Dono de uma sensibilidade única, Ary Régis é um nome em ascensão na fotografia paraibana, com trabalhos autorais e comercias. E, devido ao seu envolvimento com o teatro, ele é capaz de  perceber as imagens em outras perceptivas, como cenas de histórias a serem contadas. De suas lentes saem fotografias impactantes, cheias de conceito, mensagens e, claro, beleza, hipnotizando e surpreendendo a cada trabalho realizado.

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Ary Régis
Ary Régis

Quando você começou a fotografar e de onde surgem as ideias dos temas?

Na época do Fotolog – nosso antigo Instagram -, em meio a tantas imagens comuns e corriqueiras, bateu-me a vontade de fotografar ideias, criar imagens conceituais… A partir daí, segui com esse conceito de sempre tentar imprimir algum sentido às minhas imagens, criar diálogo e comunicar. Foi na época em que comecei a fazer teatro, onde a gente aprende a enxergar imagens como cenas. Mas o meu primeiro ensaio mesmo, mais elaborado, pensado enquanto material fotográfico, foi realizado em dezembro de 2012, para um amigo que precisava de material para portfólio de modelo. Desde então, não parei mais. As ideias surgem das mais variadas formas mas, basicamente, a grande maioria brota do meu universo pessoal.

Quem são suas maiores influências no universo da fotografia?

Olha, eu vejo muita coisa no mundo da fotografia, aprecio o trabalho de muita gente, mas o que influencia direto no meu trabalho são as obras do diretor Luís Fernando Carvalho: A Pedra Do Reino, Hoje É Dia De Maria, Capitu… Faço maratonas vendo e revendo essas séries. Não tenho palavras para adjetivar o trabalho desse cara, não só o resultado que a gente vê pronto, mas todo o processo criativo do antes que vejo nos making offs. Sensibilidade, poesia, fotografia absurda, sofisticação e apuramento estético; enfim, ele é o cara. Quero ser como ele quando crescer. Rsrsrss

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Fale-me um pouco sobre o “Jardim dos Sentidos Em Êxtase”. Como foi o processo de composição do enredo, criação, locação, escolha dos modelos, etc.?

“O Jardim Dos Sentidos Em Êxtase” é basicamente fruto das ideias que não entraram no primeiro projeto, “Jardim Dos Sentidos”. Eu ainda estava em processo de produção quando surgiu a oportunidade de participar de duas exposições, em eventos de design. Daí um amigo me sugeriu uma pausa para me dedicar a esses processos e aconselhou-me que transformasse as outras ideias num projeto b-side. Então, surgiu esse segundo ato do “Jardim”, onde eu mantive praticamente o mesmo conceito anterior – mitologia, hedonismo e afins – mas dando um novo enfoque. No primeiro, personagens e locação estavam intrinsecamente ligados;  no segundo, eu quis focar apenas no personagem, nas cenas; a locação faz apenas a costura cênica entre as imagens.

Bom, eu sempre trabalho com perfis. Então a escolha do modelo sempre é feita a partir da necessidade que  tenho para determinada cena. A beleza, o tipo físico, ajudam muito a contar uma história, a comunicar o que você quer na foto. Isto é,  para algumas imagens desse ensaio eu queria apenas ruivas – inspiração que veio da estética de “Meu Pedacinho de Chão”, do Luíz Fernando Carvalho, claro! Depois do material pronto, tudo contextualizado, você tem um conjunto intrigante de tipos, perfis. Adoro trabalhar com modelos profissionais, mas AMO fotografar belezas comuns, dessas que passam por você no centro da cidade.

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Qual a sua fonte ou fontes de inspiração?
Música, literatura, cinema, teatro, cultura de massa, televisão, mesa de bar, cerveja, amigos, gente talentosa, gente que se faz bonita na atitude, paixões.

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Como você vê o  mundo da fotografia?

Olha, quando a gente começa a fotografar, sempre rola uma cumplicidade com colegas que também estão começando. Troca de ideias, informações, conhecimento; mas rola muito cyberbullying com o trabalho alheio também. Isso sempre me deixava triste e sempre puxava a orelha de quem vinha me passar links com esse intuito. Quem faz esse tipo de coisa com o trabalho dos outros, faz com o seu também, acredite. Sou do seguinte lema: Antes uma ideia meia-boca pronta do que uma ideia perfeita que nunca vai sair da cabeça.

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 Existe alguma técnica ou estilo que você sempre segue?

Eu trabalho muito sensorialmente, com experimentações. Assim, nunca sigo um padrão ou técnica especifica, embora perceba, por exemplo, dando uma olhada no meu ” tumblr” que existe uma identidade se fortalecendo a cada trabalho. No Projeto do “Jardim”, eu meio que faço o caminho inverso dos outros fotógrafos. Enquanto todos buscam o máximo de definição nas fotos, eu já tento trabalhar um certo desfoque nas imagens, pois como trabalho em cima de referências de artes plásticas, um efeito mais esfumado sempre vai dar essa aproximação que busco nas obras. Se você maximizar uma tela, vai ver que as aparentes definições são feitas, na verdade, por pinceladas esfumadas. Então, é o tipo de textura a que sempre tento chegar.

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Qual foto, clicada por você, tem um significado especial? E por quê?
Eu tenho várias, por diversos motivos. Seria difícil escolher uma só.

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 Você começou com trabalhos autorais, a partir daí foi convidado para fotografar comercialmente, para você, quais são as vantagens e desvantagens?
As vantagens de “trampar”, comercialmente falando,  é que isso te retira da tua zona de conforto, te obriga a exercitar um trabalho de tradução do olhar alheio. Você aprende a lidar com o improviso, a ter jogo de cintura e, o melhor, a receber por um trabalho que só te dá prazer. Não tem coisa melhor. A desvantagem é que, se você só trabalha com o comercial, isso vai aos poucos limitando o teu olhar, vai te condicionando à repetição, e vai chegar um momento em que você vai ficar fazendo apenas releituras de seus próprios trabalhos, ou vai colar nas referências do trabalho do colega. Vai ganhar bem, fazer nome e grana… mas…

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Quais são os planos para o futuro?
Novos projetos existem e serão encaminhados no devido tempo. Mas, já existe um terceiro ato para o “Jardim Dos Sentidos”. Esse, acho que, para o fim do ano.

Por: Hermany Menezes
Fotos: Acervo Ary Régis

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