Vagão panorâmico do Treino Rosso de Bernina – Foto: Direto da Itália (Divulgação)

Por Rose Lucena

Ao embarcar na cidade de Tirano, no famoso “Trem Vermelho de Bernina”, lembrei-me da música que, outrora, cantava com minhas coleguinhas na escola: “O trem maluco, quando sai do Pernambuco, vai fazendo vuco, vuco até chegar no Ceará (…)”. Ah, essas lembranças dos tempos de escola que carregamos no coração! Boas recordações.

O trem, que nem era maluco e nem saia do Pernambuco, mas dos confins da Itália e cortava os Alpes suíços me fez reviver as sensações – obviamente,  com uma experiência bem diferente -, daquela de criança, quando “viajei”, em um, pela primeira vez. Era a minha primeira viagem no Bernina Express, muito embora a minha primeira tenha sido de João Pessoa até a cidade de Cabedelo, um passeio de escola  e com oito anos de idade. Lembro bem que ainda disse para a “tia”, como chamávamos, na época, a professora, que o trem era enorme. Nossa! Como fiquei admirada!

Paisagem dos Alpes suíços - Foto: Direto da Itália (Divulgação)
Paisagem dos Alpes suíços – Foto: Direto da Itália (Divulgação)

Mas, enorme mesmo é o de Bernina, – sensação única. O panorama é de tirar o fôlego, fazendo-nos imergir em uma natureza limpa, cheia de encantos e cujo ar puro pode ser sentido após os “primeiros passos” que o trem dá sobre os trilhos. Respire fundo! A Suíça, com o Bernina Express, é bem ali.

Me deliciando com o ar puro e as paisagens exuberantes dos Alpes suícos - Foto: Direto da Itália
Me deliciando com o ar puro e as paisagens exuberantes dos Alpes suíços – Foto: Direto da Itália

Não estamos falando de um trem qualquer, mas sim de algo que vai além. Falamos da audácia do homem em criar um meio de transporte, que corta os Alpes, com vagões panorâmicos –  sendo um aberto -, que dá a sensação de se fazer parte de um contexto natural. É tudo tão perfeito que, em algumas partes por onde passamos, tive a nítida impressão de estar participando de uma das cenas do cineasta Petter Jackson, no filme O Hobbit ou Senhor do Anéis. Dava a impressão de que, de uma hora para outra, um elfo poderia sair de dentro de uma daqueles florestas, cujas árvores balançavam ao som do vento e eram acariciadas pelos raios matutinos do sol das montanhas. Eu aprendi que o melhor de uma viagem  é deixar-se andar, fantasiar e até mesmo vaguear com os pensamentos. Ah, eu faço muito isso nas minhas.

Voltando para o Trem Vermelho –  Bernina é considerado um grande avanço, no que concerne à  engenharia mecânica da época, por conta da técnica utilizada em seu desenvolvimento estrutural. Alguns, o chamam de “teatro” por onde, através de suas janelas panorâmicas, os expectadores (turistas) podem admirar o maior espetáculo de todo o sempre: a natureza pura dos Alpes. O trem é, ainda, um testemunho vivo da História, pois existe há mais de 100 anos e hoje é considerado Patrimônio Mundial da Humanidade.

O trem é conhecido, também, como o mais belo do mundo e até os japoneses já o copiaram; mas, apenas o de Bernina é considerado, no mundo, “o trem que escala montanhas”, enfrentado inclinações gigantescas e chegando a tocar o céu a 2.253 metros de altitude, o ponto mais alto já alcançado por um trem, na Europa. Ah, esse trem faz história!

Turistas fazendo trekking nos Alpes suíços - Foto: Direto da Itália (Divulgação)
Turistas fazendo trekking nos Alpes suíços – Foto: Direto da Itália (Divulgação)

Confesso que  o passeio não custa pouco e os mais variados pacotes estão disponíveis nas agências de viagens espalhadas pela Europa ou no site do Trenino de Bernina Express. O turista pode fazer paradas durante o percurso e até aproveitar para pernoitar em uma das charmosas cidades por onde passa.

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Quedas d´águas por entre os Alpes suíços – Foto: Direto da Itália

Se você gosta da natureza, o trem disponibiliza um vagão próprio para quem deseja portar uma bike para fazer passeios pelas montanhas, além de um vagão a céu aberto. E por falarmos em um vagão a céu aberto, nele, pude sentir o ar puro que vinha  das montanhas suíças. Sim, a experiência é única, mas aconselho a levar um casaquinho leve, mesmo no período do verão. Afinal, estamos falando dos Alpes suíços. Optei por fazer o passeio no verão, mas prometo fazer um no inverno. Nesse caso, nada de vagão aberto, obviamente.

O que tenho a relatar dessa experiência é que a considero única, e aconselho a quem vem à Itália vivenciá-la pois, além de diferente, é uma verdadeira terapia para quem ama a natureza.

Os interessados devem procurar uma agência de viagem – eu fiz com a Operadora Turi-Turi -,  que possa disponibilizar serviços como:  ônibus para deslocamento e um bom guia, que tornará o seu passeio bem mais agradável.

Espero que tenham gostado.

Alla prossima!

 

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