“Rio de Janeiro, apesar de tudo e de muitos… continua Lindo!”

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A cada ano, independente de suas mazelas, o Rio de Janeiro prolifera modismo Brasil à fora e à dentro também... - Foto: DT / Divulgação

“Os abraços foram feitos para expressar o que as palavras deixam a desejar.” Anne Frank

por Andrea Nakane*

Sem dúvida alguma a escolha do tema abraço para celebrar o início do ano no Rio de Janeiro tem uma simbologia muito além da valorização de suas peculiaridades cantadas em verso e prosa pela canção de Gilberto Gil, intitulada de Aquele Abraço.

A situação econômica, política e social do Rio de Janeiro comove a todos que sempre enxergaram seu território como um verdadeiro oásis, com passagens memoráveis e de grande repercussão no cenário nacional desde a época colonial.

O carioca que sempre teve orgulho de sua malemolência e sempre expressou sua vaidade pelas incontáveis belezas de sua abençoada natureza, hoje, está mais cabisbaixo, mas continua recebendo todos, sem exceção, de braços abertos.

É verdade que o número de turistas estrangeiros diminuiu bem… se não há pesquisas divulgadas sobre isso, basta caminhar pelos famosos atrativos turísticos, que será possível perceber que a torre de babel idiomática diminui drasticamente. É notório, que os turistas lá de fora estão evitando ou escolhendo outros destinos com menos problemas que os nossos.

Os turistas nacionais continuam com todo vigor, muitos pela primeira vez, realizando o sonho de conhecer a cidade maravilhosa e sua fama de purgatório da beleza e do caos, como diria Fernandinha Abreu.

Até mesmo a estação do ano, que mais tem a cara do Rio de Janeiro, o Verão, esse ano, está diferente. Muita nebulosidade, chuvas e o sol, guerreiro, luta para avançar a cada dia, para iluminar os territórios mais amados por cariocas e turistas, as praias, as famosas, com garotas e garotos de Ipanema e não tão famosas, como a da Macumba, verdadeiro paraíso, ainda pouco disputado.

A cada ano, independente de suas mazelas, o Rio de Janeiro prolifera modismo Brasil à fora e à dentro também…

Esse ano, o vídeo clipe tão polêmico e vulgar da cantora, Anitta, elevada meteoricamente como a nova pop star mundial, filmado no Vidigal, ganhou o mundo e com ele o seu hit-chiclete, Vai, Malandra.

Trouxe consigo algo que há muito ganhou as lajes suburbanas, o biquíni de fita isolante, para deixar marquinhas no corpo, que evidenciam a sensualidade das mulheres, bronzeadas com muito urucum, que voltou com corda total, para desespero dos dermatologistas.

Além disso, está promovendo um calendário de eventos, de Janeiro a Janeiro, para aumentar a autoestima da população e também para intensificar o fluxo turístico, por meio de produções de grandes espetáculos, com muita diversidade e exaltação ao melhor da cultura local e internacional.

Novas modas

Ainda é cedo para disser se esse projeto irá bombar, o primeiro, logo, após o Réveillon, apesar da produção impecável, acabou sofrendo com a chuva e ficou abaixo da estimativa inicial.

A dupla mais que perfeita, Biscoito Globo e o chá Mate Leão, continuam seu reinado, já demonstrando ser vitalício. Mas o Gim é a bebida da estação, estando agora até mesmo nas cartas dos famosos botequins espalhados por toda a cidade, enaltecendo simplicidade e fartura nas doses e porções.

Ah, essas porções continuam saborosas e nada nutricionalmente corretas, com destaque para o bolinho de aipim com camarão, as tradicionais coxinhas de galinha e mesmo com o suadouro que dá, sorver um caldinho de feijão, antes de cair com tudo em uma completa Feijoada, tendo ao entorno uma autêntica roda de samba… uh… nos remete ao Olimpo estando no Rio de Janeiro! Ah… e nessa constelação de sabores, foi concedido passe para a abobrinha e berinjela, ingredientes que caíram no gosto das figuras fitness e nem das tão fitness que descobriram seus poderes saudáveis.

E cá eu estou de novo, em rápida visita, podendo comer pizza com ketchup, sem ninguém me olhar atravessado

Na moda, a tribo praiana escolheu a bolsa de palha como acessório hyper. Modelos menores, ovalados e até mesmo tingidos sem química são sensações que saem da praia para o cinema e para o teatro, demonstrando sua versatilidade, afinal, estamos no Rio de Janeiro e essa pegada naturalmente despojada é total demonstração do “carioca way of life”

E o Carnaval? Com seu prefeito doente do pé e para muitos da cabeça também, terá como desafio buscar novas formas de financiamento. Uma visita aos barracões já sinaliza uma ostentação pobre, ou seja, trabalhar fingindo ser algo, mas que na verdade não é. Malandramente como bom carioca, as agremiações já alinharam o discurso e em época de consciência ecológica, teremos uma das mais sustentáveis edições de momo da história fluminense. Conhecedores da capacidade dos gestores da criatividade das agremiações, sabemos que não teremos decepções.

Afinal como prega uma das mais amadas e admiradas escolas de samba, a Acadêmicos do Salgueiro, o Rio de Janeiro, não é melhor, nem pior, apenas um destino diferente… que quem o conhece não o esquece jamais, apesar dos pesares.

E cá eu estou de novo, em rápida visita, podendo comer pizza com ketchup, sem ninguém me olhar atravessado, demonstrando todo o meu amor pela cidade, que carrego no coração, na alma e na carteira de identidade, torcendo para que em 2018, o RJ, assim como o mito de Fênix, renasça das cinzas e continue nos proporcionando momentos e prazeres incomparáveis, afinal o Rio de Janeiro, continua Lindo, apesar de tudo e de muitos… e para ele deixo meu terno Abraço!

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*Andrea Nakane – É doutoranda em comunicação social e sócia-diretora da empresa Mestres da Hospitalidade cujo expertise é em inteligência estrategista em eventos corporativos, Cerimonial e Protocolo e capacitação do talento humano na área da Hospitalidade. É autora de diversos capítulos e livros na área de turismo e eventos. Tem formação multidisciplinar, com 24 anos de experiência profissional acumulada em vivências nas áreas de hotelaria, turismo, indústria, cerimonial e educação.

 

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