A mídia vem gradativamente expondo a realidade do universo gay diante na população através dos meios. No início deste ano, tivemos o primeiro beijo gay na TV aberta brasileira, na novela “Amor a Vida”, e, recentemente, um comercial veiculado na em todas as TV´s abertas no Estado da Paraíba, e um canal de humor gay na internet, vem transpondo barreiras, quebrando preconceito e dividindo opiniões.

Pioneiros em tratar o assunto de forma aberta e consciente, o Concierge conversou com Myke Fonseca, vice-presidente o MEL e com os integrantes do Põe na Roda, sobre suas recentes experiência:

Militantes do Mel
Militantes do Mel

 

Criado pelo MEL, o comercial da campanha ‘o Amor Une, a Homofobia Não’, foi lançado em 16 de maio deste ano, com forte repercussão na grande mídia e redes sociais, pois mostra um casal homossexual tendo uma relação normal, se comparando a rotina de um casal heterossexual.

A Paraíba é conhecida por ser um estado de “cabra macho”, como é para o MEL ser pioneiro no Brasil divulgando um comercial com um beijo gay?

Para o MEL, é ótimo ser o pioneiro no Brasil divulgando um comercial com o foco e com a pauta do beijo gay. A principio tivemos medo de colocar devido a como a população reagiria, mas pensamos bem e decidimos da a cara a tapa, e para nossa surpresa foi ótimo, não imaginávamos que tomaria tanta repercussão, e mesmo apesar de algumas falas negativas a respeito, recebemos muitas parabenizações, e sentimos uma força muito positiva nos apoiando, percebemos que sim a população já está preparada para ver o beijo gay, pois isso é comum na sociedade.

Existiu algum tipo de repressão em relação ao comercial?

Sim existiu muita repressão por parte uma das emissoras primeiramente, que não exibiu o beijo no horário normal, exibindo apenas no horário nobre, e por parte de alguns fundamentalistas religiosos, que tentaram aparecer as nossas custas, fazendo falas difamando o movimento e nos acusando, porém não demos muita importância para essas pessoas e elas acabaram que não obtiveram muito sucesso em se promover as nossas custas.

Qual foi o objetivo principal?

O objetivo principal foi em primeiro momento acabar com o mito de que homossexuais são promíscuos e não conseguem levar uma relação duradoura, e em segundo momento tratar de uma forma mais natural os relacionamentos homossexuais, e também mostrar que o amor é bem mais forte que o preconceito.

Para vocês qual a causa do preconceito? E quais são as medidas necessárias para lutar em prol da igualdade?

Falta de informação como diz o próprio nome, pré-conceito, é um conceito que você cria de algo ou alguém sem conhecê-la, as pessoas tendem muito a julga sem conhecer, sem saber, e essa falta de conhecimento leva muitos a serem preconceituosos, outra coisa que influencia bastante são as religiões, que apontam a todo momento, a homossexualidade como o grande mal do mundo, e também o machismo imposto na sociedade desde cedo.

Eu acredito que a base de tudo está na educação, educar nossos adultos e crianças para que eles saibam respeitar os outros independente de quem eles amam, qual religião eles sigam, qual a cor da sua pele, ou quanto dinheiro eles tenham, e no outro viés, a punição para aqueles que propagam e disseminam o ódio, que neste caso seria em forma de lei, seja ela que puna fazendo o agressor pagar uma quantia para a pessoa agredida, ou uma lei que prenda o agressor, mas punir os agressores é de fundamental importância, pois mostra que o que ele está fazendo não é correto.

Vejo o comercial:

Rick, Felipe, Nelson e Pedro
Rick, Felipe, Nelson e Pedro

Idealizado por Pedro HMC, junto com os amigos Nelson, Henrique e Felipe, o canal Põe na Roda tem como objetivo mostrar o cotidiano do mundo gay, através de sátiras de humor. O primeiro vídeo foi publicado há dois meses, desde então, a cada vídeo novo, os números de visualizações só aumentam.

Quais são os cuidados que vocês têm em tratar da temática gay em seus vídeos?

Não nos preocupamos tanto com a maneira porque somos gays e podemos falar abertamente, brincar com o tema, fazer piadas. Se a gente não se ofender, dificilmente alguém vai se ofender. Se pensarmos muito, calcularmos, ficarmos cheios de dedos, não trataremos mais o tema com naturalidade. Um dos intuitos do canal é mostrar que ser gay é normal, que tem um monte de gente bem resolvida que não tem problema em falar e brincar com isso, assim como já fazemos na nossa vida.

Muita gente pensa que divulgar cenas do cotidiano gay pode influenciar no comportamento das pessoas, as fazendo mudarem de orientação sexual. O que vocês pensam sobre isso?

Eu acho uma ignorância. Fui criado por uma família heterossexual e sempre assisti a programas que mostram isso a vida toda. Nem por isso me tornei hétero. Aliás ninguém se torna, sexualidade nasce com a gente. Hoje em dia só que novelas e seriados abordam a homossexualidade. Isso não torna ninguém gay, pelo contrário, ensina a lidar com a diversidade, mostra que o mundo tem gente diferente e que todos merecem respeito e seu espaço na sociedade.

Leis e projetos como a “Cura Gay” e “Cartilha Gay” vivem sendo citadas no congresso, na opinião de vocês, até onde o Estado pode intervir no assunto e o que realmente pode educar para uma consciência igualitária?

Acredito que o Estado tenha responsabilidade no que diz respeito a violência sofrida diariamente por homossexuais que sofrem por conta de sua orientação sexual. E a educação cumpre um papel fundamental na prevenção da violência. Não existe Cartilha Gay, como apelidaram grosseiramente. Existe um material que educa crianças a respeito das outras formas de amar, que por mais que religiosos neguem, sempre estiveram presentes desde que o mundo é mundo.

Confira alguns videos

Por: Hérmany Menezes