Hoje, eu gostaria de mostrar um pouco da história de Pilões – PB, que recebeu status de município em 20 de agosto de 1953 e que tem esse nome por causa de rochas ao longo das cachoeiras e rios que têm o formato de um pilão.

Eu sou meio suspeita para falar sobre Pilões, essa pequena e bucólica cidade incrustada no Brejo paraibano e que guarda a beleza de seus casarios e muitas belezas naturais.

Alessandra Lontra
Alessandra Lontra

Bora Ali comigo, “embarcar” nessa viagem e conhecer como esse pequeno município tem se reinventado com o Turismo de Vivências e Experiências Rurais?!

Pilões é a terra de minha mãe, e minhas raízes me levaram até lá. Desde pequena ouço histórias sobre a cidade, sobre os imponentes engenhos e seus “Senhores de Engenho”, as cachaças, as rapaduras, os banhos em Poço Escuro, a igreja matriz com seus 47 degraus, suas cachoeiras e matas.

Mas, para falar sobre os dias atuais tenho que voltar um pouquinho no tempo pra mostrar pra vocês a história de luta desse povo tão hospitaleiro.

O Brejo paraibano combinou historicamente a produção de alimentos com as culturas comerciais, tais como algodão, café, agave e cana-de-açúcar. Essa coexistência pode ser bem compreendida por meio da classificação terra de agricultura, utilizada por grupos domésticos, de pequenos agricultores e terra de engenho, que são áreas onde os cultivos são feitos por trabalhadores que residem e trabalham submetidos aos proprietários dos engenhos.

A produção da cana-de-açúcar no Estado da Paraíba teve um impulso significativo com o programa do Governo Federal, o Proálcool, na década de 1970. Esse programa redefiniu a região canavieira do Estado, seja pela incorporação de novos municípios, seja pela expansão da fronteira canavieira nos municípios tradicionalmente produtores de cana.
No momento da implantação do Proálcool, a região do Brejo  da Paraíba contava com duas usinas de açúcar: A Usina Tanques, no município de Alagoa Grande e a Usina Santa Maria, no município de Areia.

Usina Santa Maria - Areia - PB
Usina Santa Maria – Areia – PB

A Usina Santa Maria, apesar de estar situada no município de Areia, também possuía terras no município de Pilões.
Com o “boom” do Proálcool na região, além das suas terras já existentes, a Usina Santa Maria começou a arrendar vários engenhos na região de Pilões e Areia, incorporando-os às suas terras. Assim, vários engenhos antigos foram arrendados a partir de 1975 e outros deixaram totalmente de funcionar, tendo os proprietários se transformado em simples fornecedores de cana para a usina.
Com isso, uma leva de trabalhadores rurais foi expulsa dos engenhos e fazendas e se transformaram em trabalhadores assalariados das plantações de cana ou desempregados que passaram a compor a paisagem dos pequenos municípios da região, inclusive o de Pilões.

Na segunda metade dos anos de 1980 e início da década de 1990, o setor canavieiro entrou em crise: usinas totalmente endividadas, várias delas faliram, como a foi o caso também da Usina Santa Maria, de Areia.

Em 1991, foi decretada a falência da usina. Logo em seguida, seu controle passou para a Empresa AGROENGE, pertencente a um grupo do Distrito Federal que conseguiu na justiça uma suspensão da falência, reabriu com o nome de USIAGRO, tendo ainda produzido açúcar e álcool por mais dois anos. Depois disso, não teve jeito; voltou a fechar definitivamente suas portas.

O fechamento definitivo da Usina Santa Maria resultou em uma crise do mercado de trabalho local, com sérias consequências para o desenvolvimento do município. Com o excedente da mão de obra, várias pessoas saíram de Pilões para os grandes centros em busca da sua sobrevivência e de sua família.
A falência da usina representou um enorme prejuízo: uma perda em investimentos produtivos privados e público, uma crise econômica sem precedentes para o município e região.
A solução para os ex-trabalhadores da Usina Santa Maria foi a criação de assentamentos rurais. Isso se deu por meio de uma grande mobilização das comunidades locais, com o apoio do Estado que, para mitigar os efeitos sociais e econômicos de um projeto empresarial que à época tinha sido amplamente apoiado por ele e que tinha fracassado.
E aquelas pessoas que estavam desempregadas passaram a produzir pequenos cultivos para sua subsistência e, assim, elas  passaram de assalariadas ou desempregadas, à condição de pequenos agricultores.

Cultivo da Banana
Cultivo da Banana

Hoje o forte da agricultura do município de Pilões é o cultivo da banana. A cultura da banana transformou-se, portanto, nos últimos anos, na principal atividade econômica de Pilões que também produz mandioca, urucum, castanha de caju e produtos cerâmicos, em pequenas unidades industriais.

Os pequenos agricultores passaram a produzir e a vender sua produção no próprio município, nas feiras livres, coisa que antes não acontecia, porque os produtos vinham de fora.

Ao voltar a Pilões, depois de uns seis anos, pude perceber a evolução do município em relação ao turismo, algo de que o povo, antes, nem cogitava.

Fiquei superfeliz  ao ver empresários locais motivados, ao conhecer o novo espaço do Engenho Olho D´Água criado pela arquiteta Fernanda Melo que é a companheira do herdeiro do Engenho, Corinto Lira Filho . Antes da intervenção de Fernanda, o espaço estava abandonado.
Lá, vocês podem conhecer dois produtos turísticos no Engenho, criados pela arquiteta e que irão fazer toda a diferença em Pilões. O primeiro é o “Colha e Pague” que é um local onde o turista poderá vivenciar a experiência de vestir um avental, calçar galochas e, com uma tesoura, colher flores para confeccionar seu próprio arranjo, comprá-lo e levá-lo para casa. Tudo isso, sob a orientação da arquiteta Fernanda Melo.
Além disso, ela criou um espaço onde podem ser vistas peças, da época dos “áureos tempos” dos grandes engenhos, que foram literalmente “garimpadas” e o transformou no  “Memorial e Comedoria” que pode ser alugado para receber grupos de até 20 pessoas para um almoço regional, onde é servido um delicioso rubacão e, à noite, pode-se degustar um delicioso fondue regado a vinho ou a cachaça, do próprio Engenho. Lá também se pode adquirir cachaça, rapadura e doces de fabricação local.

Casa Grande do Engenho Olho DÁgua
Casa Grande do Engenho Olho DÁgua

O Engenho Olho D´Água também oferece hospedagem, nos finais de semana e feriados, na Casa Grande.

Responsável: Corinto Lira Filho e Fernanda Melo
Endereço: PB 075 – Engenho Olho D´Água das 11h00 as 15h00
Colha e Pague: sexta e sábado das 11h00 as 15h00
Comedoria: Apenas sob agendamento de 24h00 de antecedência e para grupos acima de 12 pessoas
Horário de funcionamento: Memorial: sexta e sábado  
 
Outros produtos turísticos que geram experiências  foram idealizados pelo SEBRAE PB, sob a coordenação da Gestora de Turismo, Regina Amorim, juntamente com os competentes consultores Carlos e Mirian Rocha que desenvolveram um trabalho belíssimo junto as comunidades e puderam evidenciar, assim, as potencialidades turísticas do município.

Desses produtos, destaco o “Flores para Sempre” com o “Café na Varanda” que nada mais que uma casa da região, lindamente decorada com elementos reciclados, onde é servido um café regional com tapioca, bolo, sorvete caseiro, sucos e onde também são vendidos alguns artesanatos locais. Enquanto se toma o delicioso café, pode-se apreciar a linda vista que dali se descortina.

Responsável: Margareth Lemos Pereira                              
Endereço: PB – 087 – (Siga as placas Flores para Sempre) fica localizado na beira da estrada.
Horário de funcionamento: segunda a sábado das 13h00 às 18h00
Atenção: Atendem pela manhã sob agendamento prévio de dois dias          
     
Café na Varanda
Café na Varanda

Também pode-se visitar “Flores de Queimadas”, local que oferece oficinas de hortaliças, um chá na palhoça com biscoito e pétalas.

Responsáveis: Maria Roseli Galdino dos Santos, Josefa Ariana da Costa Pereira, e Josefa Cristina Galdino dos Santos.
Endereço: PB – 087 – Sítio de Queimadas (Siga a sinalização na estrada) Distância 1 KM – Estrada de Terra.
Horário de funcionamento: Diariamente das 08h00 às 17h00.
Atenção: Para grupos acima de 10 pessoas, somente com agendamento de 24h de antecedência.

No “Sítio Riacho de Faca”, na zona rural, pode-se conhecer uma Pousada de abelhas Uruçu, sua casa e seus costumes, sem o perigo de ser atacado por elas.

Responsável: José Geraldo Trajano da Silva.
Endereço: PB – 087 – Sentido antiga Usina Santa Maria (Siga as setas Estrada de Terra)
Horário de funcionamento: Diariamente das 08h00 as 11h00 e das 13h00 as 17h00.
Atenção: Por ser uma zona rural, ligue antes para agendar a sua visita.

Memorial Casa de Farinha
Memorial Casa de Farinha – Foto: Kleide Teixeira

Outro local que também pode ser visitado é o “Memorial Casa de Farinha”, uma autêntica Casa de Farinha e ver como se produz a farinha, artesanalmente, desde a época dos escravos.

Responsável: Cícera, Analiza e Tete.
Horário de funcionamento: Diariamente das 09h00 as 16h00.
Endereço: PB – 087 – Distrito de Veneza (Siga as setas na estrada).
Atenção: Para grupos acima de 5 pessoas, favor agendar com 24h de antecedência.     

Pilões também está preparada para o turismo de aventura e ecológico, com várias trilhas para bike e para caminhadas, a exemplo, da “Caminhadas Rurais em Veneza” que inicia a trilha no “Memorial Casa de Farinha”. Trilhas e estradas rurais proporcionarão um belo espetáculo da natureza. Ao longo do percurso, o turista depara-se  com frutas, flores e poderá tomar um delicioso banho de bica no quintal da casa de uma moradora local. Também é possível encontrar lindas cachoeiras e rios como a famosa cachoeira do Ouricuri, Manga, Rio do Brás, Poço Escuro entre outras, onde você vai se deliciar com o banho.

Responsáveis: Jailson e Yane Marcelino.
Endereço: Veneza – Comunidade Rural
Localização: PB – 077 (Veja a sinalização na Estrada Memorial Casa de Farinha).
Horário de Funcionamento: Diariamente por meio de consulta prévia com antecedência de 48h. Distância: 2 KM (Dificuldade média).

Outra atividade que se apresenta promissora é o plantio de flores. Pilões já cultiva diversas variedades, com destaque para Crisântemos, Margaridas, Gladíolas e Rosas. A cultura de flores está gerando renda e dando notoriedade ao município.

Flores de Pilões
Flores de Pilões

As “Flores de Pilões”, de Carla, Lena e de tantas outras mulheres da Cooperativa é exemplo de uma linda história de vida e de superação, em que, por meio do empreendedorismo nato, foi possível mudar a realidade de uma comunidade. Hoje, as “Flores de Pilões” já são até exportadas!

Na praça da cidade, existe um casarão que foi transformado no “Chá Cultural”. Aberto em dias de grandes eventos, os turistas são recebidos ao som do sax, e podem ver várias peças de decoração e fotos da época dos Engenhos e degustar um delicioso chá. E, para completar ainda podem levar, de lembrança, uma miniatura de um vaso, feito e pintado à mão, pelas artesãs da cidade.

Nos meses de julho e agosto, pode-se participar do evento “Caminhos do Frio”, Rota Cultural, que têm o apoio do Governo do Estado da Paraíba, Prefeitura de Pilões, Fórum Turístico do Brejo e SEBRAE-PB, onde, à noite, acontecem vários shows com artistas locais e uma atração nacional.

Por fim, gostaria de parabenizar a Prefeitura de Pilões, pela sua atuante Prefeita, Adriana Andrade e o secretário de Turismo, Márcio Andrade que não medem esforços para que seu município cresça também por meio do Turismo sustentável.

E aí, gostaram? Que tal conhecer Pilões?
Vemos-nos na próxima 4ª-feira.

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Igreja do Sagrado Coração de Jesus
Ruas de Pilões
Ruas de Pilões
Rocha com formato de pilão
Rocha com formato de pilão
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Zona Rual de Pilões – Foto: Kleide Teixeira
Café na Varanda
Café na Varanda
Memorial e Comedoria do Engenho Olho D Água
Comedoria do Engenho Olho D Água
Engenho Boa Fé
Engenho Boa Fé
Caminhantes da trilha Olho D'Agua Beija Flor
Caminhantes da trilha Olho D’Agua Beija Flor
Cooperativa Flores de Pilões
Cooperativa Flores de Pilões
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Venda de Flores
Flores de Pilões
Flores de Pilões
Flores de Pilões
Flores de Pilões
Flores de Pilões
Flores de Pilões

 

Fotos: reprodução

 

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Alessandra Lontra
Jornalista especializada em Turismo DRT 3913/PB, graduada em Marketing Estratégico, possuí formação em Produção de eventos pela COMUNIK DO BRASIL, em Educação Fiscal pela Escola de Administração Fazendária e em Gestão Cultural para os Pontos de Cultura pela COMUNA S/A e MinC. Atua na área do Turismo há mais de 35 anos, tendo iniciado sua carreira na hotelaria. Trabalhou em agências e Operadoras de Turismo como Gerente Comercial, tendo desenvolvido diversos produtos. Foi Diretora Cultural do Instituto Brasileiro de Formação Educacional e Cultural de Brasília (IBRAFEC), foi diretora Comercial da Bora Ali Produções, Marketing, Consultoria & Eventos. Atualmente é diretora de Marketing do site e da revista "O Concierge". Empreendedora, é uma das idealizadoras do Fórum E.I.T.A - Estratégias Inteligentes para um Turismo Ágil, que aconteceu em maio de 2018 em João Pessoa, Paraíba. E-mail para contato: alessandralontra@oconciergeonline.com.br.