Avião começa a competir no mundo inteiro e já é temido pela concorrência. O Legacy 500, da Embraer, tem uma estrutura ultramoderna de engenharia.

Um dos mais modernos aviões do mundo, o Legacy 500, da Embraer, recebe na terça feira a homologação já pode ser vendido no mundo inteiro. O jato tem tecnologia que só se encontra em grandes aviões de passageiros, e inteiramente desenvolvida por engenheiros no Brasil.

O painel da cabine de comando do jato ultramoderno tem fabricação nacional. Custa uns R$ 50 milhões, o preço de mil carros populares bem equipados.

O que pode ser visto é muito luxo e conforto, exclusivo de um jato a alcance de poucas pessoas. Um esforço tecnológico que torna possível a um produto desenvolvido no Brasil ser competitivo no mundo inteiro.

O jato parece fazer coisas sozinho. Mesmo nas mãos e pés do piloto, os comandos são executados por computadores que recebem sinais elétricos da cabine e os transformam em ordens para atuadores que agem nos mais variados sistemas. Chama-se “voar por fios”, do inglês “Flight by Wire”.

O Legacy 500 foi criado como um programa de computador. Em outras palavras, foi desenhado a partir do que a simulação digital diria ser possível por uma turma de engenheiros disposta a juntar a pesquisa pura a um projeto industrial.

Fabrício Caldeiras é um dos quatro mil engenheiros da Embraer, e formado dentro dela.

“É muito difícil dar um degrau e fazer o primeiro avião com o sistema Flight by Wire completo. Leva anos para você adquirir essa experiência e, para deter essa tecnologia, envolve várias áreas. Tem que entender de controle, de sistema de controle para gerar algoritmos que interpretam os inputs do piloto e se transformam em softwares. E tem que entender de arquitetura de sistemas. Mesmo depois de falhas dos computadores, a gente tem redundâncias suficientes dentro dos sistemas para ver o avião voando de forma segura”, aponta Fabrício Caldeiras, engenheiro de desenvolvimento.

O Flight by Wire, a tecnologia de sensores, computadores e programas que controlam um avião, não existe pronta para ser comprada.

“Então, quando a gente decidiu fazer esse avião, a gente estudou todos os sistemas de Flight by Wire completo que existiam no mercado. A gente entendeu como era a filosofia de cada fabricante e a gente decidiu criar a filosofia Embraer, que é diferente da filosofia dos outros fabricantes”, explica o engenheiro Fabrício Caldeiras.

O debate é tão filosófico quanto tecnológico, comercial e de segurança de voo: quem manda mais no avião, o piloto ou o computador?

Pela primeira vez, essa tecnologia é oferecida em um jato da aviação executiva, de porte médio. Graças à tecnologia nacional, o avião promete ser mais leve, mais barato e mais avançado que os competidores.

“A gente tem investido bastante em programas de automação, de forma a tornar o produto bastante competitivo. No caso do Legacy 500, por exemplo, desenvolvemos. Todo avião é desenvolvido em um ambiente digital 3D. Eu economizo ciclo e eu ganho competitividade. 25% a 30% no ciclo de montagem e, pelo menos, de 5% a 10% em custo”, conta Marco Túlio Pellegrini, presidente da Embraer.

No voo de ensaio, São Paulo estava lá embaixo, em uma tarde de muita poluição. O pouso aconteceu na relativamente curta e estreita na pista do Campo de Marte. O primeiro do novo jato. Os pilotos já sabiam, muito antes, que não seria o menor problema.

G1
Foto: Divulgação