Por Rose Lucena

Época de primavera é sempre assim: a cidade é preenchida por cores, tem mais vida, por conta, obviamente, do clima agradável; as pessoas saem mais e a diversão é a palavra de ordem.

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performance artística

Pois bem, esse é um dos meus períodos preferidos. Não que o inverno não tenha a sua beleza, apesar de as cores girarem sempre em torno em tons terrosos, do preto e do cinza. Agrada-me a Primavera, pelo simples fato de ver a alegria nos olhos dos europeus que aguardam, ansiosamente, os raios quentes de sol.

A cidade de Milão, como as demais do território italiano, ganham vida, principalmente, pela quantidade de parties e festivais que acontecem durante o período primaveril e terminam no final do verão. São vários os eventos que acontecem nesse período, que vão desde o festival da cerveja, ao do sorvete, do espumante – como é o caso do Chandon Moet – e tantos outros. Alguns, a céu aberto e gratuitos; e outros que custam caro ao bolso de quem vive por aqui ou de quem vem de fora.  Abaixo, exemplo de um print  da página oficial do evento.

Apresentação e performance artística
Apresentação e performance artística

“Turistar” por aqui, durante esse período, sai caro e é preciso dinheiro para não ficar isolado dentro de um hotel, por horas, já que programação é o que não falta em uma cidade como Milão ou Roma, por exemplo.

Confesso que não sou daquelas que todos os anos repete  o evento; é preciso ser muito bom para que eu possa ir uma segunda vez. O único de que me arrependo  por não ter ido mais de uma vez foi a EXPO 2015, já que não tive como ir  a todos os pavilhões.

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Gastronomia oriental no festival

O Festival do Oriente teve a sua realização inicial no mês de maio, precisamente nos dias 27, 28 e 29 e retornou no começo de junho (1-5);  tem por objetivo levar, à população, a cultura oriental, em todos os seus aspectos – desde  suas tradições mais históricas às mais desconhecidas.  Nesse tipo de festival, o visitante, além ter o contato direto com a cultura oriental,  aprende de fato o porquê daqueles tradições serem tão especiais para esse países. É um pedacinho do oriente em Milão, o  que temos por alguns dias. É viajar sem sair de casa.

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Sunny Singh – coreógrafo e bailarino indiano conhecido no mercado cinematográfico de Bollywood

O Festival trouxe uma rica exposição de espadas clássicas e ricas  de história que, até então, só poderíamos vê-las na TV e nos clássicos filmes das décadas de 70|80, do legendário Bruce Lee que nos transporta àquela época de Samurais,  com direito a demonstração de como eram utilizadas e da importância dessa cultura ainda ser tão viva na cultura, em si. Estamos falando de séculos de história.

E, por falarmos em tradição, palavra essa que será repetida neste texto, de forma proposital, pelo motivo de a cultura oriental ser interligada a ela.  E já que começamos abordando a questão das artes marciais e dos instrumentos interligado a ela, a caligrafia também teve o seu foco merecido, já que, para os chineses, é uma arte. E fique desde já ciente de que, não  se trata   apenas daquilo que vemos nos filmes, onde há muita luta e que sempre aparece uma pessoa escrevendo na areia.

É interessante ver como muitos chineses, na atualidade, lidam com ela. Eu estudo com chineses e sei o quanto isso é de suma importância para todos eles, pois trata-se de algo milenar, considerada uma verdadeira arte, diga-se de passagem, dificílima para os ocidentais. O chinês nutre profundo respeito pela arte da caligrafia não só por suas bases históricas, mas porque tem toda uma relação com a inteligência. A palavra “Shufa”, por exemplo,  deriva do caractere que representa a palavra “livro” e é uma forma de demonstrar que essa arte está totalmente interligada à  cultura chinesa clássica e que nos remete aos tempos de escritas poéticas na China, o que exige dedicação, concentração, inteligência, delicadeza e habilidade.

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A arte milenar da caligrafia chinesa

E, o que falar da jardinagem que é de encher os olhos? E quando falamos em jardinagem oriental, dois nomes nos vêm à cabeça: Bonsai e Suiseki.

A arte japonesa em cultivar árvores em vasos – Bonsais – é tão antiga quanto aquela do Suiseki, que são as pedras trabalhadas com a água, que teve sua origem na China e foi difundida, tempos depois, também no Japão. Sendo que, após alguns anos desenvolveu todo um aspecto estético e filosófico, trazendo para essas pequenas árvores e pedras um poder evocativo e emocional, ao mesmo tempo. Além do contato com a natureza, que o Bonsai proporciona, o significado fica ainda maior quando essas pequenas árvores e arte de conservá-las, o leva a um êxtase ainda maior: o contato com o eu. Por esse motivo, tem muito mais de emocional em todo esse contexto, do que possamos imaginar. Eu a traduziria como sendo a arte da paciência, levando em conta que é hereditária e que cada Bonsai tem o seu ritmo próprio de crescimento e necessita de cuidados bem específicos. Tinha que ser coisa de oriental, mesmo; não é?

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Exposição de Bonsais

Arte, técnica ou jogo, como queiram, o origami é uma técnica  adaptada tanto para crianças como para adultos. Uma criança pode utilizá-la como um simples jogo e um matemático pode utilizá-la para estudos de formas geométricas. A arquitetura já a utilizou muito para emprestar formas as suas criações e até mesmo às escolas, para ensinar tal técnica para seus pupilos. É divertida e, visualmente, bela. O que importa é que eles também estão presentes no Festival, assim como a gastronomia. E, por  falar em gastronomia oriental, os visitantes podem desfrutar de inúmeros pratos oferecidos no menu oriental, oferecido pelos restaurantes, no local,  pois  o evento oferece uma notável e variada quantidade de opções da cozinha do oriente.  É bom lembrar que a cultura de um povo  envolve, também,  a sua gastronomia. No Festival, você poderá experimentar desde a cozinha tailandesa à chinesa, passando pela japonesa, indiana e, por aí vai. Tem para todos os gostos e o mais gostoso é a mistura de sabores que tudo isso proporciona aos visitantes.

Eu poderia passar horas falando da riqueza de um Festival como esse, na Europa, precisamente na cidade de Milão. É riquíssimo em todos os aspectos, por ser bem completo. Vale muito o investimento em comprar um ingresso prefiro não dizer o preço – e investir em conhecimentos acerca de uma cultura que desperta ainda tanta curiosidade, em muitos, ao redor do mundo. É um pedacinho do oriente, em poucos dias, o de que dispomos por aqui em Milão, nessas datas.

Muita história, arte milenar, danças, espetáculos, gastronomia e beleza que formam um dos maiores festivais de estação oriental na Europa.

Alla prossima!

Fotos: divulgação

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Rose Lucena
Rose Lucena é paraibana, natural de João Pessoa, formada em Produção Publicitária pela Fatec-PB. É especialista em Marketing Empresarial, tendo sua carreira iniciada com a realização de um Projeto de Turismo Pedagógico Exploradores do Saber para uma das maiores empresas de receptivo no Brasil. O projeto, voltado exclusivamente para a rede educacional avaliado como uma das maiores iniciativas na área do turismo pedagógico. Técnica em Turismo e amante da História, Arte e Cultura, relatou uma de suas experiências para a revista Travel Ace Brasil, a convite do Diretor de Social Media Marketing da empresa no ano de 2010. Em 2012, mudou-se para Milão, Itália, onde iniciou a cursar Fashion Communication, que a possibilitou participar de eventos internacionais como o maior evento mundial de moda, o Milano Fashion Week. Curiosa por natureza, aventura-se em descobrir além do trivial e não dispensa uma boa viagem. Há anos atua no turismo como Blogger - desde sua formação como Técnica do Turismo -, onde conta suas experiências e coberturas de eventos aos seus leitores. Casada com o turismólogo Marco Lambertini, fluente em língua inglesa, italiana e alemã, convida todos a mergulharem em suas aventuras pelo continente europeu.