o turismo local; a descentralização da  gestão turística no Brasil, com o Programa de Regionalização (PRT) que atua  como mecanismo de fortalecimento da descentralização das políticas públicas, visando o desenvolvimento dos municípios agrupados em regiões turísticas, de forma sustentável; a criação da lei da Política Nacional de Turismo, sancionada em 2008, que é um marco legal para a atividade;  a criação do Cadastro Nacional dos Prestadores de Serviços Turísticos – Cadastur –  para fiscalizar alguns equipamentos e atividades do setor e dar mais segurança aos turistas; a criação do novo Prodetur + Turismo que é um exemplo de como se deve trabalhar de forma integrada para a obtenção de melhores resultados para todos e que está integrado ao PRT e está disponibilizando bilhões para infraestrutura por meio de empréstimos junto ao BNDES e agora ao BID também, tanto para a iniciativa pública, quanto para a privada; o Pronatec Turismo, Programa de qualificação para jovens e adultos que pretendem trabalhar no setor;  a Rede de Inteligência Mercadológica (RIMT) que pela primeira vez está pensando no marketing para quem trabalha na ponta; o Invest Turismo que é um programa de articulação e fomento do turismo e tem por objetivo promover a convergência de ações e investimentos para acelerar o desenvolvimento, gerar empregos e transformar destinos, entre muitas outras ações.

Esses são só alguns dos avanços; mas, há muito mais a fazer e é claro que o Turismo do Brasil não está nadando em mar azul. Para isso, é necessário que o governo federal, os gestores estaduais e municipais, bem como o setor privado priorizem o Turismo. É preciso aumentar o orçamento do Ministério do Turismo e criar um programa de descentralização direta de recursos aos Estados e ao Distrito Federal e recursos também para a promoção internacional para que nos tornemos mais competitivos em nível internacional.

Parece até que já virou lugar comum dizer que o Turismo é o setor que pode gerar mais de 200 mil empregos nos próximos quatro anos; que é responsável por um em cada cinco empregos gerados no mundo na última década; que emprega mais do que a indústria automobilística e a química; que apesar do avanço da tecnologia, o setor não deixa de gerar emprego; que representa hoje 10,4% do PIB mundial (WTTC); que impacta direta e indiretamente mais de 500 setores da economia; que é um mercado que movimenta US$ 8,3 trilhões no planeta e responde por 30% das exportações globais de serviço.

Enfim, é sabido que o Brasil é um dos países mais ricos do mundo em belezas naturais, em experiência e em hospitalidade. Mas, é sempre bom reforçar que o Turismo pode fazer muita coisa pelo Brasil e que é inconcebível que o setor não seja prioridade e que perca seu status de Ministério!