Por Elba GGomes

Clara morava numa chácara, numa bela e confortável casa. Nos fundos da casa havia um quintal grande com um quase pomar de onde se avistava, um pouco ao longe, um pequeno morro. Na frente da casa havia um jardim com uma grande variedade de rosas. Além disso, nas janelas da casa havia jardineiras onde se viam também belas flores.

Clara era feliz naqueles tempos. De manhã ia para escola e, durante a tarde, sempre dava um passeio com seu cachorro Zuzu. Eles corriam, pulavam, catavam frutas embaixo dos pés. Clara e Zuzu adoravam pitangas. Sem falar no tempo de jabuticabas. Era uma festa. Às vezes, Clara ia até o alto do morrinho, sentava-se e ficava a cismar:

– Zuzu, eu queria entender o mundo. Os adultos sempre sabem tudo, não é? Devia ter um mundo só de crianças, você não acha?

– Au, au, au!

– Ah, Zuzu, você também não responde! Só faz latir! Aposto que seu mundinho de cachorro é melhor que o meu!

Zuzu olhava para Clara como se entendesse tudo e até concordasse com ela. Os dois se entendiam e se divertiam juntos. Uma das coisas de que Clara mais gostava era se deitar na relva e ficar olhando as nuvens no céu.

– Olha, Zuzu, aquela ali parece com você. Tem até as orelhas em pé. E o rabo! Ah, está deitado, pensando não sei em quê. Ih!, ali tem uma que parece um elefante. Olha a tromba! Ah, mas você nem conhece elefante! Olha aquela lá! É um cavalinho trotando!

E, assim, o tempo passava e Clara descobria mais e mais coisas no céu. Era uma amizade pra lá de boa. Se Clara fazia os deveres da escola, Zuzu ficava ao lado dela. Parecia que estudava também.

– Zulu, você sabe quanto é 20 menos 06?  E o cachorro parecia dizer: “Não, não sei.” E continuava, pacientemente, esperando o fim dos estudos. Quando Clara terminava, Zuzu abanava o rabo e seguia Clara, alegremente.

Mas, um dia, toda história tem um dia, não é? Um dia, Zuzu amanheceu mal. Não quis comer, parecia até que havia perdido a alegria de viver. Levaram o cão veterinário que lhe passou alguns remédios. Pouco adiantou. Certa manhã, ao acordar, Clara deu com Zuzu esticadinho no chão. Deu um grito. Os irmãos correram pra ver o que tinha acontecido. Estava morto.

Clara ficou inconsolável. Os irmãos providenciaram um caixote e decidiram enterrá-lo lá no morrinho onde ele costumava brincar com a Clara. Ela recusou-se a acompanhar a última viagem de Zuzu. Ficou na janela da cozinha, acompanhando a cena, chorando sem parar.

O avô pegou a menina pela mão, levou-a para janela da frente da casa e disse-lhe:

– Você está olhando a vida pela janela errada! Olhe estas flores desabrochando. A saudade sempre ficará, mas você terá que olhar para a frente. Assim é a dinâmica do viver!

Zuzu
Zuzu

Fotos: Divulgação