Quando criança estive no forte algumas vezes e ficava fascinada com as ruínas, com a história, com cada pedra que eu via, com as âncoras, canhões e todo e qualquer objeto que pudesse aguçar minha imaginação fértil e infantil; era semelhante a “Bob” no seu fantástico mundo, criando possibilidades para fazer naquele local, a Fortaleza, um lugar onde eu pudesse de ser Princesa. Os anos se passaram e ela continua lá: Majestosa, Imponente, Grandiosa! Guardando séculos de história que podem ser esquecidas pelo descaso dos que não entendem que o passado, foi e ainda é a base para os acertos vindouros, e que preservar a nossa história e o nosso patrimônio é fundamental para escrever o futuro.

O forte foi construído no ano de 1589, fundado com o nome de “Fortaleza de Santa Catarina”, mas após a invasão Holandesa em 1634, seu nome mudou para “Forte Margarida” em homenagem a irmã do Conde Maurício de Nassau, que tinha formação religiosa Protestante e retirando a imagem da santa Catarina da capela, realizou no forte o primeiro culto Protestante da Paraíba. O domínio Português foi restabelecido e a fortaleza ainda foi chamada de “Fortaleza de Cabedelo” e também de “Forte de Matos”. Finalmente em 1654 voltou a ter seu nome reconstituído.

Algumas estórias e lendas enriquecem o universo da Fortaleza, e a principal delas é a lenda da “Mulher de Branco”. Dizem que o Capitão Mor, casado com a Sra. Clara Dias, a executou num quarto de torturas dentro da própria fortaleza, alegando que ela era infiel a ele, haja vista que dentre todos que moravam ali, só havia ela era do sexo feminino. Há relatos de pessoas que passam a noite pelas redondezas que ouvem gritos de mulher, e esses vem de dentro. E outros que veem o vulto de uma mulher de branco.

Hoje a fortaleza é patrimônio histórico cultural tombado pelo IPHAN, e administrado pela  direção da mesma. Infelizmente pelo que pude observar as condições de conservação não são satisfatórias para um patrimônio com o porte histórico tão relevante. Honestamente me senti triste em ver que o espaço é alugado para shows, casamentos e outros eventos, danificando ainda mais um bem comum a todos nós Paraibanos.

Salve a Fortaleza, ela é um gigante morrendo em silêncio!

Registro aqui o meu agradecimento a Luan Dias, que me conduziu na visita de pesquisa, dando um show de história da Paraíba, com foco claro, na história do forte. Valeu Luan!

*Este texto foi relocado para esta coluna e faz parte do acervo da colunista.
Escrito em 31/03/2013

 

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Ana Célia Macedo
Ana Célia Macedo, jornalista desde 2010 é membro da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, seccional Paraíba (Abrajet PB). Iniciou suas atividades junto a comunicação escrevendo sobre turismo num blog em que narrava experiências vividas nas suas viagens pelo mundo e também divulgando os atrativos turísticos da sua cidade natal, João Pessoa. Morou por dois anos na Suíça, onde aperfeiçoou habilidades no jornalismo online, editorando o site “Brasileiros na Suissa”, que continha conteúdo exclusivo para a comunidade brasileira naquele país. É acadêmica em Comunicação Social, empresária e editora do site "O Concierge Online" que produz o melhor conteúdo em Turismo, Cultura e Gastronomia. Viajar, comer bem, conhecer novas culturas, fotografar e escrever são seus "hobbies". E-mail para contato: anaceliamacedo@oconciergeonline.com.br