Conheça toda exuberância do Museu da Amazônia em Manaus (AM)

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Musa - Museu da Amazônia, Manaus (AM) - Foto: O Concierge

por Alessandra Lontra

Se você escolheu Manaus nessas férias ou se planeja conhecer esse destino na sua próxima viagem, além daqueles passeios mais conhecidos como visitar o Teatro Amazonas, nadar com os botos, o Encontro das Águas e etc, um passeio imperdível que eu recomendo é a visita ao Musa, o Museu da Amazônia

O Musa foi criado em janeiro de 2009 e ocupa 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, em Manaus. Uma área de floresta de terra firme, nativa, que há mais de 60 anos vem sendo estudada com paixão e é uma das poucas florestas primárias em área urbana do mundo.

Os passeios tradicionais são as trilhas guiadas na floresta, com aproximadamente 3Km e a subida na torre de observação. Na hora de comprar o ingresso, você tem a opção da visita guiada ou não, mas existem algumas atividades que são feitas só sob agendamento e guiadas por monitores do museu. Eu aconselho a fazer a visita guiada; pois ela se torna mais rica pelas informações que são dadas pelo monitor ao longo do passeio que percorre as trilhas, levando às atrações do museu como o orquidário, o borboletário, a torre de observação, o serpentário, o aquário de peixes amazônicos, as exposições e o lago de vitórias-régias.

Formiga Tucandeira, Musa – Museu da Amazônia – Foto: O Concierge

Quando você faz a trilha guiada, ao logo do caminho, você vai parando e ouvindo o monitor do Musa contar as curiosidades sobre a flora e a fauna amazônicas e ainda tem uma parada especial para apreciar a formiga Tucandeira, aquela que tem uma ferroada que dói por vários dias. O monitor pegou uma varinha, deu uma batidinha no pé da árvore onde fica o formigueiro e lá veio ela subindo na varinha para a gente conhecê-la. A Tribo sateré-mawé utiliza o ritual da tucandeira. O costume é uma forma de iniciação masculina, da passagem da infância para a vida adulta. Uma prática repassada de geração em geração e que, mesmo com a pressão da sociedade moderna, se mantém viva. O ritual consiste em vestir uma luva cheia de formigas tucandeiras e resistir por ao menos 15 minutos. A cerimônia é considerada pelos indígenas como um ato de força, coragem e resistência à dor. Além da representatividade da bravura masculina, o ritual também simboliza uma proteção para o corpo. Segundo a crença dos sateré-mawé, a ferroada da formiga tucandeira funciona como uma espécie de vacina. Durante o ritual, o jovem indígena deve se deixar ferrar no mínimo 20 vezes. Para isso, o iniciante coloca as mãos dentro da luva da tucandeira. Chamada de saaripé, o acessório feito de palha pelos indígenas é produzido de palha pelos padrinhos, que são os tios maternos. Durante o ritual, a tribo canta e dança ao lado do adolescente. Mulheres solteiras, que buscam maridos fortes e corajosos, podem entrar e participar da cerimônia com outros.

Angelim-pedra, árvore amazônica gigante que tem entre 500 e 600 anos, mas pode viver até 1500 anos – Foto: O Concierge

Também pudemos apreciar a beleza do Angelim-pedra, que é uma árvore gigante, que tem entre 500 e 600 anos. Portanto, na época do Descobrimento do Brasil, essa árvore já existia. O Angelim-pedra é uma leguminosa, parente dos feijões e da soja, e que pode viver entre 1200 a 1500 anos. Ou seja, se preservarmos a natureza, nossos netos, bisnetos e tataranetos, poderão conhecer essa espécie. Essa árvore te dá uma ideia da grandiosidade da flora amazônica.

Uma das trilhas oferecidas no Musa, é a sensorial, que nos leva ao orquidário, que possui cem espécies de orquídeas e 40 espécies de bromélias reunidas no viveiro. São plantas coletadas na Reserva Ducke e em diferentes regiões da Amazônia. Dentre as várias espécies, a orquídea chocolate se destaca por exalar um cheiro de chocolate, é incrível!

Borboleta tomando água dentro do borboletário do Musa – Museu da Amazônia – Foto: O Concierge

Na Reserva Ducke, estima-se que existam cerca de 500 espécies de borboletas e nas trilhas é comum encontrar magníficas borboletas atravessando o caminho. No borboletário pode-se ver várias especieis reunidas voando e pousando na nossa roupa. É possível ver inclusive as enormes borboletas-azuis. Uma curiosidade dentro do borboletário são os bebedouros para as borboletas. Elas também bebem água.

As famosas vitórias-amazônicas (Victoria amazonica), também denominadas de vitórias-régias , no lago do Musa – Museu da Amazônia – Foto: O Concierge

As famosas vitórias-amazônicas (Victoria amazonica), mais conhecidas por vitórias-régias, em homenagem à rainha Vitória da Inglaterra, podem ser admiradas no lago do Musa. As flores das vitórias-amazônicas são intrigantes, lindas e perfumadas, duram em média 48 horas. Inicialmente são brancas, tornando-se róseas no segundo dia de vida. Ver de perto aquelas enormes plantas que a gente só vê em filmes ou revistas é uma experiência fascinante. Durante a visita, eu matei uma curiosidade e perguntei ao monitor se aquele a história de que a planta aguentava uma criança era verdade, e ele me disse que é mito. Então pessoal, não coloquem as crianças sob as vitórias-régias!

Serpentário do Musa – Museu da Amazônia – Foto: O Concierge

No serpentário os animais estão divididos em dois recintos externos e um laboratório com terrários. A sucuri e as jiboias maiores habitam os recintos externos, que contam com a segurança necessária e garantem a qualidade de vida dos animais. Já os animais menores habitam terrários desenvolvidos exclusivamente para melhor ventilação do ar e maior segurança para os tratadores, pesquisadores e visitantes.

Existem várias exposições no Musa que mostram os saberes e fazeres dos indígenas da amazônia, mas a que mais me chamou a atenção foi a exposição “Peixe e gente”, que mostra as práticas e as armadilhas de pesca, conta histórias do engenho e do imaginário de um povo que vive no Alto Rio Negro. Conta também o que é o Museu da Amazônia, o Musa, um museu vivo da natureza e das culturas humanas nas florestas amazônicas.

Torre de Observação do Musa – Museu da Amazônia – Foto: O Concierge

A famosa torre de observação é feita de aço, com seus 42 metros de altura, 242 degraus e 81m² de base, com capacidade para até 30 pessoas é outra atração imperdível do Musa. A subida deve ser feita silenciosamente e com paradas nas três plataformas localizadas, a 14, 28 e 42m de altura, onde nos permite ver toda a exuberância e as majestosas árvores gigantes da floresta amazônica de vários patamares até a sua copa. Vista de cima, a floresta se transforma num mar de verde, que contrasta com o azul do céu e o canto dos pássaros, que vem coroar esse momento de integração entre o homem e a natureza. Da torre se pode observar o pôr do sol, de 17h30 às 18h30, conforme a época do ano. Ou ainda, a céu noturno, a torre tem sido utilizada por astrônomos amadores. Além dos passeios tradicionais, o Musa também oferece a Observação de aves e o nascer do sol. É preciso agendar.

O Musa – Museu da Amazônia, é uma Reserva para se caminhar com olhos bem atentos e os sentidos em alerta para poder desfrutar de toda a exuberância do lugar. Também é um convite à reflexão sobre a importância da preservação da natureza. Todo brasileiro, antes de pensar em viajar para o exterior deveria conhecer a amazônia, é um destino memorável!

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Serviços

Localização

Av. Margarita (antiga Uirapuru), s/n
Cidade de Deus – Manaus, AM
CEP 69099-285
Tel. +55 (92) 99280-4205

Horário de funcionamento

Diariamente (exceto quartas-feiras), das 8h30 às 17h (o portão de entrada fecha às 16h)

Quarta-feira é dia de manutenção, por isso o atendimento é somente por agendamento.

Ingressos

Visitas guiadas: R$ 40
Visitas sem guia: R$ 20
O passeio inclui as trilhas na floresta e a subida na torre.

Entrada gratuita: crianças até 5 anos

Meia-entrada: estudantes, idosos brasileiros e participantes do Programa Nosso Musa*

* O Programa Nosso Musa contempla os moradores de Manaus que apresentarem documento de identidade com foto e comprovante de residência.

“Observação de aves”, “nascer do sol” e “pôr do sol”
R$ 50 por pessoa, por atividade.
Segunda a domingo, Atividades feitas somente por agendamento

Avisos

Menores de 14 anos devem ser acompanhados por responsável.
Recomendamos o uso de calçado fechado.

Informações e agendamento

Tel. (92) 99280-4205
[email protected]

Grupos e escolas

Escolas públicas têm entrada gratuita. Porém é necessário o agendamento com antecedência.
Para consultar valores e realizar agendamento, envie um e-mail para [email protected].

http://museudaamazonia.org.br/pt/