Igreja em Cabugi – RN

Depois de sair do Rio Grande do Norte para uma operação especial em Fernando de Noronha, a tocha olímpica retorna ao estado numa viagem pelo sertão potiguar com destino a Mossoró

Por Geraldo Gurgel, enviado especial ao Rio Grande do Norte

O retorno da tocha olímpica para o Rio Grande do Norte será marcado por cenários diversos e inesquecíveis. A Agência de Notícias do Turismo, que acompanhou a passagem da chama por Natal no último sábado (4), selecionou algumas dicas de roteiros das cidades por onde a tocha passa nesta segunda (6) e conta aqui um pouquinho da história de cada destino.

Lajes

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Situada entre Natal e Mossoró, Lajes tem no ecoturismo a principal atração na riqueza da fauna e flora da Serra do Feiticeiro. A prática de rapel no paredão de cerca de 400 m e as trilhas em meio a natureza preservada do sertão são opções para quem curte turismo de aventura. A cidade ainda se destaca por ter sido a primeira do Brasil administrada por uma mulher. Alzira Soriano foi eleita em 1928 quando as mulheres sequer votavam. Destaque ainda para a antiga estação ferroviária por onde passavam o sal, extraído do litoral e o algodão, o ouro branco do sertão.

Angicos

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Adornada pela beleza do Pico do Cabugi (vulcão extinto de 590 m de altitude), às margens da BR-304, Angicos é a próxima parada da tocha olímpica. O nome vem de uma árvore frondosa, típica da região que abriga o monumento natural, cartão postal do sertão potiguar. Para os amantes do ecoturismo e do geoturismo, a escalada do Pico do Cabugi é imperdível. O folclore e lendas, além das experiências pedagógicas do famoso educador Paulo Freire, fazem a fama de Angicos. O São João e a Vaquejada de São José atraem milhares de visitantes. A Igreja Matriz de São José de Angicos (invocado pelos sertanejos como o santo da chuva), o sítio arqueológico, a Loca da Mãe D’onça e o açude público são outros atrativos locais.

Assu

Famosa por exportar delícias tropicais que ganham o mundo, como melões, uvas, acerolas, mangas e bananas, Assu tem no turismo religioso um de seus atrativos turísticos mais fortes. Além da devoção à beata Irmã Lindalva, o município recebe milhares de fiéis para os festejos dedicados ao padroeiro, São João Batista. Para o revezamento da tocha, a cidade preparou “Um São João Olímpico de Tradições”. O evento será na Praça São João, rodeada pelos casarões do século passado e da Igreja Matriz (1726). O artesanato de palha de carnaúba, palmeira que margeia o rio Assu, destaca-se entre outros atrativos como a chapada do Palheiro com trilhas, grutas e cavernas, o bosque de baobás centenários, a lagoa do Piató, e o delta do rio Assu com seus carnaubais, manguezais e pirâmides de sal. A barragem de Assu, que abastece e irriga a região, também abriga os clubes e balneários dos municípios em volta do maior lago do estado.

Mossoró

Lampião e seus cangaceiros se deram mal em Mossoró com “Jararaca” morto (o túmulo é visitado no cemitério local). O Memorial da Resistência conta a história do tiroteio na cidade que se armou até nas igrejas para enfrentar o bando mais temido do Nordeste. O feito histórico de 13 de junho de 1927 é representado no auto “Chuva de Bala” durante os festejos juninos. Além do maior São João do estado, os festejos de Santa Luzia, padroeira da cidade, antecipam o ciclo natalino em Mossoró.

A antiga Cadeia Pública, hoje museu histórico, foi palco da abolição dos escravos, em 1883, antes da Lei Áurea e do primeiro voto feminino na América Latina por Celina Guimarães Viana, em 1927. Águas termais, grutas, serras, rios e salinas são um convite ao turista. O artesanato é variado com produtos feitos de palha de carnaúba, madeira, couro cru, cerâmica e sisal. Mossoró é o maior produtor de petróleo, em terra, do Brasil. Os poços se encontram até na zona urbana, inclusive dentro de um hotel. A extração do “Ouro Negro” virou atração local.

Na foz do rio Mossoró, além das salinas que respondem por 95% do sal brasileiro, encontram-se as praias de Areia Branca e Grossos. Em Tibau, na divisa com o Ceará, ficam as falésias de areias coloridas. Já o Lajedo de Soledade é um sítio arqueológico, no município de Apodi, formado por rochas calcárias que sofreram erosão das chuvas abrindo cânions com cavernas e fendas onde estão gravadas as pinturas rupestres.

Ascom MTur

Fotos: Divulgação