Cemitério indígena é escavado no Distrito do Marinho em Boqueirão (PB)

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professor Flávio Moraes atuando em Pocinhos / imagem acervo Flávio Moraes

por Lourdinha Dantas

Lançar luzes sobre a história dos povos Cariri que habitaram a região onde hoje se encontra o distrito do Marinho, município de Boqueirão, interior da Paraíba. Esse é o objetivo dos professores Flávio Moraes e Juvandi de Souza Santos, que, a partir de terça-feira (23), iniciam as escavações no cemitério indígena localizado nas imediações da Serra do Macaco

O arqueólogo Flávio Moraes, pernambucano, é professor da Universidade Federal de Alagoas(Ufal), de onde está afastado para cursar doutorado em Antropologia Biológica na Universidade de Coimbra, em Portugal. Juvandi Souza Santos, paraibano, é arqueólogo e paleontólogo e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), cursando atualmente o terceiro pós-doutorado.

Professor Flávio Moraes, da Ufal / Imagens acervo pessoal
Professor Flávio Moraes, Ufal / Imagensacervo pessoal

Os dois fizeram mestrado juntos, ficaram amigos e, segundo Flávio, descobriram o interesse em comum de entender mais sobre os povos tapuia que habitaram a Paraíba. “Sou arqueólogo de formação, mas na minha pesquisa de doutorado tento perceber as características biológicas dos povos Cariri . Por isso, estamos escavando cemitérios, provavelmente Cariri”, disse o professor Moraes, acrescentando que já foi escavado um em Pocinhos, “e agora iremos escavar esse em Boqueirão. Espero escavar ainda outros sítios cemitérios em Boqueirão e Pocinhos”. “Pretendo estudar os esqueletos, fazer uma caracterização biológica desses povos que acreditamos ser Cariri, porque eles faziam rituais funerários e enterravam seus mortos, ao contrário de outros povos, como os Tarariu, que consumiam os restos mortais, inclusive os ossos, dos quais faziam uma farinha. Então, se tem esqueletos, o mais provável é que sejam de cariris”, complementou Flávio Moraes.

professor Juvandi Santos, UFPB
professor Juvandi Santos, UFPB / Imagem, acervo pessoal

Ele informou que sua intenção é entender as condições de saúde desses índios, quais doenças tinham, como eram seus rituais funerários, dentre outras questões. E que o trabalho também tem um lado educativo, além de arqueológico. “É importante que as pessoas tomem conhecimento do que está sendo feito, para que possam entender a necessidade de se preservar esse patrimônio. Isso faz parte da educação patrimonial”, enfatizou.

A equipe ficará na região por cerca de dez dias, trabalhando nas escavações ininterruptamente. Flávio Moraes disse acreditar que haja outros sítios por lá para serem escavados, pois recebeu, de moradores da localidade, várias fotos que dão indício da existência de mais material a ser pesquisado.

Os moradores do Marinho, a exemplo dos Condutores do Lajedo e das Crocheteiras, estão dando todo o apoio ao professor Flávio e sua equipe. Até uma casa para que o grupo possa ficar alojado foi providenciada. Eles sabem, também, que a partir dessas escavações o cemitério indígena se tornará mais um dos atrativos turísticos da localidade, que tem atraído muita gente para conhecer o lajedo e fazer as trilhas do entorno.