“O Carnaval chegou e já começou triste”

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Imagem: Divulgação

A maior festa popular do Brasil, aguardada por muitos, já chegou marcando, mais uma vez, de forma triste sua passagem

por Andrea Nakane

No fim de semana que antecede a festa de Momo, na capital de São Paulo, foi constatado o óbito de um jovem rapaz por ter recebido uma descarga elétrica, a princípio, oriunda de um poste de sinalização pública, que também estava sendo utilizado para o posicionamento de câmeras de monitoramento, provisoriamente instaladas nesse local.

Essa ação é uma exigência da prefeitura de São Paulo, que gerou farta documentação orientativa para o processo de concorrência da empresa que seria responsável pela organização do Carnaval de Rua, que a cada ano cresce vertiginosamente na cidade e tem atraído milhões de foliões, muitos até já do exterior.

A empresa ganhadora da licitação, a Dream Factory, tem know how comprovado de estar a frente de mega produções e a GWA Systems, empresa terceirizada para coordenar o monitoramento de CFTV, composta de mais de 150 câmeras extras, adicionadas ao sistema já existente da prefeitura, também possui em seu portfólio grandes eventos.

A atitude simplória de retirar todas as câmeras instaladas após a ocorrência, por determinação da prefeitura, não é a solução mais assertiva, até porque fragiliza ainda mais a segurança da multidão.

O que é certo, e deveria ser a conduta implementada, é justamente uma criteriosa auditoria na operação para que a mesma atingisse o grau máximo de eficiência e eficácia e pudesse cumprir seu papel de relevância no monitoramento desse acontecimento especial.

Abortar esse planejamento não trará mais segurança, pelo contrário.

Infelizmente, nos últimos anos, as edições carnavalescas estão sendo marcadas por tragédias vinculadas ao amadorismo com que o item segurança vem sendo tratado.

Não deu para aprender, ainda? Quantas mortes ainda serão necessárias, para que a excelência dos serviços de segurança sejam hegemônicas?

O brilho da festa da alegria e diversão fica ofuscado e demonstra mais uma vez que o jeitinho brasileiro permissivo e doentio ainda reina entre nós e nos torna reféns de uma performance irresponsável, no qual os atores não estão integrados e cada um tem uma posição divergente, o que demonstra total falta de gestão… continuando assim… só podemos aguardar ao próximo acidente.

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*Andrea Nakane – É doutoranda em comunicação social e sócia-diretora da empresa Mestres da Hospitalidade cujo expertise é em inteligência estrategista em eventos corporativos, Cerimonial e Protocolo e capacitação do talento humano na área da Hospitalidade. É autora de diversos capítulos e livros na área de turismo e eventos. Tem formação multidisciplinar, com 24 anos de experiência profissional acumulada em vivências nas áreas de hotelaria, turismo, indústria, cerimonial e educação.

 

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