Enoturismo movimenta vinícolas da Serra Gaúcha

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Grupo visita vinícola em Bento Gonçalves. Crédito: Rodolfo Vilela / Divulgação

Turismo associado à vitivinicultura foi tema de seminário sobre investimentos promovido pelo Ministério do Turismo no Rio Grande do Sul

Por Geraldo Gurgel

A cidade de Bento Gonçalves (RS) foi palco, nesta quarta-feira (14), de seminário promovido pelo Ministério do Turismo para discutir os desafios e perspectivas para o desenvolvimento do turismo nas vinícolas no país. O evento reuniu mais de 60 produtores de vinhos e espumantes gaúchos e de outros estados, além de representantes do poder público.

A região escolhida para receber o encontro preserva os traços culturais dos imigrantes italianos do final do Século XIX e início do Século XX, como a produção de vinhos com fama internacional e que confere à cidade o título de Capital Brasileira do Vinho. Dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) apontam para 14 mil produtores de uvas na região de Bento Gonçalves e cerca de 500 vinícolas em todo o Rio Grande do Sul, estado responsável por 90% do vinho produzido no Brasil.

Segundo o Ibravin, apesar de um forte aliado, o turismo nas vinícolas ainda é um desafio para muitos vitivinicultores. Somente 25% delas exploram atividades turísticas regularmente. “O enoturismo é uma oportunidade de as vinícolas agregarem valor à vitivinicultura com hotéis boutique, alta gastronomia e roteiros integrados ao processo de cultivo das uvas e produção de vinhos e espumantes”, afirma o Coordenador-Geral de atração de investimentos do Ministério do Turismo, Rodrigo Marques.

Durante o encontro, o diretor do Departamento de Ordenamento do Turismo do MTur (Deotur), Rogério Cóser, apresentou as oportunidades de financiamento de empreendimentos e serviços disponíveis por meio do Fundo Geral do Turismo (Fungetur) e das linhas de crédito dos bancos oficiais.

Atualmente, o enoturismo representa 15% da receita das vinícolas gaúchas e o seminário apresentou algumas iniciativas de sucesso que associam a produção de vinhos ao turismo, com o objetivo de incentivar e multiplicar experiências já consolidadas. Caso da arquiteta Vanja Hertcert que começou com uma pousada de três quartos e já ampliou o negócio duas vezes. Hoje, são sete suítes de luxo em um ambiente que envolve paisagem, cultura e arquitetura no Vale dos Vinhedos.

ROTEIRO DE CHARME – Com um histórico de elaboração de vinhos desde 1910, a vinícola Don Giovanni, em Pinto Bandeira, a 12 quilômetros de Bento Gonçalves, abriu as portas para uma visita técnica dos participantes do seminário. A propriedade foi transformada em um complexo enoturístico com a conservação dos parreirais e equipamentos para elaborar vinhos e espumantes. Hoje, a quarta geração da família se dedica à produção de bebidas de alta qualidade com oferta de hospedagem em um casarão histórico e na cabana (antigo estábulo) localizada em meio aos vinhedos.

Assim como outras vinícolas que associam o turismo à produção de vinho, o local é um dos pontos de referência para o turista desfrutar uma série de atrações que a Serra Gaúcha, que atrai três milhões de turistas por ano, oferece. Os passeios pelos exuberantes vinhedos e a beleza das montanhas e vales; os sabores e aromas dos produtos coloniais e o artesanato conservam o estilo do passado e completam o roteiro de charme pelo Vale dos Vinhedos e região da Uva e do vinho. Pertinho dali, a Região das Hortênsias abriga a Rota Romântica de Gramado e Canela. E o melhor, tudo combina com vinho!

Ascom MTur