Dono de traços inconfundíveis, podemos dizer que Clóvis Júnior Clóvis abriu uma janela da realidade nordestina para o mundo, dentro de sua perspectiva única. Guarabira se orgulha de seu filho, um garoto prodígio que mostrou pela primeira vez o seu trabalho como artista plástico em 1983, aos 18 anos.

O Concierge conversa com esse artista que tem  no currículo exposições e prêmios ao redor do mundo, como o 1° Lugar no Concurso Nacional de Cartazes Contra as Drogas, promovido pela ONU, em 1993, e faz das  pinturas, esculturas e gravuras o seu objetivo, melhor dizendo, faz o que ama, para viver.

IMG_2973OC: Como começou o seu interesse pelas artes?

CL: O meu interesse pelas artes veio naturalmente. Acho até que de uma necessidade de expressão do que via ao meu redor, do que sentia e do que desejava expressar.

OC: E hoje como é para você ser uma vitrine do Nordeste para o mundo?

CL: É muito prazeroso para um artista viver da sua arte, e, mais ainda, vê-la em diversos espaços, em diversos cantos do mundo, dialogando com outras culturas. Ao mesmo tempo, é uma responsabilidade imensa, pois você tem que estar sempre se aperfeiçoando e mantendo a essência dos traços que definem sua arte.

OC: Existe um propósito por trás das linhas e cores fortes de suas telas?

CL: Os traços retratam o meu estilo de pintura baseado no meu cotidiano, na minha cidade e seu estilo de vida. Retrata o que eu vejo sendo contado de maneira simples e com o colorido que enche de vida todas essas histórias e imagens. As cores vibrantes representam energias e vibrações alegres e contagiantes.

OC: Nessa jornada, teve algum momento em que pensou em desistir?

CL: Nunca pensei em desistir; sempre soube o que queria fazer. Não é fácil a vida de artista, mas esse era o meu desejo, o meu sonho, e sempre corro atrás do que quero.

OC: Quais são as suas influencias e suas marcas registradas?

CL: Tive o privilégio de conviver com artistas, que tanto me incentivaram, quanto influenciaram, como Hermano José, Jô Oliveira, Valdomiro de Deus, Flávio Tavares, entre outros.

OC: O prêmio da ONU deu uma grande visibilidade ao seu trabalho. A que você atribui o fato de a sua obra ter se destacado das outras?

CL: É muito difícil fazer essa identificação. Depende muito dos critérios estabelecidos dentro do concurso, além da percepção da comissão julgadora. Porém, busquei, de maneira simples e direta, expressar o sentimento de muitas pessoas que, em conjunto, expressavam o perigo do uso das drogas, tendo em vista que esse era o objetivo do prêmio.

IMG_4117OC: Como está a arte brasileira em relação à arte internacional?

CL: A arte brasileira não deve nada a nenhuma outra; muito pelo contrário, nossos artistas estão tendo visibilidade e estão sendo reconhecidos nos diversos cantos do mundo.

OC: Com base em suas exposições pelo mundo, qual a emoção de mostrar a cultura nordestina ao publico internacional?

CL: É sempre uma emoção ver o seu trabalho sendo valorizado tanto na sua cidade, no seu país, quanto fora dele. O artista vive do seu trabalho e da receptividade do que produz; e essa receptividade tem sido sempre muito boa. As pessoas se interessam pela nossa cultura, e as cores fortes da minha pintura chamam a atenção e despertam o interesse de quem as veem.

Tive o privilégio de ser convidado a participar de exposições nas embaixadas brasileiras em Washington, Paris, Londres e Buenos Aires e, em todas elas, minhas obras tiveram uma boa aceitação. Também, em galerias de outros países, meus trabalhos tiveram uma boa repercussão, sendo inclusive alvo de estudo de Universidade em Valencia – Orlando.

;ais são os meios mais eficazes de se divulgar a arte atualmente? Quais são os veículos que você utiliza para se manter informado?

 Tenho meu site, onde as pessoas que pesquisarem por mim poderão encontrar e-mail, endereço, números de celular, minha história e a história do Boi do Bessa. Mas, atualmente, vejo as redes sociais como a forma mais eficaz de divulgar minha obra. No site, só tem acesso às informações quem entrar lá. Já as redes sociais, as pessoas costumam acessar suas contas ao menos uma vez ao dia, o que faz a divulgação ocorrer de forma instantânea, para quem me segue.

No meu perfil no facebook, no instagram, eu posto fotos de meu ateliê, fotos de quadros em processo ou finalizados, fotos de entrevistas, e o público se mantém por dentro das exposições, das obras, das entrevistas e do que mais eu compartilhar.

Para todo tipo de arte, as redes sociais, quando bem utilizadas, podem aproximar o artista do público. Indiretamente, o público torna-se divulgador, quando curte uma postagem e, diretamente, quando compartilha; o que considero mais interessante.

Não posso esquecer que nem todas as pessoas têm acesso às redes, enquanto outras não gostam delas, o que faz os jornais e tevês continuarem com grande importância na divulgação do trabalho. Eu mesmo mantenho as pessoas informadas da minha arte por meio das redes sociais. Mas eu me mantenho informado sobre tudo, seja n as próprias redes, nos jornais, no rádio ou na Tv. Mas, nas as redes eu posso fazer postagens a qualquer hora do dia e quantas vezes eu quiser.

 OC: O Boi do Bessa une arte, carnaval tradição e preservação do meio ambiente. Pra você, artista, como é fazer parte do calendário carnavalesco de João Pessoa?

CL: Dei formato ao Boi do Bessa idealizado por Cassandra, minha esposa, que um dia imaginou um bloco de carnaval no bairro, que unisse esses aspectos elencados; folia, tradição e preservação do meio ambiente. Daí, surgiu o Boi com chifres de caju, cuja proposta de preservação dos cajueiros virou uma bandeira de preservação da identidade do bairro.

O Boi do Bessa saiu desfilando na Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro, quando a cidade de João Pessoa foi homenageada pela Escola Vila Isabel. Isso foi muito emocionante, pois o Bloco foi escolhido pela proposta ecológica abordada.

Depois de 20 anos saindo nas ruas do bairro, percebo  o Boi já tomou vida. O boi pertence ao Bessa e à cidade de João Pessoa. Fico feliz em ver as famílias participando, o frevo sendo preservado e cantado pelos nossos artistas, e exaltados pelos foliões.

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 Por: Hérmany Menezes

Fotos: Reprodução