Sônia Randon da Adorável Criatura em seu Stand no TechCrunch Disrupt.jp

São Francisco – Nessa semana aconteceu em São Francisco, na Califórnia, o TechCrunch Disrupt, um evento anual apresentado pelo blog de tecnologia TechCrunch, um dos mais acessado do mundo. Uma excelente oportunidade para startups apresentarem seus produtos e serviços para investidores, empreendedores, formadores de opinião e Jornalistas. A cada ano cresce a presença de brasileiros no evento, em 2015, 29 empresas levaram as suas ideias para o Vale do Silício, o maior mercado de empresas de tecnologia do mundo.

Mesmo depois do evento, empreendedores brasileiros continuam aqui na Califórnia por mais alguns dias para participar de palestras, visitar empresas de tecnologia e fazer networking. Alguns deles relataram suas experiências e revelam um pouco sobre o que os investidores estão dizendo no nosso país.

O Sebrae foi muito importante para todas essas empresas, o programa chamado Missão TechCrunch e selecionam anualmente startups para participarem do TechCrunch Disrupt. Eles apoiam pagando 90% da participação na feira.

Adorável Criatura

Criado pela carioca Sônia Rondon, a empresa é uma plataforma online que oferece um espaço colaborativo para troca de experiências entre pet lovers sobre saúde, comportamento, produtos e serviços.

A ideia é que o pet lover possa tomar decisões mais práticas e econômicas sobre o que precisa comprar ou adquirir, podendo ser desde um hotel pet friendly até um veterinário, adestrador ou até mesmo uma caminha ideal para seu gato. A partir dos perfis destes produtos e serviços, você encontra recomendações de outros pet lovers, o que torna tudo muito mais confiável e transparente, pois é feito realmente por quem entende e vive a experiência. Por um outro lado têm as empresas do segmento, que podem criar seus perfis e conquistar novos seguidores a partir das recomendações adquiridas por seus clientes atuais.

A identificação do problema apareceu quando a fundadora necessitava de informações sobre shampoo para a sua cadela, que é alérgica com a maioria das marcas de higiene, e identificou que o acesso a essas informações é muito escasso e, quando encontrava o produto, não sabia se realmente funcionava pois sentia falta de opiniões de quem realmente já tinha usado o mesmo. A plataforma proporciona ao consumidor fazer uma análise sobre o custo e benefício de produtos e serviços.

É a primeira vez que a Sônia participou do evento, e diz que foi uma experiência única “A troca de ideias e de experiência é fantástica, você não para de falar sobre business em nenhum momento, o que enriquece muito seu argumento de proposta de valor do negócio.” A empresária teve muitos feedbacks positivos que validaram sua ideia e conheceu várias soluções para complementar o seu negócio. Ela completa dizendo que os investidores estão com receio de investir no Brasil, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer com o país nos próximos messes ou anos, entretanto, a alta do dólar em relação ao real deixa os investimentos mais baratos para os estrangeiros, o que acaba sendo uma vantagem.

“Hoje vamos para a Plug & Play, uma empresa que investe em startups. A Google e o Paypal começaram aqui.” Sônia finaliza dizendo que no Vale do Silício as pessoas respiram empreendedorismo, ninguém tem medo de compartilhar suas fraquezas e forças, o que torna tudo muito acessível e colaborativo. “No Brasil as pessoas ainda não entendem muito o que são startups e você acaba tendo dificuldade de troca e de conseguir parceiros.”

Thiago Araujo e Rafael Chaves no Stand da Biz.u no TechCrunch Disrupt
Thiago Araujo e Rafael Chaves no Stand da Biz.u no TechCrunch Disrupt

Biz.u

A Biz.u é uma plataforma de recrutamento baseada em personalidade ao invés de currículo. Eles conseguem fazer o best fit entre traços de personalidade, culturas organizacionais e perfil da vaga. Assim, o processo de recrutamento é otimizado e levamos quase a zero o custo de não chamar o candidato com o perfil certo para uma entrevista, simplesmente porque outras pessoas tinham um currículo técnico melhor.

Participar do evento foi incrível para o Rafael Chaves, sócio Biz.u, “São Francisco é uma cidade que respira tecnologia e startup, então foi uma oportunidade de entrar em contato com outros empreendedores que estão criando produtos incríveis, investidores e potenciais clientes globais.”

Rafael trabalhou 11 anos com mercado financeiro antes de se aventurar no empreendedorismo e faz uma análise mais detalhada sobre os investidores no evento. São poucos os empresários que estão olhando para mercados emergentes, mas os que estão, têm bastante interesse e gostam muito do mercado brasileiro. Por serem investidores no Vale do Silício, eles buscam empresas que já tem alguma tração acontecendo aqui nos EUA, portanto empresas em um estado maior de maturidade. Chaves completa dizendo que “apesar deles não gostarem de entrar em cenários macroeconômicos voláteis, como o que vivemos agora, eles acreditam que é uma boa oportunidade para se investir em mão-de-obra barata e qualificada para se lançar produtos nos EUA. Os estrangeiros adoram nosso país, não há nenhuma restrição de investir um startups brasileiras, o que importa é o negócio, e não a nacionalidade.”

Depois dessas experiências a empresa abriu muito seus horizontes: “As possibilidades se abriram. Estamos mais do que animados para expandir globalmente no médio prazo. Sentimos que agora temos todo o ferramental para levar nossa empresa para uma outra categoria. Nos EUA você tem acesso a tudo o que você precisa como empreendedor. As coisas acontecem 10x mais rápido do que no Brasil. Em 4 dias, fizemos contatos que nos levaria uns 3 ou 4 meses para conseguir no Brasil. Por outro lado, é na dificuldade que crescemos. Estar lançando nossa operação no Brasil, sem dúvida, nos deixou muito mais maduros para agora entrarmos no mercado norte-americano.”

Tatiana Rihan no seu Stand da Marca em Casa no TechCrunch Disrupt
Tatiana Rihan no seu Stand da Marca em Casa no TechCrunch Disrupt

Marca em Casa (Brand in hands)

O objetivo da startup é desenvolver pesquisa de mercado e gerar experimentação de produtos e serviços. Os usuários (pessoas interessadas em experimentar e testar os produtos ou serviços das marcas) se cadastram no site e respondem uma pesquisa sobre o mercado que a empresa faz parte. Após esta etapa os escolhidos recebem em casa um kit com produtos e brindes da marca para experimentarem e darem o feedback.

Depois do TechCrunch, a fundadora do projeto, Tatiana Rihan, pensa em estabelecer uma base no Vale do Silício e diz que: “O mercado de marketing e pesquisa aqui é muito bom e ainda tem espaço, especialmente para a minha empresa que trabalha com pesquisa de uma forma inovadora.” Rihan recebeu visitas de pessoas do mundo todo, como empreendedores, CEOs, investidores e curiosos. Ela diz que absorveu muitas informações com os workshops, treinamentos de Pitch e networking em happy hours. Também ouviu de alguns investidores que “não é uma boa hora para investir no Brasil”, mesmo assim se manteve otimista.

Tatiana viu muita coisa bacana dos outros expositores, o que mais chamou sua atenção foram as empresas relacionadas com a realidade virtual e saúde “São todas bem disruptivas e resolvem problemas identificados no mercado.”

YourKout
YourKout

YourKout

A Yourkout é uma plataforma que conecta alunos e Personal Trainers de maneira prática e interativa. O fundador da empresa, Marcos Bortolato já tinha visitado o evento ano passado, ele acredita que é uma oportunidade única de entender como funciona a cultura empreendedora do Vale e fazer contato com pessoas que possam ajudar de alguma forma. Ele já está familiarizado com os Happy hours em empresas da área de tecnologia, encontros com fundos de investimento, visitas a aceleradoras e empresas na Califórnia. Marcos ficou muito atento nas novidades, às empresas de realidade virtual também chamaram a sua atenção.

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Bortolato diz que os estrangeiros ainda conhecem muito pouco sobre o Brasil, já os investidores, ele vê dois lados “Alguns que estão super assustados com o Brasil e não vão investir enquanto o cenário econômico e político não se estabilizar. Outros estão vendo no dólar alto uma grande oportunidade de investir em empresas brasileiras agora.”

No Vale existe um ambiente menos burocrático e com maior oferta de capital de risco. No Brasil é muito mais burocrático, tem menos oferta de capital, mas, a concorrência é bem menor e menos qualificada também. O empreendedor finaliza dizendo que mudanças estruturais no Brasil resultariam em um ambiente mais favorável as startups e isso poderia salvar a economia. “É fundamental se reduzir a burocracia com urgência para termos um país mais competitivo.”

CT8 Comunicação
Fotos: Divulgação