Primeiro longa-metragem de Camilo Cavalcante (de curtas premiados como O Velho, o Mar e o Lago), A História da Eternidade foi o grande vencedor da 6ª edição do Paulínia Film Festival (SP).

Foram cinco categorias com oito prêmios para a produção pernambucana na cerimônia realizada no último domingo, no Theatro Municipal Paulo Gracindo. O filme recebeu a Menina de Ouro de Melhor Filme, Diretor, Ator (para Irandhir Santos) e Atriz, que foi dividido pelas três protagonistas: Debora Ingrid e as paraibanas Marcélia Cartaxo e Zezita Matos, além do PRÊMIO especial do Júri da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

O filme acompanha um artista epilético (Irandhir) que ajuda sua sobrinha (Ingrid) a ver o mar pela primeira vez, uma viúva (Cartaxo) que começa a abrir seu coração para o cego do vilarejo e uma avó (Matos) que recebe a visita do neto, cujo regresso se deu em virtude da fuga de um passado turbulento em São Paulo.

Para viver uma das histórias de amor em um pequeno vilarejo do sertão nordestino, a cearense Debora Ingrid foi selecionada através de testes em várias cidades. Já as paraibanas tiveram a predileção do diretor. “Ele falou aqui em Paulínia que escreveu pensando em mim”, conta Zezita Matos. “Camilo queria muito que eu fizesse esse filme”, relembra Marcélia, que não pôde comparecer ao evento.

Por pouco A História da Eternidade não participou da mostra paulista. O filme entrou no último momento, substituindo um documentário de Paulo Henrique sobre a cantora e compositora Cássia Eller que não ficou pronto a tempo.

Zezita, que traz na sua bagagem os dois prêmios Menina de Ouro, somente teve oportunidade de assistir ao longa pronto no Paulínia Film Festival. “Foi tudo lindo. O público se identificou demais com o filme, que é muito visceral. Ele foi aplaudido três vezes na exibição”, frisa a atriz.

“É uma história muito sofrida e forte”, analisa Marcélia Cartaxo. “É uma história de mulheres nordestinas. Eu fui buscar sentimentos e verdades na vivência dessa história”.

A História da Eternidade consagra também o cinema de Pernambuco. É o segundo filme do Estado vizinho consecutivo a vencer como Melhor Filme em Paulínia. Febre do Rato, de Cláudio Assis, ganhou em 2011, quando o festival foi interrompido. Aliás, o pernambucano Irandhir Costa vai colecionando prêmios no evento. Além deste, o ator venceu em 2009 pelo papel em Olhos Azuis, de José Joffily, e como o protagonista de Febre do Rato.

Uma das sequências do filme de Camilo Cavalcante apontadas por Zezita Matos em que foi ovacionada pelo público de Paulínia foi em que Irandhir interpreta ‘Fala’, música do Secos e Molhados.

CONFIRA A LISTA COMPLETA DA PREMIAÇÃO:

LONGA-METRAGEM
Filme: A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante
Melhor Direção: Camilo Cavalcante, por A História da Eternidade
Ator: Irandhir Santos, por A História da Eternidade
Atriz: Márcelia Cartaxo, Zezita Matos e Debora Ingrid, por A História da Eternidade
Ator coadjuvante: Marcelo Novaes, por Casa Grande
Atriz coadjuvante: Clarissa Pinheiro, por Casa Grande
Roteiro: Fellipe Barbosa e Karen Sztajnberg, por Casa Grande
FOTOGRAFIA: Mauro Pinheiro Júnior, por Sangue Azul
Montagem: Eva Randolph, por Aprendi a Jogar com Você
Som: Thiago Bello, por Castanha
Direção de arte: Claurio Amaral Peixoto, por Boa Sorte
Trilha Sonora: Juliana Rojas, Marco Dutra e Ramiro Murilo, por Sinfonia da Necrópole
Figurino : Juliana Prysthon, por Sangue Azul
Especial Júri: Felipe Barbosa, por Casa Grande

CURTA-METRAGEM
Filme: O Clube, de Allan Ribeiro
Direção: Allan Ribeiro, por O Clube
Roteiro: Carolina Markowicz e Fernanda Salloum, por Edifício Tatuapé Mahal
Especial Júri: O Bom Compartamento, de Eva Randolph

Prêmio do Público
Longa-metragem: Boa Sorte, de Carolina Jabor
Curta-metragem : O Clube, de Allan Ribeiro
JÚRI ABRACCINE – Associação Brasileira de Críticos de Cinema
Longa-metragem: A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante
Curta-metragem: O Clube, de Allan Ribeiro

 

Audaci Junior

Jornal da Paraíba