Exposição de estudantes de Fotografia Artística registra cotidiano da comunidade do Porto do Capim

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Exposição de estudantes de Fotografia Artística - Foto: IFPB / Divulgação

A mostra foi montada a partir do Projeto de Extensão em Fotografia Artística, ministrado pela professora Idália Lins

A mostra ficará disponível no campus até esta quarta-feira (21), de onde seguirá, no dia seguinte, para o espetáculo “O céu está em cada um de nós”, projeto de apresentação musical beneficente promovido pelos alunos do curso técnico subsequente em Instrumento Musical. O evento ocorrerá no Teatro Santa Roza, às 19h da quinta-feira (22).

Montada no corredor principal do campus João Pessoa, a exposição “Olhares do Porto” é resultado de uma experiência de imersão pela turma de Extensão em Fotografia Artística (2017 – 1º módulo) do IFPB no Porto do Capim, situado no bairro do Varadouro. Em duas tardes, a equipe de alunos, orientada pela professora Idália Lins, realizou uma atividade de campo com o objetivo de conhecer a comunidade que vive nas redondezas do antigo porto principal da capital paraibana – seus moradores, o comércio, a linha do trem, o patrimônio tombado, dentre outros elementos daquele cotidiano.

A professora Idália explicou a escolha do local para situar as atividades do Projeto: “Em 2016, com a nossa primeira turma de Fotografia Artística, fomos para o Centro Histórico e um dos alunos nos falou sobre a comunidade. Decidimos atravessar a linha do trem e conhecer aquele local tão importante para nossa cidade e pouco conhecido pela população. Os registros foram tão ricos de história, cor e cultura que com a turma de 2017 resolvi voltar. Na última visita guiada, seguimos com Rossana, uma moradora integrante do ponto de Cultura do Porto do Capim, e pudemos conhecer muito mais do lugar – o seu avô, que teve uma das primeiras casas de lá, as crianças, que se divertem jogando bola em um prédio a céu aberto, os jangadeiros, o trapiche às margens do rio Sanhauá… Nossa intenção é levar psoteriormente a exposição para o Porto e entregar as fotografias para a comunidade”.

Os estudantes também descreveram sua experiência no passeio, relatando a importância de se registrar fragmentos de uma cultura que resiste através das sutilezas, e que deve ser preservada, segundo Hélder Nóbrega, devido ao risco iminente que correm os seus moradores com a possibilidade de serem realocados contra a vontade para outro lugar – um risco de extinção. “Olhares do Porto nos fez visitar a comunidade e enxergar nela uma profunda resistência histórico-cultural. Através da fotografia, tentamos expor os afetos que permeiam o lugar, onde dezenas de famílias convivem há mais de cinco gerações”, pontuou.

A estudante Bruna Dias corroborou ressaltando as sensações provocadas pela visita: “Conhecer e andar pelas ruas do Porto, ouvir sua história e estar junto do seu povo, me fez ver que ali, naquele lugar praticamente esquecido pela gestão pública, há vida, resistência e muito, mas muito amor. E esse amor se evidencia nos nossos registros: na igreja no alto da ladeira; nos barcos aportados no cais; nos prédios em ruínas que resistem à ação do tempo, à ação do homem, à ação do preconceito; nas portas e janelas que se abrem na direção da esperança por dias melhores; nos nossos passos que se espalharam, desbravaram e se emocionaram em cada ponto do local. Nossa exposição é o reflexo do que sentimos nesses dois dias de visitas no Porto do Capim, que nos recebeu de braços abertos e nos permitiu fazer uma viagem dentro da comunidade, mas acima de tudo dentro de cada um de nós.”

Ascom IFPB