Especialistas apontam exemplos de países que utilizam políticas públicas eficazes para setor da energética elétrica

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Último painel do Citenel+Seenel 2017 - Imagem: Divulgação

Assunto foi tratado no último painel do Citenel+Seenel 2017 na manhã desta sexta-feira (4)

A mudança no comportamento de consumo e as políticas específicas para a eficiência energética dentro de um plano econômico amplo foram debatidos no último painel do Citenel+Seenel 2017, uma das atividades que encerrou o evento na manhã desta sexta-feira (4). Com o tema “Experiências Internacionais Bem Sucedidas na Implementação de Políticas Públicas em Eficiência Energética” , os participantes do painel puderam discutir desafios e propostas nesta área, a partir de um olhar de fora. Para este, que foi o último painel do maior evento de energia elétrica do País, o moderador foi Tiago Correia, diretor da Aneel, com presenças de Benoît Lebot- diretor Executivo da International Partnership for Energy Efficiency Cooperation (IPEEC); Gilberto de Martino Jannuzzi – professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); Jamil Haddad – professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) –e Susan Mazur-Stommen – Principal and founder da Indicia Consulting: qualitative research and strategic advising firm in the behavior and sustainability space.

Em uma grande plenária no Centro de Convenções, os palestrantes apresentaram soluções sobre de que forma os países mais ricos conseguem melhorar neste setor e que podem servir de exemplos bons para o Brasil. Benoit Le bot defendeu, acima de tudo,  o conhecimento.  Uma política específica, com reforma tributária com incentivos,  implementação de normas de desempenho, descentralização dos serviços energéticos, investimento para as energias renováveis e entendimento profundo do mercado são fundamentais para essa transformação do segmento.  “É preciso investir mais, mesmo com o retorno desse investimento sendo a longo prazo porque esta não é mais uma opção e nem estratégia de países ricos. É uma necessidade”, afirmou.

Para Susan Mazur-Stommen, a mudança de hábitos, valores e crenças andam de mãos dadas com a eficiência energética e com a tecnologia. Para exemplificar, ela abordou a ação voluntária de  funcionários de uma empresa londrina que reduziu o consumo de energia,  e a companhia resolveu premiar seus colaboradores. “Eles apenas  assinaram documentos se comprometendo a diminuir o gasto de energia em diversos aparelhos”, resumiu. Ela detalhou: “Em Frankfurt, na Alemanha, uma competição chamada de ‘Prédios Verdes’ premia com isenção tributária as edificações que tenham uma preocupação com o meio ambiente em que estão inseridas e com a correta utilização dos recursos naturais necessários ao seu funcionamento”, detalhou. O mesmo acontece no Sri lanka, na Ásia Meridional, que todo ano promove competição entre os construtores para conseguir a eficiência e qualidade com o mínimo de impacto ambiental.

Professor em Sistemas Energéticos da Unicamp, Gilberto Jannuzzi também defendeu uma política específica eficiência energética no painel do Citenel+Seenel 2017. Para ele, é importante fazer mudanças regulatórias que alinhem incentivos para as concessionárias de energia.  “Além de mudanças tarifárias, regulação de leis, padrões, informação e mudança de comportamento, é importante acrescentar uma diferente metodologia de avaliação, monitoramento”, acrescentou ele.

Jamil Haddad, professor da Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais, abordou a “Eficiência Energética dos Países da América Latina” e disse que o Chile, que passou recentemente por uma crise energética, avançou  e criou de uma agência reguladora com uma equipe coesa e com profissionais extremamente capacitados. A Agência Reguladora de Eficiência Energética  presta contas de todas as ações desenvolvidas e dos resultados obtidos. “O Brasil também teve importantes mas ainda não tem um planejamento das ações em EE e isso atrasa o nosso desenvolvimento neste setor”, finalizou Haddad.

Assessoria