Prefeito do Rio recebe críticas da ABIH-RJ e da Abav-RJ sobre cortes do Carnaval de 2018

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Império Serrano 2017 - Foto: Liesa / Divulgação

Pedro Menezes

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, não voltará atrás com relação ao corte de 50% da verba concedida às escolas de samba do Grupo Especial, a partir de 2018. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (19) pelo próprio prefeito da cidade, o que coloca em xeque os clássicos desfiles na segunda e terça-feira de Carnaval.

Segundo a Riotur, o Carnaval deste ano gerou R$ 3 bilhões em receita para a cidade, um retorno imensamente superior aos R$ 55 milhões investidos pela Prefeitura, sem mencionar a geração de empregos e a arrecadação de impostos. O corte é considerado um golpe baixo para o turismo do RJ, visto que toda a movimentação de viajantes nacionais e estrangeiros para acompanhar uma dos eventos culturais mais intensos do planeta está ameaçada.

Cristina Fritsch, presidente da Abav-RJ, e Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ - Imagem: Divulgação
Cristina Fritsch, presidente da Abav-RJ, e Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ – Imagem: Divulgação

Isto faria a cidade perder bilhões em alimentação, compras e serviços. Na época das eleições, o próprio Marcelo Crivella, durante um dos debates em canal aberto, tinha prometido que iria manter o atual investimento. Agora, que tudo mudou, os presidentes da ABIH-RJ, Alfredo Lopes, e da Abav-RJ, Cristina Fristch, resolveram se pronunciar.
Em nota enviada ao M&E, Alfredo Lopes classifica este corte como uma tragédia para a receita do turismo carioca.

“O Carnaval é a data mais importante para o Turismo carioca, não somente pelo grande incremento na ocupação hoteleira, mas também pelo tempo médio de permanência de até 4 dias dos turistas que nos visitam. Já estivemos em reunião com a Riotur e ainda esta semana estaremos com a Liesa, mas não trabalhamos com o cenário de cancelamento dos desfiles. Isto seria uma tragédia para a receita do turismo carioca”, disse o presidente, que admite certa possibilidade de criar fontes de recursos para ajudar as escolas de samba.

Por sua vez, Cristina Fritsch questionou se a atitude do prefeito está ligada à intolerância religiosa. “Como se não bastasse o prefeito não ter comparecido à entrega das chaves da cidade para o Rei Momo neste Carnaval, uma cerimônia tradicional e não se trata de gostar ou não de Carnaval, agora decide cortar em 50% a verba destinada às escolas de samba, que são as grandes responsáveis pelo Carnaval. Fica a dúvida se a motivação é por convicções religiosas ou se ele desconhece a receita que este evento gera para a cidade”, ressaltou.

A dirigente acrescenta ainda que essa medida está gerando um enorme prejuízo para o turismo e para a Cidade, pois é neste período que empresas programam as suas ações de incentivo e marketing para o Carnaval seguinte. “Com toda esta indefinição está tudo parado e as nossas agências não estão conseguindo fechar os seus grupos para o carnaval de 2018. Eventos de grande porte são fechados com grande antecedência”, frisou a presidente.

M&E