Cão sem plumas da Cia de Dança Deborah Colker se apresenta no Teatro Pedra do Reino em João Pessoa

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Cão sem plumas da Cia de Dança Deborah Colker. Crédito: Cafi / Divulgação

‘Cão sem plumas’: a arte sobre o inadmissível de Deborah Colker

Deborah Colker não teve o menor medo. Mesmo com o alerta de Cláudio Assis – sim, o cineasta e novo parceiro de trabalho – sobre risco de briga entre cinema e dança, a bailarina não se importou. “Tem que estar tudo ali. O que for mais espesso, fica. Não tem essa briga”, reproduziu no seu tom elétrico de ser.

Cão sem plumas – a nova coreografia que chega ao palco do Teatro Pedra do Reino, em João Pessoa no dia (27) de março, às 20h – é assumidamente as duas coisas: um filme e um balé. Forte, muito forte. A nova coreografia da Cia de Deborah Colker se inspira no poema O Cão sem plumas, publicado por João Cabral de Melo Neto em 1950.

No papel, são rimas que falam do rio Capibaribe, da vida ribeirinha, da dificuldade de ser homem e de ser cão no sertão. Nos corpos, as metáforas amplificam tudo isso. Os bailarinos são homens-caranguejos, cobertos por lama, o que pode levar a uma leitura relacionada à tragédia de Mariana. Não foi nisso que ela pensou, mas não deixa de ter a ver.

“O João Cabral fala do Capibaribe mas são todos os rios do mundo. São todos os descasos, com o rio, com o ribeirinho, com as pessoas, com as crianças, com a respiração do ser humano e com a respiração da terra”, explica a artista.

São 70 minutos e, destes, em cerca de 50 está presente a forte relação entre a dança e o cinema. A trilha sonora, assinada por Jorge Du Peixe, do Nação Zumbi e Lirinha, carrega referências não óbvias da sonoridade nordestina. É mesmo o mais melódico e menos acrobático do que os últimos trabalhos. Tanto em sonoridade quanto em movimento.

Cão sem plumas, assim como o poema, é árido, atual e universal. O cenário de Gringo Cardia leva para o palco – além da tela imensa – gaiolas usadas como armadilhas para caranguejos. Sinal claro sobre as diversas armadilhas que os homens criam para si mesmos a partir do momento em que passam a ter uma relação demasiadamente exploratória com a natureza.

O tempo inteiro o balé apresenta essa conflituosa relação. Pode haver harmonia? Claro, mas o desenvolvimento traz também armadilhas, várias. Tais como aquelas que armamos para os caranguejos.

O filme dirigido por Cláudio Assis em parceria com Deborah Colker é um retrato fiel da trajetória dos dois artistas. Ao mesmo tempo em que é cru, áspero – como são os filmes de Assis –  é belo, como são as criações de Colker.

SERVIÇO
Cão sem plumas da Cia de Dança Deborah Colker 

Data: 27 de março de 2018 (terça-feira)
Horário: 20h
Local: Teatro Pedra do Reino, Centro de Convenções, Rodovia PB-008, Km 5 – João Pessoa (PB)

Ingressos: 

PLATEIA A
R$ 120,00 (inteira)
R$   60,00 (meia)

  • 50% de desconto sobre o valor da inteira para funcionários da Petrobrás ou para quem possuir cartão de crédito da Petrobrás (máximo 02 ingressos por pessoa/Sessão)

PLATEIA B
R$ 100,00 (inteira)
R$   50,00 (meia)

  • 50% de desconto sobre o valor da inteira para funcionários da Petrobrás ou para quem possuir cartão de crédito da Petrobrás (máximo 02 ingressos por pessoa/Sessão)

BALCÃO
R$  80,00 (inteira)
R$  40,00 (meia)

  • 50% de desconto sobre o valor da inteira para funcionários da Petrobrás ou para quem possuir cartão de crédito da Petrobrás (máximo 02 ingressos por pessoa/Sessão)

Ingressos já à venda online AQUI ou na Loja Hering do Manaíra Shopping (14h às 20h), informações:(83)99616-7636

Produção local da Incena Produções

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