Ancestrais de Zé Lins do Rego eternizados no livro “Gente de Itaipu”

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Bandeira Lins lança, na quinta-feira (14), na Academia Paraibana de Letras, o livro fruto de 25 anos de pesquisa sobre origens da família do autor de ‘Menino de Engenho’. O lançamento acontece às 18h

Uma simples caderneta de anotações familiares serviu de ponto de partida para o escritor Bandeira Lins empreender, ao longo de 25 anos, uma das mais profundas e completas investigações já feitas sobre a ancestralidade da família materna de José Lins do Rego, paraibano que se tornou um dos maiores nomes da literatura nacional.

Nesta quinta-feira (14), dois dias após a data que marca os 60 anos da morte do escritor de Pilar – ele faleceu em 12/09/1957, no Rio de Janeiro -a Paraíba conhecerá o livro“Gente de Taipu: Os Lins Cavalcanti de Albuquerque, desde os remotos ancestrais medievais até a morte de José Lins do Rego”.

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Para Bandeira Lins, obras como ‘Menino de Engenho’, ‘Doidinho’, ‘Banguê’, ‘Moleque Ricardo’, Usina e ‘Fogo Morto’ – o livro síntese da temática da cana de açúcar  – se tornaram “imperecíveis, com lugar assegurado na história da literatura universal”.

Esses romances, junto como ‘Meus Verdes Anos’, constituem, conforme frisa o autor de Gente de Taipu, “um grande painel do fim de um sistema produtivo surgido nos primórdios da colonização do Brasil. E, para traçá-los, Lins do Rego voltou os olhos para sua própria família, dona de vastas extensões de terras, em que eram mantidos rudimentares engenhos de bangüê”.

A obra é composta de dois volumes que somam mais de mil páginas, e tem em José Lins Cavalcanti de Albuquerque, apelidado Num e trisavô de Zé Lins, como figura central. E fio condutor de uma investigação que, apesar de “exaustiva e demorada”, como o próprio autor define, “rendeu muitas descobertas surpreendentes”.

Foi graças à pequena caderneta, como frisa Bandeira Lins, que se chegou “a nomes referidos na Nobiliarquia Pernambucana, de Borges da Fonseca, e, dali, aos apontados pelos linhagistas portugueses, desde o que foi registrado por D. Pedro Afonso, Duque de Barcelos, autor do célebre Livro de Linhagens, do século XIV, passando pelo madeirense Henrique Henrique de Noronha, com seu Nobiliário da Ilha da Madeira, e chegando a genealogistas contemporâneos”.

O autor ressalta, a propósito, o maior cuidado que mereceram, no estudo, a família portuguesa dos Albuquerque e duas famílias não portuguesas, os Cavalcanti, de Florença, e os Lins, das cidades de Ulm e Augsburg, na atual Alemanha. “São esses os nomes que vieram a se combinar no de José Lins Cavalcanti de Albuquerque, o chamado Num”.

Ele observa, também, que mesmo escrito com bastante embasamento genealógico, Gente de Taipu tem informações e dados históricos do Brasil e de Portugal plenamente úteis aos estudiosos da literatura brasileira, da língua e de etnologia, das ciências políticas, da religião, da antropologia e da economia.E mais especificamente, claro, para os que se debruçam sobre a implantação da cultura canavieira,e do ciclo dos engenhos e do açúcar, nos estados da Paraíba e Pernambuco.

Interessados na Península Ibérica encontrarão dados sobre a evolução histórica de Portugal e dos reinos hispânicos que vieram a dar na Espanha, lembra o autor ao destacar, também, pontos de interesse na chegada dos portugueses a Pernambuco até a Revolução de 30. E, ainda, as lutas contra os invasores, algumas vitórias importantes contra os colonizadores europeus, e as narrativas dos primeiros cronistas do “Velho Continente” sobre os índios do litoral brasileiro.

Historiadores e cientistas políticos terão, por exemplo, material de pesquisa capaz de permitir releituras e reconsiderações sobre os planos dos holandeses para o Brasil e os feitos principais, e construções relevantes, de Maurício de Nassau no Recife e Olinda.

“Faço um estudo sobre isso, mostrando o sofrimento que os holandeses imprimiram aos brasileiros. Olinda incendiada, a cobrança de pedágio para travessia da ponte no Recife, entre outros fatos que mostram um Maurício de Nassau como o maior discípulo de Maquiavel. Suas ações tinham, quase sempre, interesses econômicos e militares”.

Para o autor, o que em princípio poderia ser um trabalho de simples interesse familiar para conhecer quem sejam seus ancestrais, resultou numa obra de “interesse multifacetário e geral”, por acompanhar a vida política e econômica de uma parte do Brasil e, assim, contribuir “para a maior compreensão da obra de um dos mais importantes literatos do país”.

SOBRE O AUTOR – Formado em direito pela PUC de São Paulo, Carlos Francisco Bandeira Lins é procurador de Justiça aposentado e membro vitalício do Conselho de Administração da Fundação Bienal de São Paulo, além de presidente do Conselho Curador da Fundação Cásper Líbero.

Colaborador de vários jornais do país, com artigos jurídicos, filosóficos e sociológicos, é também autor dos livros “A Reforma da Previdência: suas consequências no Ministério Público de São Paulo”, e “Mulheres no Ministério Público: o conflito entre realização profissional e familiar”.

Foi dos primeiros membros do Ministério Público brasileiro a clamar publicamente pela volta do regime democrático, durante a ditadura militar, chegando a impedir o uso da Fundação Escola de Sociologia e Política como base para atentados perpetrados por grupo paramilitar. E conseguiu, também, coibir o uso da TV Cultura para fins eleitorais.

Assessoria