Uma análise dos bastidores

0
Abertura da Copa do Mundo 2018 - Foto: Divulgação

por Andréa Nakane

A realização da Abertura da Copa do Mundo, assim como de todo o campeonato, é de sua proprietária, a FIFA. Portanto todo o conceito, planejamento e execução está sob sua responsabilidade.

Em 2014, as relações da mesma com o país anfitrião encontrava-se desgastada há algum tempo, apesar de toda a benevolência e cessões do governo brasileiro. O que vimos na abertura de 2014 foi uma espécie de “vingança” da FIFA pela situação, afinal, nada mais dolorido que mexer com a alma festiva de uma nação reconhecida pelo seu espírito de celebração pleno.

Hoje, 4 anos depois, com uma relação bem diferente com o país anfitrião, com muitos escândalos de ambas as partes, a abertura da Copa do Mundo, na Rússia, nada comprometeu a nação e foi correta! Nada que pudesse macular a imagem do país sede.

Afinal é melhor ter um Putin como aliado que como inimigo. É ciente mundialmente que o país vive uma fachada de democracia, ainda muito frágil e tem no poder autoritário, força reconhecida e que todos temem.

Para muitos a presença do Ronaldo, o maior artilheiro brasileiro em Mundiais , foi uma espécie de bandeira branca da FIFA com o Brasil, afinal a entidade sabe que a Copa do Brasil é uma passagem que a maioria dos brasileiros gostaria de apagar da memória, não só pela estapafúrdia e no sense abertura, mas, sobretudo pelo placar de 7 x 1. Tentaram resgatar a estima com o povo, que muito ajudou a fazer da Copa passada um sucesso estrondoso, de público, de animação e de muito dinheiro… para os cofres suíços, onde é a sede da entidade.

Robin Williams é um cantor britânico que entende muito de show business, vive disso, mas sua atitude obscena de mostrar o dedo do meio para uma câmera televisiva foi algo deselegante e completamente desproposital. Bola Fora.

A participação da soprano russa Aida Garifullina elevou o nível da festividade, alinhada com a cultura do país anfitrião, referenciado pela arte clássica. Impossível não lembrar do figurino da cantora brasileira ao ver majestosamente Aida em um vestido de alta costura branco… porém com um clássico tênis despojado. Golaço!

A utilização de crianças no contexto da narrativa, sempre empolga e foi o que vimos com o menino protagonista do vídeo da abertura, que brincou com a estrela símbolo da competição, a bola, fazendo com que a mesma fosse parar em uma estação espacial, ressaltando um dos maiores orgulhos do país-sede. Gol de Placa!

Ah… não tiveram vaias… algo muito diferente de 2014! O presidente anfitrião, usou da palavra conforme o cerimonial, retomando uma tradição quebrada pela então presidente da república do Brasil, Dilma Rousseff, que manteve-se figurativa sem abrir a boca… e nesse caso até respiramos aliviados, pois sabemos que a oratória não é o forte de sua figura!

Como cenário diplomático, a Copa da Rússia parece não ter empolgado tanto… Apenas 15 chefes de Estado ou de governo foram anunciados pela FIFA, como presentes, e o nome mais emblemático politicamente é o do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman. Escanteio!

Autoridades de envergadura secundária, entre eles, diversos representantes de ex-repúblicas soviéticas, um alto membro do governo do ditador Kim Jong-un (Coreia do Norte) e dois presidentes sul-americanos, Evo Morales (Bolívia) e Mário Abdo Benítez (Paraguai) completam a lista pouco expressiva. Bola Fora!

Mas em 2014 não foi diferente, iniciou-se com mais de 30 nomes de figuras públicas e acabamos com menos de uma dezena, em nível até inferior a comitiva presente na Rússia.

Todo esse cenário é uma demonstração de pouco prestígio da própria entidade promotora do evento, envolta em casos de corrupção e desonestidade. O atual presidente da entidade, Gianni Infantino, em seu discurso buscou demonstrar contentamento, mas mesmo tentando não conseguiu convencer o público… certamente tem um desafio árduo de recuperar a reputação da FIFA e o mesmo começa com o sucesso da edição de 2018. Vamos acompanhar!

Ah! Palmas para uma das bailarinas que acompanharam Robin Williams, que mesmo com sua vestimenta rasgada no bumbum não parou de dançar, demonstrando que o Show não pode parar… independente das circunstâncias!

Bola rolando e que ao final, o vitorioso seja o time que consiga unificar talentos em prol de um coletivo, afinal são 11 jogadores, mais os reservas, e não um só… quem tiver time de verdade entra com vantagem!

 

*Andréa Nakane – É doutoranda em comunicação social e sócia-diretora da empresa Mestres da Hospitalidade cujo expertise é em inteligência estrategista em eventos corporativos, Cerimonial e Protocolo e capacitação do talento humano na área da Hospitalidade. É autora de diversos capítulos e livros na área de turismo e eventos. Tem formação multidisciplinar, com 24 anos de experiência profissional acumulada em vivências nas áreas de hotelaria, turismo, indústria, cerimonial e educação.

 

*O conteúdo desta matéria é de propriedade intelectual do (a) autor (a), e não reflete, necessariamente, a opinião do O Concierge.
*Esta plataforma destina-se ao debate sobre o conteúdo publicado apenas para fins informativos e de entretenimento.
*O usuário é o único responsável pelo que escreve em seu comentário, de modo que responderá integralmente por qualquer ofensa a direitos de terceiros que seu comentário possa causar.