Após intensa reforma – a primeira em mais de 30 anos de fundação – o Espaço Cultural José Lins do Rego será reaberto à população na próxima sexta-feira (4), com apresentações de música e cultura popular. A reinauguração terá como atração principal o show do rapper Criolo. A parte musical conta ainda com a banda paraibana Sonora Sambagroove. Também se apresentarão no evento a Quadrilha Zé Lins, o Maracatu Leão da Fronteira e integrantes do projeto Prima. A noite dedicada à cultura terá também intervenções de dança e circo, e projeções de VJs paraibanos. Nesse primeiro evento, espaços como a Praça do Povo, teatros de Arena e Paulo Pontes serão ocupados. Os portões serão abertos às 17h, e as atrações começam às 19h. A entrada é gratuita.

Reforma do Espaço Cultural – Projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes na década de 80, sendo uma obra arquitetônica referencial em todo o país, o Espaço Cultural passou por algumas mudanças com a reforma, porém os traços e características implantadas por Bernardes foram preservadas. Uma das principais alterações que o público poderá perceber é a transformação do antigo Cine Bangüê em Sala de Concertos. Um novo cinema, com tecnologia digital, está sendo concluído na área que antes abrigava a pista de patinação. O Governo do Estado investiu R$ 48 milhões nas obras do Espaço Cultural.

Praça do Povo e área externa -Todo o prédio recebeu troca de cobertura, uma área que equivale a 33.000 m². Com as telhas termoacústicas, tipo sanduíche, de policarbonato recentemente postas, a Praça do Povo ganhou reforço da luz natural, o que possibilita uma considerável economia de energia elétrica. A iluminação antiga está sendo substituída por lâmpadas de LED, mais modernas e econômicas. O piso de cimento também foi renovado. Os boxes antigos foram derrubados e novos, com estrutura padronizada, foram montados. No entorno do prédio foi feita a poda das árvores e o estacionamento passou por uma recuperação geral, ganhando nova iluminação.

Recepção – A nova recepção do Espaço Cultural, que possui uma área de mais de 3.000 m², recebeu melhorias que atendem às novas tendências arquitetônicas e de acessibilidade. A guarita e a bilheteria foram refeitas.

Banheiros – Os banheiros do Espaço Cultural receberam novas instalações hidráulicas, que estavam completamente danificadas. O piso de cerâmica, o revestimento das paredes, louças e forros de gesso foram trocados.

Escola de dança– Localizada no subsolo do prédio, a área de 1.081 m² teve o piso e revestimento removidos. Foram substituídos por piso vinílico e lâminas de madeira. O layout da escola de dança também foi redefinido. Agora, a administração passa a ter uma sala maior, adequada ao serviço da equipe. A sala de ginástica também foi recuperada. Dentro das salas de dança, além do piso de madeira, os ambientes ganharam novos espelhos e barras. Portas de segurança mais eficientes para eventuais situações de emergências foram postas para garantir a segurança dos usuários e funcionários. A climatização também foi reforçada. O ambiente ganhou novo forro de gesso e pintura.

Mezaninos e auditórios– Utilizados para as mais diversificadas atividades, como exposições de arte, apresentações culturais, feiras e workshops, os mezaninos são ambientes importantes para a ocupação do Espaço Cultural, que também contam com oito auditórios igualmente usados de maneira variada. Todos os auditórios tiveram o carpete removido. Foi colocado piso vinílico. O forro de gesso também foi retirado e substituído por PVC. A climatização foi trocada. Agora, os ambientes são refrigerados por ar-condicionado split.

Teatros – O Teatro Paulo Pontes foi completamente reformado. O ambiente ganhou novas poltronas, troca do madeiramento, revestimento acústico, sistema de som e iluminação e refrigeração. O palco ganhou nova cortina e coxias. O Teatro de Arena também passou por intervenções. Camarins, banheiros, iluminação, pintura e instalações elétricas foram refeitos.

Bloco de música– Um dos grandes destaques da reforma é a concentração das atividades de música, em dois blocos. A Escola de Música Anthenor Navarro (Eman) e a Escola Especial Juarez Jhonson (Emejj) passam a se instalar no mesmo local, no bloco da rampa 2. O espaço foi reformado para atender aos alunos de forma adequada à dinâmica de cada tipo de curso e suas necessidades. Banheiros acessíveis foram construídos. As duas escolas terão uso comum do auditório, copa, almoxarifado, musicoteca, memorial Gerardo Parente, Arquivo Morto e Núcleo de Pesquisa. A Emejj ganha recepção, secretaria, diretoria, brinquedoteca, sala de professores, cinco salas de aula individuais, e sala coletiva. A escola de música Antenor Navarro recebe recepção, sala de psicólogo, sala de professores, administração, diretoria, 18 salas de aula individuais, e cinco salas de teoria musical. Essas mudanças farão diferença na produtividade das escolas. Ambas poderão até dobrar a capacidade de atendimento.

Sala de Concertos– A sala Cine-teatro Banguê torna-se sala de concertos. A reivindicação da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB) foi atendida com a criação de um ambiente voltado à música clássica, com rigorosas especificações técnicas cumpridas em toda a estrutura, desde as salas de ensaio, ao palco. O revestimento de piso e parede foi substituído por materiais que atendam à necessidade acústica da atividade artística. O palco foi ampliado para abrigar todos os componentes da orquestra e ao fundo contará com um espaço para a apresentação de grupos de coro. A capacidade de lugares passará para 570 poltronas novas e reclináveis. A nova estrutura da OSPB ainda conta com bilheteria, recepção, secretaria, diretoria, arquivo musical, sala do maestro, copa e quatro baterias de banheiros, ambientes para ensaio da orquestra e pequenas apresentações, e salas para cada equipamento ligado à OSPB.

Criolo – O MC, cantor e compositor Criolo lançou o álbum “Nó na Orelha”, em maio de 2011. Totalmente autoral, o disco está disponível para download gratuito desde o lançamento e traz dez faixas com produção de Daniel Ganjaman, que já pilotou trabalhos de artistas como Nação Zumbi e Sabotage, e Marcelo Cabral, músico proeminente da nova geração da MPB.

O álbum foi gravado e mixado em 2010 por Daniel Ganjaman e masterizado por Fernando Sanches no estúdio El Rocha. “Nó na Orelha” foi editado em vinil e CD e lançado na Europa em junho de 2012 pela Sterns Music, gravadora baseada em Londres desde 1983.

Desde o lançamento, ganhou mais de 12 prêmios. Apresentou o repertório do disco em mais de 200 shows realizados no Brasil. Integrou o line-up de um dos maiores festivais de música do mundo, o Roskilde, na Dinamarca e apresentou-se em Nova York, no festival Summer Stage no Central Park. Cativou plateias de todas as idades nos mais de onze países por onde passou nas duas turnês internacionais que realizou em 2012.

Se apresentou com Caetano Veloso, Seu Jorge, participou do show da fadista Ana Moura e tocou ao lado do ícone do ethio-jazz Mulatu Astatke em Londres. Recebeu homenagem de Chico Buarque nos shows da turnê “Chico”, em 2012. Foi entrevistado por Spike Lee para o documentário “Go, Brazil, Go”. Em um dos shows da turnê da “Nó na Orelha”, no Rio de Janeiro, recebeu Ney Matogrosso para interpretar “Freguês da Meia-noite”, composição de Criolo que será gravada por Ney em seu próximo disco.

Em 2013 disponibilizou para download gratuito o vídeo na íntegra do show “Nó na Orelha – Ao vivo no Circo Voador” e lançou o DVD “Criolo e Emicida – Ao vivo”, dirigido por Andrucha Waddington, Paula Lavigne e Ricardo Della Rosa.

Em outubro de 2013 lançou, nos formatos vinil e digital, “Duas de Cinco”, single com duas faixas inéditas. O material está disponível para download gratuito, com a possibilidade de doação espontânea no site. As duas músicas foram produzidas por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, repetindo a fórmula que resultou na aprovação quase unânime, de crítica e público, do disco “Nó na Orelha”.

“Duas de cinco” é a primeira das duas faixas inéditas e ganhou lyric video, produzido por Ricardo Fernandes, diretor de arte do projeto. É um rap clássico, com versos corpulentos, críticas contundentes ao estado e beatsampleado. O refrão, extraído da música “Califórnia Azul”, de Rodrigo Campos, artista contemporâneo, da mesma geração de Criolo, foi o ponto de partida para a composição de letra e batidas.

“Coccix-ência”, lado B do single, foi gravada ao vivo, no Estúdio El Rocha, pelos afinados músicos que acompanham Criolo nos shows há dois anos, além de Thomas Rohrer na rabeca. Psicodélica viagem instrumental, a sonoridade da faixa dá a sensação de estar assistindo a banda nos palcos.

As duas músicas foram incorporadas ao repertório das apresentações de Criolo, que ganharam novo formato. Além das faixas inéditas, o show resgata músicas do primeiro álbum do MC, “Ainda há tempo”, lançado em 2006. No palco, Criolo se apresenta ao lado dos produtores Daniel Ganjaman (teclados e programação eletrônica), que também assina a direção musical do show e Marcelo Cabral (baixo acústico e elétrico); dos músicos Guilherme Held (guitarra), Maurício Badé (percussão), Sérgio Machado (bateria) e do fiel escudeiro DJ Dan Dan (voz e picapes).

Sonora Sambagroove – O quinteto Sonora Sambagroove trabalha catando música pra reciclar. Atualmente, tem se dedicado à divulgação de seu segundo EP, “Amassar a Lataria”, que vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa sobre canções feitas na Paraíba em diferentes décadas. Em maio do ano passado a banda lançou “Gentileza”, disco que trouxe as canções “Fugirei” e “Gentileza”, de Arthur Pessoa, “Topada”, de Adeildo Vieira, além das composições próprias “Achamudega” e “Cigana”. “Arte Culinária”, de Pinto do Acordeon, foi lançada como bônus na internet, complementando esse primeiro trabalho.

Totonho, paraibano nascido no município de Monteiro, cedeu a música que intitula o disco e é ainda co-autor de “Meninos”, canção feita na época do movimento “Musiclube da Paraíba”, de Milton Dornellas, Pedro Osmar e Adeildo Vieira. “Coco da Jumenta”, de Erivan Araújo, paraibano do município de Cajazeiras, também integra o disco. O compositor Parrá cedeu a canção “Fumo de Parrá”, samba de latada com pitada ragga. A banda assina “Casa da Pólvora”, vinheta instrumental presente em todos os shows e agora firmada no segundo álbum. E assim, sem muito limite rítmico ou qualquer rótulo musical, a banda entrega ao público o resultado de mais essa empreitada, que tem por objetivo ressaltar cultura como identidade, cantando o lugar e suas curvas. O disco está disponível online.Acessehttp://musicadaparaiba.blogspot.com.br/search/label/SonoraSambaGroove

Fenart – Com a reabertura do Espaço Cultural, o presidente da Funesc, Lau Siqueira já garante a realização da 14ª edição do Festival Nacional de Artes (Fenart), que não ocorre em João Pessoa desde 2010. O evento, que está previsto para ser realizado nos próximos meses,deve ocupar todas as dependências do novo Espaço Cultural José Lins do Rego.