Zuzé Bisgate vende cuspe em sua banca, para engraxar sapatos, e moscas, para acompanhar morto em velório. “Não se pode beijar aquela boca engraxadora dele”, diz Armantinha, sua mulher, que se encanta quando Julbenardo, vendedor de pintadelas de batom, chega da cidade.

O universo fantástico de Mia Couto se encontra com o cavalo marinho pernambucano em Gaiola de Moscas, espetáculo que abre a nova etapa do Palco Giratório na Paraíba. O Grupo Peleja se apresenta hoje em João Pessoa (no Teatro do Sesi, às 20h, com entrada gratuita) e na sexta-feira em Campina Grande (no Sesc Centro, também às 20h, com ingressos que podem ser trocados por dois quilos de alimento não perecível).

“Misturar Mia Couto com o cavalo marinho foi um desafio que acabou resultando em um casamento bem feliz, porque esta realidade de um vilarejo do Moçambique, onde as pessoas vendem produtos esdrúxulos na feira, tem tudo a ver com a realidade que a gente pesquisou na Zona da Mata no norte de Pernambuco”, afirma a atriz-dançarina Tainá Barreto, que desde ontem está na capital, onde ministra a oficina Ateliê do Corpo – Dança e Criação.

A oficina também vai ocorrer em Campina Grande, em dois dias: amanhã e na quinta-feira, das 18h às 21h. Segundo a atriz, formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a atividade de formação pretende compartilhar a prática do Grupo Peleja, que é sediado em Pernambuco, mas tem seus braços na Paraíba, onde moram dois integrantes: a também atriz-dançarina CAROLINA    Laranjeiras (que é professora do curso de licenciatura em dança da Universidade Federal da Paraíba) e seu marido, o ator-dançarino Eduardo Albergaria, também responsável pela iluminação.

“A Zona da Mata de Pernambuco é aqui do lado e foi lá que floresceu o cavalo marinho, que é oriundo das senzalas dos engenhos de cana-de-açúCAR   “, explica Tainá Barreto. “Na verdade, nosso trabalho de pesquisa e prática mais aprofundado é sobre o cavalo marinho. Nós nem conhecíamos Mia Couto.”

ADAPTAÇÃO

Segundo a atriz, o contato com o conto homônimo do autor africano (publicado no livro Contos do Nascer da Terra, de 1997) se deu a partir da diretora Ana Cristina Colla. “Ela viu a gente trabalhando uma ceninha de experimentação quando tinha acabado de ler o conto”, lembra Tainá. “Aí ela enxergou a adaptação e propôs que a gente fizesse na época.”

Gaiola de Moscas estreou em 2007. No espetáculo, tanto CAROLINA    quanto Tainá interpretam Armantinha, a mulher tragicamente disputada por Zuzé Bisgate (Lineu Gabriel) e Julbenardo (Eduardo Albergaria). A trilha sonora é executada ao vivo pela dupla Alexandre Lemos e João Arruda.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA:

Hoje (29/07)
Teatro do Sesi, 20h.
Espetáculo: Gaiola das Moscas, com o Grupo Peleja (PE)
Direção: Ana Cristina Colla

Amanhã (30/07)
Hall do Teatro do Sesi, 19h.
Espetáculo: O Artista Deve ser Lindo – Grupo Graxa (PB)
Direção: Joevan Oliveira

Teatro do Sesi, 20h.
Espetáculo: MERCEDES   , da Galharufas Cia. de Teatro
Direção: Paulo Vieira

Quinta-feira (31/07)
Hall do Teatro do Sesi, 19h.
Espetáculo: Tribal FUSION   , com Dan Oliveira (PB)

Teatro do Sesi, 20h.
Espetáculo: Quebra-Quilos, do Coletivo de Teatro Alfenim
Direção: Márcio Marciano

Sexta-feira (01/08)
Hall do Teatro do Sesi, 19h.
Espetáculo: Monólogo de Sarah, com Challena Barros (PB)

Teatro do Sesi, 20h.
Espetáculo: A Cela, Dept. de Artes Cênicas da UFPB (DAC)
Direção: Elias de Lima

Tiago Germano

Jornal da Paraíba