Assistindo o Globo Esporte, segmento nacional, tive oportunidade de acompanhar durante alguns dias um novo quadro desse horário esportivo da emissora da família Marinho. Confesso que fiquei surpreso com a novidade que nos oferece histórias, algumas até dramatizadas, do futebol carioca. Tudo bem pesquisado, com boas entrevistas, com personagens importantes do futebol, etc. e tal.

Mas, fica a pergunta: O quadro FICARÁ RESTRITO, APENAS AO FUTEBOL DO RIO DE JANEIRO? Será que essa primazia ficará restrita aos nomes que fizeram história no referido estado? É preciso que as histórias desse esporte sejam vistas de forma mais ampla, pois ele é praticado em todo o país, sendo, como todos se acostumaram a afirmar, uma paixão nacional. Já que essa novidade foi dedicada ao Rio, poderia a Rede Globo estender as ações de suas equipes de produção por outros estados – Pernambuco, Paraíba, Pará, Ceará, Bahia e outros, todos eles formadores de grandes craques e que, independentemente de terem ou não jogado no Rio de Janeiro, muitos foram ídolos em suas regiões e com histórias interessantes para serem contadas.

Como seria interessante conhecer um pouco da história de um Sport Recife dos tempos de Bria, Oswaldo Balisa, Eliézar, Alemão, Dedé, Manga, Bé; do Náutico de Ivan, Bita, Nino e Lala; Santa Cruz de Givanildo, Luciano e Ricardo; Bahia do grande Beijoca, Marito, Mário, Florisvaldo e tantos outros. Como paraibano não poderia, também deixar de lembrar o Treze, Botafogo e Campinense, seus clubes mais tradicionais, com histórias bonitas e belas conquistas e com nomes que marcaram época no futebol nacional, internacional – Mazinho, Suélio, Da Silva ( Bola Sete), Morais, Bé, Ferreira, etc. e hoje Hulk   – e no âmbito regional, Mário, Delgado, Pedro Negrinho, Germano, Nininho e outros.

Não é possível que sejamos obrigados a somente ver e ouvir informações do eixo Rio-São Paulo, o dia todo e todos os dias, como se a história desse país se resumisse apenas a essas dois centros, especialmente o Rio, pois o pessoal da Gobo sempre gostou de impor tudo ao resto do país, contrariando os aspectos diversos de regionalização de uma pátria com dimensões continentais.

Espera-se, portanto, que sem querer nos aprofundar mais sobre outras observações que poderiam ser feitas – e são muitas – que desrespeitam e contrariam as culturas diversificadas notadamente das regiões Norte e Nordeste deste imenso Brasil, os senhores produtores do Globo Esporte entendessem que este país não se resume apenas ao Rio de Janeiro. Não dá para engolir.

API/Gilson Souto Maior
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