Planos de segurança mais amplos e eficientes

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Festival de música country, Route 91 Harvest - Imagem: David Becker/Getty Images / Divulgação

por Andrea Nakane

Cada vez mais os eventos tornam-se alvos de manifestações violentas com o intuito de promover o terror, seja em função de ideologias religiosas, políticas ou até mesmo de caráter pessoal, em virtude de distúrbios psicológicos.

E dessa vez, o ataque ocorreu na cidade turística de Las Vegas, Nevada, Estados Unidos, sendo palco para uma tragédia com o óbito de 50 pessoas (segundo os dados oficiais até o momento) e mais de 200 feridos, que foram alvejados por uma pessoa, enquanto participavam de um Festival de música country, Route 91 Harvest, que reunia cerca de 40 mil pessoas.

Segundo a polícia, o atirador fez os disparos da janela do 32º andar do hotel Mandalay Bay, em frente ao espaço onde ocorria o evento, no momento que o cantor de country, Jason Aldean, fazia seu show no encerramento do festival.

A polícia descreveu o suspeito como um morador de Las Vegas, que agiu sozinho e que não se acredita estar conectado a nenhum grupo militante, disse a autoridade de polícia da região Clark, Joseph Lombardo, a repórteres.

Denomina-se “lobo solitário” uma pessoa que age sozinha, no momento e no local que julgar conveniente. Seu surgimento, na história, deu-se no final do século XIX, quando indivíduos simpatizantes dos anarquistas, por conta e risco próprios, tomavam a iniciativa de planejar e executar atentados. Ao longo do século XX, surgiram outros “combatentes solitários”.

No âmbito desse tipo de terror, há dois grandes grupos: o grupo formado por aqueles que não se vinculam a nenhuma entidade, nem recebem instruções de ninguém ou devem obediência a alguém, e o grupo daqueles que igualmente agem sozinhos, não recebem orientação, nem são necessariamente filiados a uma organização, mas com ela se simpatizam e por ela se sacrificam, ainda que isso não lhes tenha sido exigido.

Mais difíceis de serem previstos ou rastreados pelas forças de segurança, esses atos individuais são relativamente simples e podem ser executados a qualquer momento. Não são ações coordenadas ou sob as ordens de terceiros, mas uma autêntica iniciativa de algum simpatizante de uma causa ou até mesmo em função de distúrbios mentais.

Essa situação é que atualmente requer a atenção e ações dos organizadores de eventos de entretenimento ao vivo, já que seu trabalho oferece condições que atraem a motivação de lunáticos, pois aglomeram muitas pessoas em um único ambiente, com seu senso de tranquilidade mais ativado, pois estão ali em busca de diversão e lazer e tendem a não ficar tão ligados ao ambiente e suas possíveis periculosidades.

No caso específico desse massacre, já considerado o maior de massa nos Estados Unidos, a área demarcada para o evento continha diversas contingências de apoio à segurança dos participantes do evento, porém em um plano maior, não considerou a questão da vizinhança, as edificações aos arredores e seus fluxos constantes de pessoas, o que sem dúvida alguma entra em uma nova perspectiva futura de análises preventivas.

Porém, o que mais aparece como fragilidade intensa é a falta de comunicação.

Pelas imagens transmitidas por diversas mídias sociais e veículos de comunicação, não existiu a transmissão de coordenadas sobre o que fazer em um momento de pânico, demonstrando a multidão em estado de pânico geral, com razão, correndo para todos os lados, na tentativa de esquivar-se das diversas rajadas de balas.

Por mais difícil que seja a situação, uma equipe de segurança em eventos deve ter em seus planos de contingências, o gerenciamento de crise, como essa, no qual a comunicação é primordial, sobretudo no momento da ocorrência.

Em muitas ocasiões, quando trabalhamos planos de segurança em eventos, muitos clientes nos taxam como neuróticos ou até mesmo como perdulários, garantindo valores elevados para a execução dos mesmos.

Com a tragédia do Festival de Route 91 Harvest fica notório que cada vez mais a segurança em eventos deve tomar seu lugar de prioridade no planejamento e não pode jamais ser considerada supérflua ou foco de savings.

Os lobos solitários não irão se extinguir e a união preventiva deve ser a tônica dessa nova ordem global da segurança em eventos. Sem exceção nenhuma!

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Andrea Nakane – É doutoranda em comunicação social e sócia-diretora da empresa Mestres da Hospitalidade cujo expertise é em inteligência estrategista em eventos corporativos, Cerimonial e Protocolo e capacitação do talento humano na área da Hospitalidade. É autora de diversos capítulos e livros na área de turismo e eventos. Tem formação multidisciplinar, com 24 anos de experiência profissional acumulada em vivências nas áreas de hotelaria, turismo, indústria, cerimonial e educação.

 

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