Desde o início do mês, nas mais diversas cidades brasileiras, é tempo das tradicionais festas juninas. Sob a benção dos santos católicos, os foliões homenageiam Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24) e São Pedro (dia 29) com muito forró, quadrilha, comidas típicas, fogos de artifício, balões, fogueiras e bandeirinhas.
Nesta sexta-feira, o dia é de São João – o santo festeiro – e a tradição de suas festas é forte, principalmente no Nordeste brasileiro. Milhares de pessoas circulam pelos grandes parques de exposição, que transformam cidades em polos férteis para a disseminação de uma das mais autênticas manifestações culturais do Brasil.
Segundo historiadores, as festas juninas foram incorporadas às tradições brasileiras, principalmente, à caipira, a partir de elementos de diversas culturas e etnias, como a católica, negra, indígena e europeia.
Dentre a diversidade de festas juninas realizadas por todo o País, duas se destacam pela magnitude com que recebem os visitantes. O título de maior São João do Mundo é disputado, ano a ano, pelas festas de Caruaru, em Pernambuco, e de Campina Grande, na Paraíba. Este ano, os festejos receberam a visita do ministro da Cultura, Marcelo Calero, em sua primeira viagem frente à Pasta fora do eixo Rio – São Paulo.
Campina Grande
Em Campina Grande, a Associação de Quadrilhas Juninas da cidade apresenta, pela primeira vez durante o São João, o projeto Quadrilhando. Lançado em setembro de 2015, o projeto é realizado no primeiro sábado de cada mês, com objetivo de mostrar, durante todo o ano, a produção cultural relacionada às festas juninas. Além das apresentações das 12 quadrilhas associadas, o Quadrilhando, que envolve cerca de 5 mil pessoas, direta e indiretamente, na produção, conta também com decoração junina e barracas de comidas típicas, entre outros. A cada sábado, cerca de 500 pessoas acompanham o projeto, realizado no Serviço Social da Indústria (Sesi) do bairro Catolé.
“Em parceria com o Sesi e o Sebrae, criamos nosso próprio polo turístico com o objetivo de proporcionar aos visitantes a experiência do São João durante todo o ano. É o reconhecimento do trabalho de uma vida inteira, da produção local. Aqui tudo é realizado por nós, os quadrilheiros, num trabalho de valorização da economia criativa e associativa, o que reflete nossas tradições”, explicou, emocionado, o presidente da associação, Lima Filho.
O movimento colorido e os pequenos detalhes nos vestidos das integrantes da quadrilha Cambebas – um dos grupos associados – encanta os visitantes do Quadrilhando. O efeito do figurino estilizado na coreografia é fundamental para dar vida ao enredo e completa a atuação dos quadrilheiros. Responsável pelas roupas da quadrilha, Edileuza de Almeida Silva explica que produção do figurino de São João demora cerca de quatro meses e começa logo após o carnaval. “Os vestidos são feitos sob medida para o corpo de cada quadrilheira. São uma obra de arte e chegam a custar R$ 500. Não é caro pelo tecido, mas pela mão de obra e pelo tempo que é investido na sua produção”, explica a costureira, que há 18 anos confecciona vestidos de quadrilha.
Para a venda nos estandes do espaço Quadrilhando, Edileuza costura modelos mais “simples” com os típicos tecidos quadriculados com rendas e com chita, os quais conquistam os visitantes. “É uma grande oportunidade de mostrarmos o nosso trabalho para fora do estado e até do Brasil. Os turistas adoram as roupas típicas, o que é um grande reconhecimento da nossa cultura, torna o nosso empenho gratificante”.
Caruaru
Em Caruaru, todas as bandeirinhas penduradas em ruas, praças, avenidas e polos de animação são confeccionadas pelas mãos de uma equipe de 11 pessoas, coordenadas por Ivete Cairo, de 74 anos, que há mais de 30 anos ajuda a colorir a cidade para os festejos juninos. Nas primeiras festas, as bandeirinhas eram estampadas com imagens dos santos, para serem adorados durante o festejo. Com o passar do tempo, perderam as imagens e passaram a ser usadas mais de forma decorativa.
O balão é outro elemento essencial para os festejos. Segundo a tradição, é o portador dos desejos encaminhados a São João, assim como dos agradecimentos pelas graças atendidas. No pátio de eventos da cidade, batizado com o nome do cantor e compositor Luiz Gonzaga, é construído anualmente um balão de 25 metros, iluminado com luzes de led e estrutura de tubos de ferro.
Há 12 anos, a montagem do balão é de responsabilidade do caruaruense Beethouven Pereira da Silva, que acompanha a tradição local desde criança e se orgulha de ter a experiência de montar um dos elementos mais icônicos das comemorações. “O balão é como um portal do São João, ele pode ser visto a distância, sinalizando ali o espaço dos festejos. Além de ser uma atração turística, por si só”, conta ele, que começa os trabalhos cerca de 30 dias antes da abertura da festa junina.
Impacto na economia
O São João também é uma oportunidade para o fortalecimento da economia da cultura local. O grande potencial turístico e cultural das festas de São João reflete-se no incremento dos recursos que circulam na região.
No espaço Quadrilhando, em Campina Grande, além das apresentações das quadrilhas, ainda há barraquinhas de comercialização de comidas típicas, artesanato e roupas e sapatos das quadrilhas. Todo comércio acontece com o dinheiro próprio do projeto, o “Matuto”. Lima Filho explica a importância da moeda única para que os lucros sejam distribuídos igualmente entre todos os quadrilheiros, independentemente do produto vendido. “Assim que o visitante chega ao Quadrilhando, ele passa no nosso banco central para a troca do câmbio”, explica ele, que aplica 10% dos lucros para a manutenção da associação.
Para além do projeto, o comércio campinense é um dos setores que mais lucra com a realização da festa de São João. A previsão é de injeção de aproximadamente R$ 200 milhões na economia da cidade, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Em 2015, cerca de 35 mil pessoas se hospedaram na cidade para as festas e 110 mil pessoas passaram a noite em Campina Grande, preferencialmente no Parque do Povo, e voltaram de madrugada para suas cidades. Para este ano, de 3 de junho a 3 de julho, a previsão de visitantes é ainda maior.
Em Caruaru, a previsão é que a Festa de São João movimente cerca de R$ 300 milhões, com foco principalmente nos segmentos hoteleiro e de alimentação. De acordo com a prefeitura municipal, mesmo com o momento de crise enfrentado pelo País, a circulação financeira gerada pela cultura local durante o São João está superando as expectativas. Os setes polos de animação (Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, Forró do Candeeiro, Mestre Vitalino, Repente, Polo das Quadrilhas, Polo Azulão e Polo do Alto do Moura) receberão 400 apresentações artísticas e culturais de 4 de junho a 29 de junho, com circulação de cerca de 2 milhões de pessoas.

Ascom MinC

Foto e Vídeo: Divulgação