“Mariana e Região eclipsadas pela Samarco: O Turismo Sobrevivente”

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Esse é o material base – o barro oriundo da lama - para a confecção de peças como colares, pulseiras e artefatos de decoração - Foto: Andrea Nakane / Divulgação

Que a tragédia de Mariana e região não seja jamais esquecida e que seja um exemplo para que não haja repetição de tamanha fatalidade

por Andrea Nakane

Recentemente dois anos foram completados da ocorrência da pior tragédia ambiental do Brasil, em Minas Gerais, com a ruptura de uma barragem da mineradora Samarco, em Mariana. Efetivamente ações paliativas demonstram que a justiça é de uma morosidade singular e a sensação de injustiça e impunidade são hegemônicas nesse avassalador cenário brasileiro, que entristece e envergonha a todas as pessoas regidas por sentimentos.

Frente a um quadro nada animador, vale ressaltar o belíssimo trabalho realizado pelo distrito de Gesteira, entre os municípios de Mariana e Barra Longa, que investiu na organização de roteiros turísticos, enaltecendo sua culinária e artesanato local, proporcionando renda e acima de tudo, resgatando a dignidade de seus moradores.

Unindo vivências e experiências únicas, promovidas pela comunidade local, a Cooperativa Rural de Gesteira reúne mais de 16 pequenos produtores, culinaristas e artesões e oferece atrativos relacionados a sua cultura, com destaque para o Richelieu Bordado, para os doces em compotas, o já internacional queijo minas fresco, os autênticos alambiques e a boa prosa mineira, lideradas por experts na arte de contar histórias, sorvendo um fumegante café “passado” na hora.

Renascimento da lama

Nesse contexto, as histórias de cada um emocionam e nos estimula a ter esperanças no futuro. Da lama que assolou áreas imensas, devastando tudo e tornando a paisagem inócua, a cooperativa tira forças para demonstrar, ainda que de forma simbólica, que a vida continua e pode ser diferente.

Esse é o material base – o barro oriundo da lama – para a confecção de peças como colares, pulseiras e artefatos de decoração, que permitem o lidar com a tragédia de forma sublime as dores e tristezas, transformando essas emoções em objetos que geram renda e demonstram o espírito resiliente, presente no âmago de cada ser humano e que em momentos de dificuldades mais latentes são vitais para nos reconfortar e nos posicionar para um recomeço.

Que a tragédia de Mariana e região não seja jamais esquecida e que seja um exemplo para que não haja repetição de tamanha fatalidade.

Vamos visitar as localidades, tornando o turismo solidário, mais uma peça de reconstrução e celebração da vida, que continua sendo bonita por natureza e também pelas mãos de seres humanos responsáveis e nobres que dignificam nossa sociedade.

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Andrea Nakane – É doutoranda em comunicação social e sócia-diretora da empresa Mestres da Hospitalidade cujo expertise é em inteligência estrategista em eventos corporativos, Cerimonial e Protocolo e capacitação do talento humano na área da Hospitalidade. É autora de diversos capítulos e livros na área de turismo e eventos. Tem formação multidisciplinar, com 24 anos de experiência profissional acumulada em vivências nas áreas de hotelaria, turismo, indústria, cerimonial e educação.

 

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