Por Elba Gomes

No meu tempo, tudo era mais simples. Ou não? Supermercados como os hoje, nem pensar. Havia, sim, os “armazéns”, onde se podia comprar quase tudo. Meu pai tinha uma, na minha cidadezinha de apenas três ruas. Ela ficava numa esquina, ao lado da Farmácia. Na mercearia encontrava-se do pão aos pregos.

O que nos interessava eram as coisinhas gostosas. Na seção de enlatados, havia leite condensado “Moça”, ameixas “Red Indian”, doce de leite, presuntada “Swift”, Toddy, massa de tomate “Elefante”, leite “Ninho”, sardinhas “Coqueiro”, Nescafé.

Também tínhamos Maizena, aveia “Quaker”, bolacha “Maria”, farinha “Lactea”, goiabada, marmelada, bananada, guaraná “Antártica”, queijo tipo reino.

Nos, crianças, adorávamos misturar leite condensado com Toddy, molhar na misturinha as bolachas Maria e… hum!  Era nosso lanche preferido. Nos aniversários era servido, nos pratinhos, um pedaço de goiabada com queijo. Depois, vinha o bolo com guaraná. O bolo era sempre confeitado com glacê de açúcar, com gostinho de limão, e todo e todo enfeitado com bolinhas prateadas (pérolas comestíveis). Os bolos eram sempre rosa para as meninas e azul para os meninos.

Apesar de minha mãe possuir baixela de porcelana azul e também branca (chinesas), nossos pratos da diária eram de ágata, assim como as canecas.  Eles eram azuis ou brancos, pintados com florzinhas coloridas. Um mimo! O pior era quando deixávamos cair um prato ou uma caneca no chão e eles chambocavam, o que significava arrancar umas lasquinhas deles e, às vezes, até furá-los. Aí, o destino era o lixo, mesmo.

O conjunto de café era também de ágata. O bule e o açucareiro eram sempre de cor azul ou vermelha e as canequinhas eram brancas, enfeitadas com florzinhas. Como nem sabíamos da existência de garrafa térmica, o café, que era feito num coador de pano, ia para o bule e era servido, quentinho, na hora, com sorda, bolo ou biscoitos de araruta.

É… Era tudo muito simples, no meu tempo!

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Elba Gomes
Nasceu em Pilões, na Paraíba. Graduada em Letras Clássicas e Modernas pela UnB, fez mestrado em Educação. É professora, educadora e especialista em Avaliação da Educação Básica - Prova Brasil – Língua Portuguesa. Começou como professora aos 16 anos de idade. A leitura foi sua vocação primeira. É escritora de livros infantis, com o pseudônimo de Elba GGomes e tem mais de quinze livros publicados. Participa de eventos para o desenvolvimento do processo de leitura e escrita, mediação de leitura e formação de professores na área de avaliação da educação básica. Escreve o blog: www.1blogdeleitura.blogspot.com.br. A escritora estará neste site, toda segunda-feira, escrevendo crônicas (A crônica de todos nós), tecendo comentários sobre livros infantis (De olho nos livros) e escrevendo ou publicando poemas de outros autores (Todo dia tem poesia).