Zé do Pedal, mineiro de Viçosa, atingiu a marca dos 3.750km percorridos, a pé, empurrando uma cadeira de rodas, para mostrar os problemas da acessibilidade para os portadores de deficiências físicas no Brasil.

Depois de comemorar em Pipa (RN) a terceira parte de sua jornada rumo ao Chuí, o ativista chegou à João Pessoa, para divulgar seu projeto: “Extremas Fronteiras – Barreiras Extremas” (Cruzada pela Acessibilidade).

Sua meta é caminhar 10.700km, por 20 estados brasileiros: Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Goiás, Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Pelo caminho distribui cartilhas digitais sobre a Convenção da ONU, sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e, em parceria com o Lions Clube do Brasil e algumas ONGs, realiza palestras nas comunidades, sobre as barreiras urbanas, que impedem o livre acesso dos deficientes.

zepedal2
Meio-fio como o da foto impede livre trânsito dos portadores de deficiências físicas


De acordo com o ativista, o projeto, tem como objetivo entregar, nas Câmaras Legislativas dos Municípios a serem visitados, uma proposta de Projeto-Lei sobre Normas de Acessibilidade e outra para a criação de Conselhos Municipais dos Direitos da pessoa com Deficiência e o de conscientizar as pessoas, principalmente aquelas com poderes de decisão, a terem mais respeito com as pessoas deficientes (hoje em dia podem-se ver pessoas em cadeiras de rodas impossibilitadas de entrar em um banco ou setor público, por falta de rampas de acesso ou de elevadores).

A idéia do projeto nasceu em junho de 2008, durante a viagem rumo a Johanesburgo, quando, na passagem pela cidade de León, no “Caminho Francês”, da rota de peregrinação de Santiago de Compostela, em um dado momento escutei uma voz feminina dizendo: “No puedo” (não posso). Era uma jovem em uma cadeira de rodas tentando subir um pequeno passeio de 15 cm de altura. “Aquela cena me chocou de uma maneira tal que me fez começar a refletir sobre a situação das pessoas com necessidades especiais no meu País, onde, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2010) e do Banco Mundial, existem cerca de 45,6 milhões de pessoas com alguma forma de deficiência. Em miúdos, 23,9% da população”.

O Censo 2010 divulgou dados que merecem ser analisados com critérios técnicos pelos gestores públicos sobre as pessoas com deficiência no Brasil. Foram pesquisadas as deficiências visual, auditiva, motora e mental. Segundo o IBGE, 23,9% dos investigados ou 45,6 milhões de brasileiros afirmaram ter pelo menos uma dessas deficiências. A deficiência visual foi aquela que apresentou maior percentual (18,8%, ou 35,8 milhões de pessoas), seguida da motora (7%, ou 13,2 milhões), da auditiva (5,1%, ou 9,7 milhões) e da mental (1,4%, ou 2,6 milhões).

T3